Inauguração de ocasião – Porto da Prainha continua sem funcionar

Terminal de cargas e passageiros foi inaugurado no dia 22 de junho deste ano.

Passado quase dois meses da grande cerimônia de inauguração do Terminal de Cargas e Passageiros construído em parte da antiga área da Tecejuta, no bairro da Prainha, onde marcaram presença o Senador Jader Barbalho e o Ministro da Integração Nacional Helder Barbalho, entre outras tantas autoridades, o equipamento público que deveria estar em pleno funcionamento e atendendo à população, parece ter ficado em segundo plano.

“Sinceramente, é impressionante a cara de pau desses políticos. Eles brincam com coisa séria. Não tem cabimento, eles terem inaugurado uma obra desta, de extrema necessidade para Santarém, e passado tanto tempo desde a inauguração, e a população continuar sofrendo com as precárias condições do porto improvisado da Praça Tiradentes. O correto é inaugurar e funcionar. Para nós ficou claro o viés politiqueiro desta inauguração; um verdadeiro desdenho com a cara do povo”, diz revoltado o vendedor João Agripina.

No momento da inauguração da importante obra, que aconteceu no dia 22 de junho – em meio ao cronograma de atividades referentes à comemoração do aniversário da cidade – em pronunciamento à imprensa, o diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), Valter Casemiro tinha informado sobre prazos para o funcionamento do Terminal dependeria da liberação de alguns documentos, tais como a licença de operação.

Porém, a maioria das pessoas ouvidas por nossa equipe de reportagem, sobre a questão do não funcionamento do Terminal de Cargas e Passageiros, foi taxativa em afirmar a incoerência representada pelo evento, cuja inauguração da obra, não foi verdadeiramente entregue à população.

Para a aposentada Maria do Socorro, a palavra ‘decepção’, é a palavra mais adequada para expressar o sentimento dos santarenos em relação à inauguração de ocasião feita pela Prefeitura de Santarém.

“Entendo que a coisa pública deve ser tratada com seriedade. Para que forçar a barra e inaugurar uma obra que não está servindo à população? Tudo em nome da politicagem, dos compromissos com aliados. Fica feio é para o Prefeito, que tem a imagem assimilada às velhas práticas de fazer política, quando prometeu em campanha, a ‘mudança’”, expõe a aposentada.

A população precisa ser respeitada, o poder público deve satisfação e precisa agilizar os processos, para que o sofrimento dos passageiros que utilizam o porto improvisado da Praça Tiradentes, seja amenizada. Por outro lado, os santarenos também questionam que iniciativas por parte da Prefeitura têm que ser priorizadas, para que o novo Terminal contemple a todos.

Uma grande dificuldade apresentada pela população refere-se sobre o transporte coletivo, pois o local não é passagem da maioria das linhas que atendem os bairros da cidade, como é atualmente na Praça Tiradentes.

A OBRA: O terminal é considerado uma Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte (IP4), que é construída para favorecer a movimentação de cargas e passageiros em áreas distantes, atendidas pelo transporte fluvial. As obras iniciaram em 2008, com o convênio DNIT-292/2006 DAQ, contrato 07/2008, sob a responsabilidade da empresa Construtora Mello de Azevedo S/A. No terminal vai constar: cais de arrimo, rampa de concreto armado, drenagem pluvial, cais flutuante, terminal de cargas e passageiros e obras complementares. O valor total utilizado na obra foi de R$ 6.216.796,42, oriundo do Ministério do Transporte / DNIT e Prefeitura de Santarém.

SEMINÁRIO SOBRE LOGÍSTICA PORTUÁRIA: O evento organizado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), aconteceu neste semana. Na manhã de quinta-feira (3) aconteceu o início das atividades do seminário Logística Portuária no Oeste do Pará: perspectivas e desafios, com a participação de representantes de diversos seguimentos, o que provocou um debate com elevado nível e importância para a região. O evento debateu temas voltados às questões de implantação de portos na região e seus impactos positivos e negativos no meio social.

Na mesa de abertura, a reitora da Ufopa, Raimunda Monteiro, falou da iniciativa da Universidade em realizar o primeiro debate focado na questão portuária. “Nosso produto é o conhecimento que orienta a sociedade, nos mais diversos aspectos. Nosso papel é ser mediador, por meio de um produto que é fundamental para que o governo e empresas de iniciativa privada possam definir a melhor e mais prudente forma de buscar o desenvolvimento regional. A Ufopa tem mais de 600 estudantes nos mestrados e doutorados, conhecendo sociedade, meio ambiente, economia e os mais relevantes temas para intervenção humana. Também queremos que este evento nos ajude a mobilizar nossa capacidade de produção. A universidade tem um clamor que pode trazer benefícios para o meio ambiente e a sociedade. Isso deve ser feito desapegado de paixões e questões emocionais, e, desta forma, ajudar na construção de um projeto bem pensado”.

Para Roberto Branco, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES), a região Oeste do Pará precisa focar no desenvolvimento, especialmente em benefício futuro aos filhos e netos da terra, que estarão, em breve, precisando de mercado para realizar suas atividades, em várias áreas. “Temos que pensar o futuro para as gerações. Um seminário como este é de extrema importância para inserirmos à mesa de debate o futuro que envolve a todos nós”.

O prefeito em exercício de Santarém, José Maria Tapajós, enfatizou a preocupação de, como gestor, fazer uma análise mais apurada dos projetos apresentados para desenvolvimento regional. “Temos que ter a consciência que não se pode trabalhar um projeto para desenvolver sem pensar no homem. Nós, enquanto gestores, não compactuamos com projetos desordenados. Vamos apoiar o que estiver aliado à responsabilidade. Jamais vamos apoiar um projeto sem pensar nesse principal requisito, levando em conta que, também, não podemos embarcar nessa de que aqui nada pode. Para isso, existem os estudos de impacto que nos ajudam no direcionamento”.

O representante do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com sede em Belém, Miguel Fortunato, enfatizou sua preocupação com o fato de que “o mundo está olhando para nós (Amazônia) e nós não estamos vendo o mundo. Estamos no lugar certo e na hora certa há algum tempo. Mas precisamos, diante de todas as intervenções, refletirmos sobre a importância disso tudo, como a preservação dos rios, que são nossos caminhos naturais e temos que cuidar disso, ao mesmo tempo em que se pensa em desenvolvimento”.

Vicente Sales, representante do Ministério da Integração Nacional, falou das barreiras que a implantação do projeto dos portos irá gerar, mas o olhar do governo é para o desenvolvimento aliado à preocupação com as populações e o meio ambiente. “O governo tem trabalhado para que isso ocorra com menor impacto possível”.

O coordenador da Pastoral Social da Diocese de Santarém, Pe. Guillermo Grisales, também expôs a preocupação com as populações que vivem na região para onde se destina o projeto dos portos, especialmente a do Maicá, onde as famílias são bastante tradicionais.

Por: Edmundo Baía Júnior

Fonte: RG 15/O Impacto

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