Crime ambiental praticado à luz do dia no porto da Vila Arigó

Imagem mostra uma das balsas descarregando calcário, que se espalhou pelo local

Nossa reportagem flagrou um grave crime ambiental e um atentado contra a saúde pública que aconteceu no Porto da Vila Arigó, em Santarém. Imagens mostram duas balsas que atracaram no sábado, no porto, através do rebocador Magnífico, cheias de calcário, que foi descarregado sem qualquer aparato de segurança, tanto para os trabalhadores que estavam descarregando quando para as famílias que moram às proximidades do local.

Segundo informações de um morador, a duas balsas começaram a descarregar o calcário, que é um produto prejudicial à saúde humana, pela parte da noite de sábado e o serviço continuou até a tarde de domingo, sendo que nesse dia o vento estava muito forte e o produto se espalhou por vários quilômetros, entrando nas residências das famílias, causando mal estar e prejuízos, pois as casas ficaram completamente sujas com o produto.

Os moradores ficaram revoltados, pois a ventania forte fez com que o calcário invadisse as residências na hora do almoço. Muita gente teve de sair de suas casas para almoçar em restaurantes. Isso sem falar nas crianças e idosas que inalaram esse produto, passaram mal e tiveram de ser levadas para o Pronto Socorro Municipal.

“Isso é um crime contra a saúde humana praticado à luz do dia e nenhuma autoridade esteve aqui para punir essa empresa e as pessoas responsáveis pelo descarregamento desse produto. Cadê a Secretaria de Meio Ambiente que não esteve aqui para impedir esse crime ambiental? Não quero acusar nenhuma autoridade, pois as pessoas que vieram fazer esse serviço, estavam sabendo do crime que praticavam, já que esperaram a noite de sábado e o domingo para descarregar esse produto. Mas a Semma deve entrar em ação e ir atrás dessas pessoas, que causaram um grande prejuízo ao bairro e às famílias, que até agora não conseguiram limpar suas residências e muitas pessoas ainda estão passando mal. Isso é um desrespeito contra o ser humano”, assim se manifestou o morador Paulo Sérgio, que nos forneceu as imagens e vídeos desse crime ambiental praticado em Santarém.

RISCOS À SAÚDE: A fumaça branca carrega o ar com o pó de calcário e prejudica a saúde de quem vive por perto. De acordo com informações de uma médica pneumologista, o pó de calcário pode acarretar doença intersticial, mais conhecida por fibrose pulmonar, e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Ambas são doenças graves e extremamente incapacitantes, ocasionando grande queda na qualidade de vida das pessoas. A inalação dessas partículas também pode levar ao desenvolvimento de câncer de pulmão. Além disso, a simples exposição da população pode piorar muito os quadros de asma e alergia respiratória de maneira geral, levando a exacerbações e favorecendo as infecções pulmonares.

FIQUE POR DENTRO: O calcário é uma rocha sedimentar feita principalmente de carbonato de cálcio, o qual é representado pela fórmula química CaCO3. O calcário corresponde a aproximadamente 10% de todas as rochas sedimentares no planeta. Devido às muitas formas que pode ser produzido, existem vários tipos de calcário. Uma delas é o giz, criado a partir dos esqueletos de pequenas criaturas marinhas. O giz é uma rocha porosa melhor representada pelas conhecidas falésias de Dover. Outro exemplo de calcário produzido bioquimicamente são os recifes de corais criados a partir dos restos de esqueletos de invertebrados. Como erodem facilmente, a maioria dos sistemas de cavernas é encontrada em calcário. As estalactites e estalagmites em cavernas são essencialmente feitas de calcário inorgânico.

O processo de adicionar calcário à água para neutralizá-la é conhecido como “calagem”. Quando acrescentado a lagoas e lagos, tem o efeito de adicionar cálcio e evitar que a água se torne muito ácida. O benefício do calcário nessa situação é restaurar e ajudar a manter a ecologia da água e fazer com que possa existir a vida aquática. Também é um método barato de desacelerar a acidificação. Os cientistas têm usado a calagem para recuperar lagos e córregos mortos após terem sofrido ataques devastadores de chuva ácida. Embora não seja uma solução permanente para o problema de pH elevado, a calagem ajuda a evitar os danos causados pela chuva ácida. O calcário tem ajudado a restaurar lagos nos quais a vida já havia sido extinta pela acidificação.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *