Delegado Rilmar Firmino comanda Encontro Nacional da Polícia em Santarém

Santarém é pela primeira vez o cenário do Encontro Nacional de Chefes de Polícia Civil. O evento conta com a participação de delegados gerais de todo o Brasil e a presença do Secretário Nacional de Segurança Pública, Carlos Alberto dos Santos Cruz. Para falar desse evento e sobre outros temas, conversamos com Delegado Geral da Polícia Civil do Pará, Rilmar Firmino e com o presidente do Conselho Nacional de Chefes de Polícia, delegado Eric Ceba.

Jornal O Impacto: Delegado Rilmar Firmino, qual a importância para Santarém e o Pará da realização de um evento dessa magnitude?

Rilmar Firmino: Primeiramente, por se tratar de uma das cidades mais antigas e também uma das importantes da Amazônia, e por se tratar da Amazônia como um todo, a questão da segurança pública hoje não tem divisas e muito menos fronteiras e essa reunião que é a 49ª, cada vez mais aumenta o intercâmbio entre as polícias judiciárias, que é importantíssimo e necessário, até porque sabemos que a bandidagem de hoje não tem fronteiras e nem divisas e o intercâmbio deles é muito grande. Nós chefes de Polícias Judiciais dos estados, temos a obrigação de juntos combater o crime como um todo. Não adianta especular ou achar algo se baseando em estatísticas, porque o Estado “A” hoje está em primeiro, o Estado “B” está em segundo ou terceiro, pois com toda certeza a política de segurança pública foi implantada no Brasil, o Pará será o primeiro amanhã, Rio Grande do Norte será o terceiro, Distrito Federal será o quarto, nós ficaremos só contando posições e achando que 62 mil mortos em um País, dependendo da localização, o Estado está bem ou está mal. Na verdade, o Brasil está mal, 62 mil mortes no ano de 2016 é o reflexo da violência e o aumento da criminalidade e aqui na Amazônia podemos dizer que temos uma situação diferenciada, a Amazônia faz fronteira com a Colômbia, o Peru e a Bolívia, são exatamente os três maiores produtores de cocaína do mundo. Aqui, é uma rota do tráfico, isso é fato; para se ter uma ideia, agora no primeiro semestre nós acompanhamos uma carga de drogas, quase meia tonelada, que saiu de Letícia, na Colômbia, entrou por Tabatinga, chegou até Belém, sem nenhuma parada, até porque o ponto de parada obrigatória que nós tínhamos era a Base Candirú no estreito de Óbidos, que inclusive foi desativada desde 2009. Como a União vai combater o tráfico de entorpecentes e o tráfico de armas, que são duas molas propulsoras da violência e da criminalidade, sem ter fiscalização? Se você pegar as rodovias federais, saindo de Santarém até Guarantã do Norte, vai ter só um posto da Polícia Rodoviária Federal que é a da Serra do Piquiatuba. Então, é brincadeira tratar a segurança pública da forma que é tratada. Nós temos 17 deputados estaduais, temos três senadores e um Ministro de Estado, isso é um descaso com a Amazônia, é um descaso com o estado do Pará.

Jornal O Impacto: O senhor está prestes a completar mais um ano à frente da Delegacia Geral, qual avaliação que o senhor pode fazer sobre os trabalhos desenvolvidos em 2017?

Rilmar Firmino: Nossa equipe está há sete anos no comando da Polícia Civil. Eu digo que é uma equipe, não é o delegado Rilmar. Eu passei dois anos como Delegado Adjunto, estou hoje no quinto ano como Delegado Geral da Polícia e os algozes foram muitos nesses sete anos. Graças à sensibilidade e ao respeito que o Governador do Estado tem para com a Polícia Civil e o sistema de segurança pública. Ao longo desse sete anos nós construímos 60 Unidades Integradas, reformamos 70 Delegacias, nós conseguimos fazer em menos de quatro anos dois concursos públicos com ingresso de mil policiais. A partir do próximo dia 30 nós estaremos formando 500 policiais civis e na quinta-feira (09), nós iniciamos o curso de formação para 150 delegados da Polícia Civil. No total nós incorporamos ao nosso efetivo mais 650 policiais. Então, nosso efetivo hoje gira em torno de três mil, sendo que um mil policiais terão menos de quatro anos na ativa. Isso é muito bom, pois trata-se de uma renovação e reestruturação da Polícia Civil. No que diz respeito a equipamentos e armamentos, nós não temos o que reclamar. Sobre a capacitação, nós conseguimos no primeiro semestre, implantar a Academia Itinerante, onde tivemos a oportunidade de percorrer todas as Regionais, capacitando nossos polícias. Na verdade, é a disciplina do dia a dia, armamento, munição e tiro, investigação policial; isso foi muito importante sendo que o reflexo se tem na prática. Estamos há sete anos sem um acidente com arma de fogo na Polícia Civil; o efetivo que nós temos, a quantidade de armas que possuímos e não termos acidente ou incidentes com armas de fogo, isso se chama prevenção.

Jornal O Impacto: Com relação aos concursados, qual a previsão para assumirem os cargos?

Rilmar Firmino: Veja só, a partir do dia 30 termina o curso de formação, dia 06 de dezembro é a festa e solenidade de formatura e a partir do dia 10 de dezembro será homologado o concurso. A partir daí fica a cargo do Governador, pois sempre tem sido feito de forma automática, entre o término do curso de formação e o período da nomeação, é só o prazo legal da homologação do concurso. Tem sido feito assim e tenho certeza não vai ser diferente.

Jornal O Impacto: Com relação à operação que investiga as mortes no Sudeste paraense. O que pode ser revelado sobre as motivações, haja a vista que na última operação foi presa a mãe do atual prefeito de Tucuruí, suspeita de ser a principal mandante do crime, o que o senhor tem a dizer sobre isso?

