PM mata a tiros o próprio colega de farda

Morte de policial gera primeira crise no comando da PM

No velório do policial Alexsander de Castro Ferreira, 28 anos, na tarde de ontem (7), além da dor e revolta, havia três versões, todas confusas, sobre o homicídio. O pai e a mãe estavam apáticos e sem entender a real situação, esperando esclarecer a morte do filho, que foi baleado por um policial militar, em horário de serviço, no início da tarde do último domingo, no Distrito Industrial, em Ananindeua.

Os pais do policial estão inconformados com o assassinato do rapaz, que estava de serviço no policiamento velado da Polícia Militar e acabou sendo baleado pelo soldado Ronald Pantoja. O fato ocorreu por volta de 13h do último domingo, mas os pais de Alexsander só receberam a má notícia, à noite, já por volta de 23h.

“Eles chegaram aqui tarde da noite na companhia de uma mulher que se dizia noiva do meu filho. Eu fiquei sem entender nada, falaram três versões diferentes chegaram até a desenhar em um papel”, falou a mãe da vítima, Carmem Lúcia Castro Brito.

Carmem achou a história muito estranha, pois não conhecia a moça que se dizia noiva do filho. Ela explicou que o rapaz estava recém-separado e ele chegou a falar aos pais que não iria ter envolvimento sério com ninguém.

“Eles disseram pra gente que os dois estavam à paisana. A primeira versão é de que o meu filho foi fazer uma abordagem em uma pessoa aí o outro policial ia passando e atirou, pois achou que fosse assaltante. A segunda versão é que ele (o filho) teria feito abordagem em uma pessoa que estava no bar, onde o policial estava bebendo aí ele (o policial acusado) estava bêbado e fez os disparos. A terceira versão é de que o meu filho teria feito a abordagem no próprio policial , nisso ele (policial acusado) reagiu com vários tiros”, detalhou a mãe do rapaz.

As três hipóteses só aumentaram a agonia dos familiares do rapaz. O pai de Alexsander, cabo Severiano, disse que quer esclarecer o crime. “Eu não consigo entender nada disso, nós queremos um culpado, mas na realidade nada vai adiantar, pois ele (Alexsander) já não está mais aqui”, lamentou o pai.

A Polícia Militar do Pará enviou nota à imprensa informando que Alexsander morreu no Hospital Metropolitano. Lá ele foi operado após ser baleado pelo também soldado da PM, Ronald Tavares Pantoja, lotado na 2ª CIPM (Distrito de Mosqueiro).

A Corregedoria da corporação apura o homicídio através de Inquérito Policial Militar, cuja abertura foi determinada pelo Comando da PM. A apuração tem o prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 20 dias para a conclusão dos trabalhos.

O policial militar acusado já prestou esclarecimentos na Depol de Ananindeua, para registro da ocorrência. Já os familiares da vítima estão sendo atendidos pelo setor psicossocial da PMPA.

(Diário do Pará)

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