A CABANA (The Shack)

Por: Allan Patrick

Existem algumas obras literárias que atingem um grande sucesso chegando a se comparar com as super produções cinematográficas mas bem sucedidas, ou seja, sucesso de público e crítica. A Cabana é uma destas obras. Escrito pelo canadense William P. Young, o livro foi lançado em 2007 nos EUA, chegando no ano seguinte para os brasileiros, e desde então se tornando uma verdadeira mania. Em 2009, ganhava o prêmio Diamond Awards, que prestigia obras da literatura que ultrapassam a marca de 10 milhões de cópias vendidas. Por esta introdução, percebemos que A Cabana não é nada menos do que um verdadeiro fenômeno literário.
A Cabana oferece a experiência espiritual definitiva. O filme demorou bastante para sair do papel desde a compra dos direitos autorais, ou seja, dez anos para adaptar um Best-seller.
Na trama, a filha mais nova de Mackenzie Allen Philip (Sam Worthington)  foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma carta suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar naquela cabana para passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta a cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá muda sua vida para sempre.
Inicialmente podendo ser confundido com um suspense criminal, A Cabana abandona o suspense, para mergulhar em seu verdadeiro conteúdo, um drama espiritual, que tem como principais temas o perdão, a paz e como lidar com um sofrimento que parece insuportável. Mack recebe em sua caixa de correio uma carta e segue novamente para a cabana onde ocorreu o terrível crime. Uma vez lá, percebe que o local está totalmente reestruturado, e agora é o lar de moradores muito especiais.

Durante “o fim de semana de uma vida”, como definiu a própria Octavia Spencer, que no filme interpreta Deus, a figura máxima da fé cristã e da maioria das religiões, além de Jesus Cristo (Avraham Aviv Alush) e o Espírito Santo, ou Sarayu (Sumire), opção interessante e corajosa por trazer a diversidade de etnias para a Santa Trindade. Além disso, temos a presença de uma latina também, nossa querida Alice Braga, no papel da Justiça, tornando tudo ainda mais emocionante. Durante este período, Mack terá um curso relâmpago de, principalmente, como se desprender de todo e qualquer apego terrestre, e de sentimentos como a vingança, a raiva e a culpa.
A Cabana faz boa referencia a todos os outros filmes religiosos de sucesso, como Deus Não Está Morto, O Céu é de Verdade e muitos outros. Mas se estes são a entrada, A Cabana pode ser considerado o prato principal. O longa utiliza de todos os elementos esperados em uma obra do gênero, soando em certos momentos como aquele bom e velho sermão. O filme possui atuações eficientes, em especial Octavia Spencer e de Alice Braga, uma boa direção de arte, fotografia, direção de Stuart Hazeldine, e um roteiro satisfatório.
A Cabana cumpre sua missão terrena e promete atingir seu público alvo, além de conquistar novos “fiéis”. Não irei esconder que meu coração se emocionou profundamente mesmo ainda não possuindo filhos, e que em vários momentos da projeção lágrimas escorreram em meu rosto principalmente nos momentos de maior chantagem emocional em que o filme nos faz refém. A Cabana se mostra tão bom e eficiente quanto a melhor das missas dominicais. Minha nota sincera: 7,0.

3 comentários em “A CABANA (The Shack)

  • 13 de Abril de 2017 em 14:52
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    Já li o livro, e sensacional. Mesmo sendo ateu hoje em dia, eu ainda acho o livro muito bom. Estou ansioso pra ver esse filme de qualquer modo.

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  • 13 de Abril de 2017 em 14:22
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    Estou muito feliz com essa coluna, eu amo cinema e quero muito assistir esse filme. Já entrou em cartaz?

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  • 13 de Abril de 2017 em 14:16
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    Assisti esse filme e confesso que também me emocionei demais, com toda certeza eu indico

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