Blade Runner 2049 – Crítica

Blade Runner 2049

(Blade Runner 2049)

Em 1982, época em que foi lançado nas telonas Blade Runner – O Caçador de Androides, sua avalição não foi satisfatória para o público e também para os críticos, que evidentemente não tinham ideia de quão grande era a importância e a influência da produção para o gênero. Mas, Blade Runner atualmente continua sendo alvo de avaliação, mostrando a grande importância das revisões das obras cinematográficas, em um contexto fora de seu tempo.
Dito isso, Blade Runner teve sua ascensão anos depois de sua medíocre estreia, como se o público tivesse perdido um ônibus, sem perceber o valioso tesouro em seu conteúdo. A produção tratava-se do terceiro trabalho do visionário diretor Ridley Scott, que não tinha noção que seria um dos principais propulsores do fascinante mundo da ficção científica. Pois tinha acabado de dirigir a também icônica produção Alien – O Oitavo Passageiro (1979), que junto de Blade Runner formou uma dobradinha das ficções mais importantes e tendenciosas da história do cinema.


Em 2017, encontramos blockbusters, que em sua maioria são produções enlatadas, uma época em que foi tentado diversas formas de agradar o público, pensem comigo, são mais de 35 anos e em todos os anos são lançados centenas de filmes, e contamos a dedo os que nos surpreendem com alguma novidade. A essa “altura do campeonato” nos deparamos com a sequência de um filme que ajudou a revolucionar a forma como histórias são contadas no cinema, imaginem um grupo de detetives, em um futuro próximo, robôs, carros voadores, e a maior das questões de todos os tempos: o que é ser humano?


Blade Runner é baseado no conto de Philip K. Dick, com roteiro adaptado por Hampton Fancher e David Webb Peoples (Os 12 Macacos). Para esta continuação, apenas Fancher retorna com um novo argumento e assinando o roteiro, que teve parceria do novato Michael Green (Logan). Para a dificílima tarefa de voltar ao universo da Los Angeles futurística, que se tornou sinônimo de direção de arte inovadora, entre os replicantes e seus caçadores, contamos com a presença de um dos melhores diretores a atualidade, o visionário Denis Villeneuve, um diretor que adora desafios, independente do tipo de gênero, nos quais deixa tatuada sua marca talentosa. Uma escolha certeira para não deixar Blade Runner se tornar esquecível.


Ridley Scott está como produtor e podemos contar com alguns rostos conhecidos no elenco. A direção de arte de Lawrence G. Paull, por exemplo, foi substituída pela de Dennis Gassner, responsável pela criação de uma Los Angeles ainda mais sombria, chuvosa, mas demonstra que nesses quase 40 anos, a Terra, como era de se esperar, sofre de superpopulação. Podemos notar em algumas tomadas que uma determinada área da cidade se tornou uma grande favela, um verdadeiro amontoado de pequenas casas. A fotografia; e meus amigos que fotografia, uma delícia de ser contemplada, que antes tinha a assinatura de Jordan Cronenweth, falecido em 1996, dá lugar para a de Roger Deakins o top da atualidade, dono de 13 indicações (incluindo Sicario: Terra de Ninguém), mas que ainda, injustamente, não possui uma estatueta do Oscar em casa. Quem sabe Blade Runner 2049 faça jus a este profissional. Já a inesquecível trilha de Vangelis no filme original é homenageada na medida certa pela dupla Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch.
Há muito tempo não assistia uma superprodução tão minuciosa e, por que não, sofisticada quanto o novo Blade Runner. As comparações com Mad Max: Estrada da Fúria (2015) são justas, no sentido de que ambas são blockbusters fora de seu tempo, presos a uma época em que cinema era arte bem cuidada e o entretenimento vinha depois.


A trama se passa trinta anos após os acontecimentos do primeiro Blade Runner, o policial K (Ryan Gosling), do Departamento de Los Angeles, desenterra um segredo que tem potencial para mergulhar o que sobrou da sociedade em caos. A descoberta de K o leva a uma jornada em busca de Rick Deckard (Harrison Ford), um antigo Blade Runner que está desaparecido há trinta anos. Ryan Gosling se sai bem como o protagonista, no entanto, não é dono do melhor personagem ou não cria empatia suficiente. Ao contrário do Deckard de Harrison Ford no filme original, o K de Gosling nos faz assistir a esta trama de fora. Sim, Harrison entra em cena, dando uma guinada inclusive no estilo de filme e em seu teor, algo mais caloroso e emocional, em contraponto com a atmosfera quase gelada que era apresentada.


Blade Runner 2049 pode ser chamado de um filme com uma trama simples e linear, mas lembrando que o original resumia-se ao oficial Deckard (Ford) encontrar e eliminar replicantes renegados, que tinham Roy Batty (Rutger Hauer) como líder. Seu diferencial estava nas entrelinhas, no forte teor filosófico e existencialista nos quais suas cenas eram criadas. O mesmo ocorre na nova versão, que vai além e apresenta um mistério que é um verdadeiro “tiro” no quesito “apresentar algo nunca anteriormente visto”. E para quem reclama do cinema Hollywoodiano explicado e mastigado para o público, quero ver saber lidar com 2049, e seu enigma não solucionado. Durma com esse barulho e muito cuidado com o que desejam. Minha nota: 10!

 


DICAS NETFLIX

O Que Esperar Quando Você Está Esperando

(What to Expect When You’re Expecting)

Uma comédia romântica que mostra de uma diferente perspectiva o amor de cinco casais conectados, os quais estão experimentando as alegrias e surpresas de ter um bebê. Além disso, o filme vai por uma linha mais trágica para mostrar que nem tudo são flores, revelando a verdade universal de que não importa o quanto você planeje, a vida nem sempre é o que você espera. “O Que Esperar” é uma comédia cheia de vida, com momentos sombrios o suficiente para dar a impressão de que o filme realmente tem algo a dizer. Minha nota 6,5!

 

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