Escritório carioca desenvolve ônibus que se move no mesmo espaço de uma moto

Sérgio Vieira, do R7

O escritório carioca Índio da Costa AUDT (sigla para Arquitetura, Urbanismo, Design e Transportes) desenvolveu projeto para um veículo alternativo e bastante inovador: o ônibus-motocicleta, que ocupará apenas 80 cm de largura no asfalto – área onde normalmente cabe apenas uma motocicleta – mas que carregará uma cabine elevada com aproximadamente 200 passageiros, como um ônibus articulado. 

A empresa afirma que apesar de ainda estar no papel e não possuir maquete pronta, algumas cidades já se candidataram a sediar o trecho-piloto. Para tal, estão criando um grupo multidisciplinar para estudar a implantação do sistema e definir onde prioritariamente poderiam ser instalados.

Apelidado temporariamente de TEX (transporte Expresso), o novo sistema de transporte público urbano se movimentaria em uma estreita canaleta embutida no asfalto. Ela teria aproximadamente um metro de profundidade onde ficaria um conjunto de trilhos, abrigando todo o sistema de tração e suspensão do veículo, tais como os motores elétricos, as rodas, os truques entre outras peças.

À primeira vista, a canaleta poderia ter o caminho impedido caso houvesse acúmulo de lixo ou se fosse colocado outro obstáculo, mas o escritório garante que um sistema de proteção impede que qualquer detrito fique na região, o que dificultaria a movimentação do veículo.

Acoplada a ela, uma estrutura metálica pantográfica (mais segura e estética em relação à grade fixa) de apenas 80 cm de largura, liga esse sistema de propulsão à cabine de passageiros, que pode ser elevada a aproximadamente três metros de altura. Ou seja, o veículo pode modificar sua altura se tiver que passar por dentro de túneis ou, no caso de avenidas, este sistema faz com que a cabine passe por cima do trânsito, ocupando apenas a largura de uma ciclovia.

Além disso, segundo o escritório, permite tráfego por cima da canaleta nos cruzamentos (sistema semelhante aos usados em alguns VLTs – veículos leves sobre trilhos). 

Os custos de implantaçãoSegundo o escritório, “a grande vantagem do sistema é sua facilidade de implantação nos centros urbanos existentes, já engarrafados e densamente ocupados. Por ocupar uma faixa tão estreita da pista, pode-se criar corredores de ônibus em praticamente todas as avenidas, sem que estes prejudiquem o trânsito já existente, além de ser uma obra muito mais rápida e de menor custo”.

O custo total de implantação do sistema seria de aproximadamente R$ 15 milhões por quilômetro, o que equivale a um décimo do investimento de implantação de uma linha de metrô.

De acordo com o projeto que está sendo apresentado nesta terça-feira (23) na Sustainable Mobility Summit, no Canadá, uma composição biarticulada, por meio de um sistema monitorado, pode vir a transportar 20 mil passageiros a cada hora hora por sentido, capacidade semelhante à de um VLT) ou de um corredor de ônibus (BRT – Bus Rapid Transit) como os que entrarão em construção para a Copa do Mundo e Olimpíada 2016. 

Em trechos de alta demanda, ainda segundo a empresa, o investimento poderia ser praticamente todo feito pela iniciativa privada, em troca de uma concessão de transportes, com uma pequena parte do investimento feito pelo governo, diferente dos 80% de investimento que o governo faz atualmente.

Outra vantagem apontada pela companhia é evitar desapropriações, uma vez que pode trafegar em avenidas já existentes, necessitando apenas de adaptações.

– Por comparação, estima-se que o T5 (novo corredor de ônibus que ligará a Barra à Penha, no Rio de Janeiro) gastará mais de R$ 200 milhões em desapropriações, ou seja, mais de 20% do investimento total da obra.


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