‘Falso silicone’ pode dar câncer

Polícia suspeita que material aplicado por Fernanda era adulterado . Foto. Paulo Araújo - Agência O Dia

Além das graves lesões nas nádegas, mulheres que teriam recebido nas nádegas injeções de silicone industrial — usado em carros e aviões —, aplicadas pela enfermeira Fernanda Ouverney Valente, 25 anos, podem ter a saúde comprometida para o resto da vida. Em conversa informal com o delegado da 64ª DP (São João do Meriti), Alexandre Ziehe, médicos disseram que a longo prazo o produto pode provocar até câncer.

Especialistas em oncologia e medicina reparadora alertam para outros tipos de problemas aos quais as vítimas estão sujeitas no decorrer dos anos. Quarta-feira, em Goiânia (GO), o travesti Mateus Gomes Vieira, 21 anos, morreu, após injetar silicone industrial nas nádegas.

De acordo com especialistas, como o produto entra na corrente sanguínea. “É impossível retirar todos os resquícios de microdepósitos de silicone industrial do organismo humano. Depois de alcançar o sangue, o produto migra e, com o tempo, pode causar deformações em outras partes do corpo. Com o passar dos anos, também podem aparecer novas inflamações, vermelhidões na pele e outros desconfortos”, explica o médico Alessandro Grossi, referência nacional em cirurgia plástica e microcirurgia reconstrutiva.

Grossi já tratou duas pacientes com sequelas, anos depois de terem se submetidas às injeções. “Graves lesões apareceram em outras partes do corpo”, lembra. Ele ressalta que o risco de embolia pulmonar é grande só na primeira fase, imediatamente após à aplicação. O oncologista Fernando César de Oliveira Almeida não descarta a possibilidade de as vítimas desenvolverem câncer a longo prazo.

“Como se trata de uma prática recente, porém, seriam necessários estudos mais amplos e extensos, de décadas, talvez, para se comprovar essa possibilidade”, diz Almeida.

Mais uma será indiciada

Segunda-feira, a polícia vai ouvir uma técnica em enfermagem Iris de Lima Vieira, filmada durante aplicações com Fernanda. Assim como a enfermeira, ela será indiciada por exercício ilegal da profissão, pois só médico poderia injetar o produto. Outra mulher que aparece em imagem captada por marido de vítima não foi identificada.

Das três vítimas das injeções para aumentar o bumbum aplicadas por Fernanda, duas continuam hospitalizadas. A Comissão Municipal de Defesa do Consumidor da Câmara de Vereadores do Rio encaminha na segunda à Secretaria Municipal de Saúde pedido da lista de clínicas e pessoas autorizadas a realizar as aplicações. A intenção é criar também cadastro único compra e venda do produto.

Fonte: O Dia

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