Rilmar Firmino: Tanto no município de Goianésia, quando o prefeito Russo foi morto, quanto em Breu Branco, quando o Diego Alemão foi morto e também o prefeito de Tucuruí, Jonny Williams, em todas as três investigações nós chegamos a um resultado satisfatório; tanto que o pessoal que cometeu o crime contra o prefeito Russo está preso; sobre Breu Branco, todos estão presos, tanto o mandante quanto o pistoleiro e o intermediário; também nós já temos boa parte da investigação avançada sobre o crime de Tucuruí, sendo que na semana passada deflagramos a operação onde foram cumpridos 5 mandatos de prisão temporária, 12 mandados de busca e apreensão e 8 mandados de condução coercitiva. Então fizemos algumas apreensões em residências, alguns materiais serão submetidos à perícia, em breve nós chegaremos à conclusão final do inquérito da morte do prefeito Jonny Williams. Finalizou Rilmar.

O presidente do Conselho Nacional de Chefes de Polícia, delegado Eric Ceba, também concedeu entrevista à nossa reportagem, onde fala sobre o evento que aconteceu em Santarém. Acompanhe:

Jornal O Impacto: Delegado, como se deu a escolha de Santarém para sediar esse encontro?

Eric Ceba: Na verdade, as deliberações do Conselho são feitas a cada reunião e na última reunião houve a proposta, por entendermos a importância da região Norte no contexto da segurança do Brasil e da Polícia Civil do estado do Pará, a projeção que ela tem tido. Nós achamos que seria muito importante, seria um marco no momento em que toda população pede uma melhoria de segurança, uma política efetiva de Segurança Pública, uma política que traga resultados e paz para a população. Então, nós entendemos que aqui reuniria todas as condições, uma Polícia que tem apresentado bons resultados, uma região que é considerada o pulmão do mundo. Não só os crimes contra as pessoas, contra o patrimônio, mas também os crimes ambientais devem ser olhados. Trata-se também de uma rota do tráfico de drogas, que é o que acaba movimentando a criminalidade pelo Brasil inteiro, de certa forma há uma passagem de armas. Para nós, além de ser muito importante, é um marco essa reunião aqui no estado do Pará e pela beleza da cidade e hospitalidade da população, o povo paraense de uma forma geral é muito receptivo. A última reunião foi no Rio Grande do Sul, nós tivemos a reunião em Porto Alegre e depois tivemos uma outra setorial em Rondônia e, agora essa aqui no estado do Pará e a próxima por questão de logística será no Rio de Janeiro.

Jornal O Impacto: Qual sua avaliação sobre a gestão adotada no Pará pelo delegado Rilmar Firmino?

Eric Ceba: É importante frisar que o Doutor Firmino é o segundo chefe de Polícia mais antigo do Brasil. Então, ninguém consegue alcançar uma longevidade dessa se não tiver um envolvimento e comprometimento com a política de segurança, com sua instituição e sua população. O Pará tem levado boas práticas, é um modelo de gestão muito importante e é a interação que nós temos feito; o Pará tem servido de referência para outras polícias no Brasil, no sentido de boas práticas, práticas modernas e valorização de servidor, pela preocupação com a coisa pública, com a própria população. É uma referência pra gente.

Jornal O Impacto: Como o senhor vê a situação do Rio de Janeiro, você acha que essa situação pode se espalhar para o País?

Eric Ceba: Veja só, a situação do Rio de Janeiro é preocupante, é uma densidade demográfica muito grande em um espaço muito pequeno e isso acaba provocando uma pressão. Isso a gente vive em Brasília (Distrito Federal), o aumento de uma população de forma desordenada e acaba que as políticas públicas não conseguem acompanhar. Isso é preocupante, mas eu entendo que é controlável, basta que se faça uma política séria e efetiva de segurança pública e mais do que isso, acabar com o sentimento de impunidade no Brasil. A Lei existe, fala-se muito toda vez que acontece uma morte ou um crime bárbaro, todo mundo diz: “Vamos mudar a lei, os políticos vão para o congresso, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo”, tudo é pura pirotecnia. Na verdade, o que se precisa é aplicar a Lei com mais rigor, na essência do que ela foi para aqueles que ainda querem se ressocializar e se recuperar, para aqueles que não querem, cadeia. Espalhar para o resto do Brasil é de fato uma preocupação, principalmente pelo crime organizado, mas o combate é pela Polícia Civil e pela Polícia Federal, colocando esses camaradas na cadeia, desapropriando esses criminosos, tirando esses patrimônios que esses criminoso conquistam com o crime.

Jornal O Impacto: O Ministro da Justiça fez sérias declarações com relação à associação entre o crime organizado e o poder público no Rio de Janeiro. No seu ponto de vista, o que levaria o Ministro a fazer esse tipo de declaração?

Eric Ceba: Talvez ele tenha verbalizado aquilo que todo mundo sabe e não tem coragem de falar, a verdade é essa. Eu costumo dizer o seguinte: eu tenho 33 anos de Polícia,o aparelho policial do Estado tem de ser respeitado, se não for respeitado tem de ser temido, então, ele deixa de ser respeitado e temido quando um agente público desce ao nível do criminoso, e aí nós começamos a ver mortes de policiais e outros tipos de ações que vêm contra o Estado. Eu dei uma nota 10 para o Ministro e não restrinjo só para o Rio de Janeiro e sim para o Brasil inteiro. Todos os maus policiais e agentes públicos comprometem a estrutura do Estado, e deveriam ser punidos e estar na cadeia, mais ainda do que próprio bandido. A verdade é essa!

Por: Edmundo Baía Junior

Fonte: RG 15/O Impacto

 

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