Padre que acolheu fiéis durante conflito nega que queira ser candidato

O padre Marcelo José Vieira Júnior, da paróquia de Santo Antônio do Descoberto (GO), se tornou conhecido em todo país ao acolher na igreja, no começo da semana, manifestantes e fiéis que estavam envolvidos em um confronto com a Polícia Militar.

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“Ninguém vai bater no meu povo, não! pode entrar!”, disse o padre, na ocasião, ao abrir as portas da igreja. O repórter Rafael Mônaco acompanhou os acontecimentos.

A confusão começou por causa de queixas da população sobre a falta de investimentos da prefeitura. As críticas englobam a ponte da cidade, que ruiu, a falta de asfalto em alguns locais e, também, o hospital superlotado, que gera demora no atendimento.

A população explodiu de raiva. O prefeito, da cidade de 60 mi habitantes que 40 quilômetros distante de Brasília, diz que está de mãos atadas. “O povo tem razão de reclamar. Mas eu herdei uma dívida de R$ 34 milhões e tenho R$ 1 milhão por mês para investir, resolver os problemas do município”, afirmou o prefeito eleito, David Leite.

‘Guerra’
“Quando eu passei por aqui eu via balas. cê via barulho. vrum, vrum! bombas!”, conta o padre Marcelo José Vieira Júnior. “Eu nunca vi uma guerra! Eu sou padre de cidade de interior. Eu só via uma guerra. Muitos tiros!”, acrescentou ele.

Os problemas estão longe se resolver. Mas os ânimos estão um pouco mais serenados. O homem que evitou aquilo que poderia ter sido um conflito muito mais sério pode, enfim, se dedicar a uma de suas muitas atividades de rotina.

O padre Marcelo Vieira também é especialista na restauração de imagens sacras, como a Santa Luzia Barroca. Aos 33 anos, Padre Marcelo nem liga se alguém acha que ele é um jovem de hábitos ultrapassados. “Já não é muito modernismo! O meu povo quer um padre de batina. Se o meu povo quer um padre de batina, eles vão ter um padre de batina”, disse ele.

Respeito
Perguntado porque o povo obedece o padre, e não ouve o prefeito ou a polícia, o padre afirmou que a população o respeita. “Eu não sei se obedecem, mas respeitam, amam o padre que têm. Pode ter a multidão que for. Se eu chamar o povo, eles vêm. Multidão desesperada foi o que ele viu no dia da confusão. E só tinha gente conhecida. Tinha pessoas que frequentam o apostolado da oração, tinha ministro da eucaristia, tinha meninos coroinhas correndo. Então era o povo da igreja, pessoas de bem, não era bandido não!”, disse.

Confusão
O padro Marcelo Vieira lembrou que, no dia da confusão, encontrou muita gente conhecida. “Mas quando eu vi que a igreja não cabia mais gente, e o povo ficando de fora, e os tiros, bombas, eu me coloquei na frente. Se vão atirar, então vão atirar primeiro no padre”, disse ele.

O padre saiu para o pátio da igreja. “Falei: olha, ninguém vai atirar no meu povo. Todos pra fora! E fui empurrando a polícia pra saírem, saírem e me respeitarem. Esse solo é santo! É o terreno da igreja!. Depois, quando eu saí à frente, que os policiais ameaçavam atirar em mim, eu confesso que, aquela hora, eu tive um pouquinho de medo, sabe?”, afirmou.

Lugar do prefeito?
O padre ficou com fama de pacificador. Mas, quer tirá-lo do sério? Pergunte se ele quer o lugar do prefeito. “Não pretendo ser candidato. E me sinto ofendido quando me fazem essa pergunta! Ao vigário, o que é do vigário: as orações, a igreja, o rebanho. Eu serei aqui tão somente o padre de uma igrejinha do interior. Estou feliz assim”, concluiu.

Do G1, com informações do Fantástico

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