Hery Tapajós – O músico conhecido como Patativa da Amazônia

Cantor e compositor fez muito sucesso nos áureos tempos dos garimpos do Tapajós

Nossa reportagem recebeu uma das figuras mais talentosas do cenário artístico de Santarém,  tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a arte e a vida de Hery Tapajós, o Patativa da Amazônia. Hery nasceu em Santarém no ano de 1951, e para quem viveu o período dos anos 70 e 80, sabe ou lembra do icônico Hery Tapajós. Mas têm aqueles jovens que não o acompanharam ou nunca ouviram falar desse artista. Hery Tapajós foi um dos artistas santarenos que brilhou fazendo shows por todos os cantos, principalmente na época do garimpo, período em que a prática garimpeira era muito forte em nossa região. Partiu para outros estados, sempre fazendo sucesso por onde passava. Tudo começou muito cedo com poucos anos de idade.

Hery Tapajós lembra que começou sua vida artística aos 11 anos de idade, pegava o violão, e reconhece que de fato tinha tendência para isso. Seu pai comprou um arcodeon, que era praticamente maior que ele. Morou em Manaus por vários anos, onde teve a oportunidade de partir para o disco. Foi para Belém gravar, também para o Rio de Janeiro, no estúdio Savóia em Copacabana. Hery é um verdadeiro amante da música, que segundo ele, corre em suas veias, está em seu sangue, é o que melhor sabe fazer e gosta de fazer, se sente muito bem.

Seu estilo sempre foi marcante e podemos até dizer que não foi o artista Pablo quem lançou o estilo “sofrência” e sim Hery Tapajós, por suas músicas e o modo como interpretava as canções. Hery Tapajós enfaticamente diz que em seus shows sempre falava e ainda fala a seguinte frase: “Hery Tapajós é dono de um mercedão, de uma carreta carregada de paixão”. Sempre carregado de sentimentos, sempre incorporou em suas canções, “quem nunca teve sentimentos por alguém?”. Então, é o estilo adotado por ele. Em seus shows sempre canta algumas músicas da terra, como carimbó, nessa hora a moçada sempre se agita, mas a sofrência a dois, sempre foi seu carro-chefe.

Gravou seu primeiro disco em outubro de 1979, época em que lançou seu primeiro compacto duplo, que tinha sucessos como “Marina”, “Bem que disse a você” e “A sorte não é para todos”. Nessa época o rádio era muito mais ouvido, havia pouca influência da televisão, pois a mesma chegou em Santarém por volta de 1979. Hery Tapajós faz um pedido aos radialistas e profissionais da imprensa local, que deem mais valor aos artistas da terra, para os músicos e cantores daqui. “Também ao nosso poder público, que em todas as festas que fizerem, contratem essa galera talentosa de Santarém, para estarmos juntos”, declarou.

Falando da época do garimpo, grandes artistas de renome nacional vinham cantar aqui na região, pois corria muito dinheiro e ouro, Hery certamente aproveitou esse tempo e teve a oportunidade de encontrar muitos desses artistas. “Quando chegava em Marupá o Adelson Moura estava saindo. Quando chegava no Cripuri e Porto Rico, o Amado Batista ia saindo e, também, chegando Bartô Galeno, Borba de Paula, Sula Miranda, Márcia Ferreira e tantos outros. A gente se cruzava direto. Isso no auge do garimpo. Nossos cachês recebíamos em ouro, cordões, anéis e pepitas”, disse Tapajós. Inclusive, na capa de um de seus discos, Hery Tapajós aparece com um cordão imponente e uma pulseira de ouro.

Hery Tapajós responde quando interrogado sobre a questão do “Patativa da Amazônia”. “Eu sou amazônida, nasci aqui na região amazônica e por conta disso veio esse slogan. Na verdade, criamos no estúdio ‘Hery Tapajós – O Patativa da Amazônia’. Achei bonito e estamos adotando até hoje”, revelou. Hery fez seis LP’s e atualmente está no sétimo CD, está com o projeto todo organizado para lançar o CD no primeiro semestre de 2018, feito com muito carinho, e garante que esse novo CD vai marcar eternamente, “A sorte não é para todos”.

PARTE RELIGIOSA: Hery Tapajós é muito religioso, e ao perguntarmos sobre um pedido feito por ele, para fazer a interpretação de uma música de sua autoria em homenagem à padroeira dos santarenos “Maria, mãe de luz”, ele respondeu: “Uma homenagem a nossa mãezinha, rainha do céu. Eu tenho essa música e uma grande vontade de cantar. Espero que aconteça na chegada do Círio, isso ao término da missa, se Deus quiser, e prestar uma grande homenagem com muito amor e carinho à virgem da Conceição. Seria um pagamento de promessa. Estou aqui até hoje, graças a Deus, mas tive problemas seríssimos de saúde, mas hoje estou bem. Estou com uma certa idade, e sempre que aparece algumas coisinhas, eu me pego muito com Nossa Senhora e com meu Deus todo poderoso”, informou.

Não podíamos deixar de falar de outros afazeres. Mesmo com todo sucesso, Hery Tapajós nunca largou a borracharia localizada na Rui Barbosa, e que hoje é administrada por seu filho. “Hoje estou aposentado, mas não tenho vergonha de dizer ou falar da boarracharia, porque se tivesse de voltar ao batente, eu voltaria, porque é de lá que vem o pão de cada dia, graças a Deus”, finalizou Hery Tapajós, o Patativa da Amazônia.

Por: Allan Patrick

Fonte: RG 15/O Impacto

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