Obidense lança livro na Academia Paraense de Letras

Edith- Carvalho fala na APL sobre o livro

“De encantamento a encantamento, o povo amazônico vive a magia desta terra misteriosa, contrabalançando o real com o imaginário, que conta com a corroboração dos mais velhos, que reiteram convictamente a “verdade” dos mistérios das matas, dos rios, dos ares, sendo que muitos dariam a própria vida para jamais deixar de acreditar no sobrenatural que ouviram e “viram” desde a mais tenra idade, em torno do qual foram embalados anos a fio, no remanso do segredo enigmático que só a eles, povo simples amazônida, foi revelado”. Esse é um trecho do prefácio de João de Jesus Paes Loureiro, no livro lançado no dia 3 de fevereiro, da escritora obidense Edithe Carvalho Vieira, intitulado “Amazônia – Contos, Lendas, Ritos e Rituais”, na Academia Paraense de Letras, em Belém do Pará.

A cerimônia que começou às 19h, teve como primeiro a falar da tribuna, o presidente da Academia artística e Literária de Óbidos, Dr. Célio Simões, que revelou que, ao ler o livro da escritora, passou a conhecer muitas coisas que não sabia, como exemplo o cemitério indígena onde hoje está a praça de Sant’Ana; também o acadêmico disse que esse livro será um dos que vai ler várias vezes, como de costume faz com suas leituras.

Edith-Barbosa autografa livro

O segundo a falar foi o poeta Paes Loureiro, que prefaciou a obra de Edithe. Ele falou que Óbidos é uma cidade rara no Estado, pela sua geografia e sua cultura; também falou da obra que estava sendo lançada, onde a história faz parte do presente e que esse livro é um resgate de uma parte da história.

A escritora fez questão de agradecer dizendo que continua a pesquisar, a escrever e que em breve estará lançando uma outra obra. Ela fez a relação das crendices dos ribeirinhos da região, onde, mesmo as pessoas mais esclarecidas, acabam vivenciando as crendices.

Paes Loureiro diz: “Amazônia – Contos, Lendas, Ritos e Mitos” é um livro não sistemático, reunindo temas que sensibilizam a autora: causos, lendas, ditos populares, superstições, quadrinhas folclóricas para desfeiteira, adivinhações, crendices, tipos de alimentos simples do cotidiano do homem amazônico, vocábulos usados na região. O caráter documental concorre com relatos de cunho literário. Tem-se a sensação de que a autora despejou nas páginas do livro tudo o que sua alma repleta de sentimento da terra contém. Assim a lua despeja, de uma vez sobre a noite da floresta e o rio, a imensidão de seu luar.

Edithe Carvalho Viera nasceu em Óbidos, no ano de 1940. É professora aposentada, licenciada em Letras e Literatura pela Universidade Federal Fluminense, atuou em vários setores da cultura local, na condição de membro e presidente da Associação Cultural Obidense (Acob). Dirigiu também o Circo Cultural e foi correspondente literária da Academia Paraense de Letras, agraciada com o título de Grande Benemérita da Academia Artística e Literária de Óbidos.

Escreve poemas, contos infantis. Lendas e peças de teatro e o tema dominante em seu trabalho é a Amazônia e sua preservação.

Fonte: Folha de Óbidos

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