Vacina pode imunizar homens

Vacina também é capaz de imunizar o organismo masculino

Responsável por cerca de 90% dos casos de câncer do colo do útero, principal causa de óbito entre as mulheres no Brasil, o papilomavírus (HPV) atinge também parcela de homens. Enquanto a população feminina se previne por meio da vacinação, os homens ainda não sabem que a mesma vacina também é capaz de imunizar o organismo masculino. Isso porque a proteção da dose contra o HPV garante imunização contra o câncer no reto, no pênis e na orofaringe (boca e garganta). Em 70% dos casos citados, o vírus causador do câncer é transmitido nas relações sexuais.

Conhecida como HPV masculina, a doença vem tomando proporções significativas desta fatia da população. A maioria das pessoas não conhece as consequências da presença do papilomavírus no organismo do homem, porém estudos comprovam que os riscos no desenvolvimento de um câncer sejam os mesmos em relação às mulheres. Estima-se que 85% dos casos de câncer no reto sejam provocados pelo vírus. O Instituto Nacional do Câncer (Inca), em parceira com o Instituto de Virologia da Fundação Oswaldo Cruz, mostra que o HPV está associado a até 75% dos casos de câncer de pênis.

No Brasil, a bula da vacina, regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), determina que a vacinação contra o HPV deva ser aplicada em mulheres com idade entre 9 e 26 anos. Já em países como os Estados Unidos e na União Europeia, a mesma vacina é aplicada em mulheres com até 55 anos e, também, em homens entre 9 e 26 anos.

Segundo o médico Breno Monteiro, esses países já estão imunizando a população contra possíveis epidemias cancerígenas sexualmente transmissíveis e, de acordo com as últimas estatísticas disponíveis, mais de 50% da população sexualmente ativa no mundo já teve contato com o vírus. “Esta maior amplitude de atendimento mostra que os países reconhecem que tanto mulheres quanto homens podem evitar que o papilomavírus se manifeste em níveis mais elevados futuramente. A relação homossexual entre homens, por exemplo, é um fator de alto risco para a disseminação do papilomavírus entre este público, tornando-o mais vulnerável ao câncer anal e de orofaringe. A vacina imuniza o paciente em quase 100% de chances”, explica.

Apesar de as lesões e verrugas ocasionadas pelo HPV serem mais fáceis de identificar nos homens do que nas mulheres, eles ainda deixam de fazer os exames não só para a presença do HPV, como para todas as outras DSTs. Um estudo realizado pelo Ministério da Saúde mostra que cerca de 10 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de DST, como gonorreia, sífilis, herpes genital e HPV. Do total de infectados, 6,6 milhões são homens e 3,7 milhões, mulheres. E, ainda, 18% dos doentes do sexo masculino e 11,4% do feminino não procuraram nenhum tipo de tratamento. A região Norte do País apresenta o maior percentual (24,6%) de homens que relataram ter tido pelo menos uma DST.

Lei que cria políticas de promoção à saúde não é cumprida no Pará

Em maio deste ano, uma lei sancionada pela governadora Ana Júlia Carepa autorizou o Executivo a efetuar campanhas de atenção e promoção à saúde dos homens em postos de saúde e hospitais públicos por meio de exames que detectem câncer de pulmão e próstata, assim como as DSTs e aids. Porém, nenhuma política pública voltada para os homens existe em nível estadual.

Para a deputada Ana Cunha, autora do projeto que resultou na lei, ao contrário das mulheres, os homens procuram tardiamente os serviços de saúde e, na maioria das vezes, em estado avançado das doenças, o que pode provocar a morte precocemente. “É necessário que se realizem campanhas de prevenção direcionadas à população masculina que incentivem a realização de exames de forma periódica, para cada fase da vida do homem. Precisamos abordar ações preventivas e educativas, que possam melhorar o acesso e a conscientização diante de doenças específicas, focando os cuidados necessários e, sobretudo, os tratamentos preventivos e curativos”, propõe.

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