POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PARA TODOS – CRÍTICA

POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PARA TODOS

Por: Allan Patrick

Como se não bastasse a loucura que se encontra o cenário político brasileiro, o que reflete diretamente no cenário social, aonde grandes amizades e relacionamentos são desfeitos e devido às ideologias políticas, reflexo de uma sociedade despreparada psicologicamente para lidar com as diferenças, neste ano tivemos produções que prometeram enfatizar esta discordância. Primeiro, Real: O Plano por Trás da História, lançado em maio, e agora este, Polícia Federal: A Lei é para Todos.
Essas produções, para muitos brasileiros, nascem mortas, simplesmente pelo fato de teoricamente apresentar determinadas discussões, dependendo do seu ponto de vista, certos pensamentos ideológicos, instantaneamente combatidos por todos que pensam diferente. Notamos que desde que o mundo é mundo, a aceitação só vem através de seus pares. A luta é pela igualdade, desde que prevaleça o “meu” pensamento, ou no que pode beneficiar a mim e aos meus. Isso é pura humanidade.
Por isso, existe uma grande divergência de opiniões com relação ao tema do filme, quem ama os partidos denunciados no filme irá odiar, mas quem é contra os partidos acusados certamente irá amar o filme. Dito isso, qualquer avaliação relacionada à produção cinematográfica tem de vir de um pensamento neutro, aonde apenas os itens que constituem uma produção entram em questão. Fica claro que o filme tem cunho partidário.

O roteiro escrito por Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros transcreve os escândalos recentes envolvendo figurões do alto escalão brasileiro, sejam políticos ou empresários, na maior operação policial contra a corrupção que o país já viu. De fato, o texto não esquece de brincar sobre o quão entranhada está a veia corrupta em nosso DNA – desde a colonização. Como dito, a história acompanha um grupo de policiais federais, encabeçados por Ivan (Antônio Calloni), que seguindo uma pista sobre tráfico de drogas, chega até crimes políticos muito mais escabrosos, levando até o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vivido no longa de forma imponente e expressiva pelo grande Ary Fontoura, que só dá as caras no terceiro ato do longa, porém, dono de uma presença marcante.


Quem vem acompanhando as investigações da Lava Jato, nome dado à operação policial, perceberá algumas das situações expostas repetidamente através dos noticiários. Apesar dos diálogos em sua maioria apenas cumprirem tabela, movendo a trama adiante sem prejudicar, mas igualmente não imprimindo-os em nossa mente, existem alguns momentos marcantes no longa, que talvez sirvam para justificar sua imparcialidade. Durante um almoço de família, o policial Júlio César (Bruce Gomlevsky) precisa explicar para o pai que não existe perseguição partidária. No entanto, o melhor momento do longa, que joga uma luz sobre uma situação que talvez nunca mude, é a cena em um bar com Antônio Calloni, quando o líder da operação se questiona sobre seu resultado.


Apesar da montagem eficiente e todos os elementos que compõem uma boa produção cinematográfica estarem no lugar, existe sim uma sensação de que algo está faltando para diferenciar o filme de um telefilme, ou um episódio de estreia de uma série de TV, tirando uma boa cena de ação que inclusive já consigo ver adaptado para as telinhas. A direção é de Marcelo Antunez, mais acostumado com comédias, vide Qualquer Gato Vira-Lata 2 (2015), Até que a Sorte nos Separe 3 (2015) e o bem duvidoso Um Suburbano Sortudo (2016). Este é o pulo do gato em sua carreira, seu trabalho mais arriscado e satisfatório.
Na ausência da terceira parte de Tropa de Elite, que provavelmente jamais virá, Polícia Federal: A Lei é para Todos pode suprir um pouco esta necessidade, de um cinema impactante, fervoroso e vendável. O filme é ótimo para quem não está antenado nos escândalos e fatos que rondam a operação Lava Jato, desde sua origem. Minha nota: 6,5!


DICAS NETFLIX

CONTROLE ABSOLUTO

( Eagle Eye)

Jerry Shaw e Rachel Holloman são dois estranhos cujos caminhos se cruzam depois de um telefonema feito por uma mulher desconhecida. Ameaçando a vida deles e de suas famílias, a misteriosa voz os coloca em uma série de situações crescentemente perigosas usando a tecnologia do dia-a-dia para rastrear e controlar todos os seus movimentos.Enquanto a situação se agrava, essas pessoas comuns tornam-se os fugitivos mais procurados do país, e precisam trabalhar juntos para descobrir o que realmente está acontecendo. Lutando por suas vidas, Jerry e Rachel viram brinquedos de um inimigo sem rosto que parece conseguir manipular tudo o que eles fazem.. Minha nota: 8,5.

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