Jackson Matos: “Futuro da Ufopa está em jogo na próxima reitoria”

Professor e presidente do Sindufopa faz uma análise das eleições à Reitoria da Universidade

O clima de indecisão entre os envolvidos direta e indiretamente nas eleições à reitoria da UFOPA, tem dividido opniões em toda sociedade santarena. Cinco chapas foram inscritas e para falar sobre esse assuntos, conversamos com o professor Jackson Rêgo Matos, que também é presidente do SINDUFOPA (Sindicato dos Professores da Ufopa), que envolve os docentes da UFOPA, tendo em vista que estamos a poucas semanas das eleições e a TV Impacto e Jornal O Impacto vêm ouvindo as propostas dos candidatos.

Ao ser questionado sobre o desempenho do Sindicato neste pleito, professor Jackson Matos respondeu: “Nós temos acompanhado bastante todo esse processo, e a perspectiva do SINDUFOPA é garantir que haja as eleições dentro de uma processo normal e educativo para todos nós da cidade, para democracia. Essa será a segunda eleição que vamos ter na UFOPA, pois trata-se de uma Universidade nova no Brasil, no interior da Amazônia e, como todas as situações públicas, nós temos de ter um carinho especial a essa questão, que é a democracia interna. Nesse processo tivemos um reitor pro tempore, que foi o professor Seixas Lourenço, sendo que no final do mandato dele, houve eleição para nova reitoria e vice. Foi um processo bem acirrado entre a professora Raimunda Monteiro junto ao professor Anselmo Colares versus o professor Aldo Queiroz e a professora Kátia, que eram inclusive apoiados por Seixas Lourenço. Então, houve a vitória da Raimundinha e Anselmo, porém, só conseguiram com a base da unificação dos dois, pois se tivessem saído separados o Aldo certamente teria ganho. Hoje nós temos um novo quadro, passou-se os quatro anos e agora chega a nova eleição com várias candidaturas. Nós temos cinco candidatos a reitor e cinco vices. Estamos em uma semana decisiva, na eleição, o candidato a reitor e vice. Depois eles escolhem o terceiro nome e, posteriormente vai para avaliação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) para indicar um dos três. Mas o acordado na reunião do Conselho é que a chapa vencedora indique o terceiro nome. Sobre o Sindicato que representa os docentes da UFOPA,  primeiramente nós tivemos uma comissão eleitoral feita para fazer a minuta, apresentou no Consu que basicamente referendou as propostas, até uns avanços interessantes que é uma certa paridade entre as categorias. Também há todo um calendário, nós tivemos que até o dia 10 indicar os professores, fizemos nossa assembleia, e tiramos os três titulares e os dois suplentes, que ficou a professora Iracenir, que é a presidente da comissão eleitoral; o professor Everaldo Portela, um veterano nosso que sempre se envolve bastante na questão de política da UFOPA e já participou da comissão passada e o professor José Mafra, a Gabriela e o Bruno. Os três primeiros são os titulares e os dois outros são suplentes. A partir de agora o SINDUFOPA continua acompanhando e monitorando. A gente quer propor debates, para ouvirmos as propostas de todos os candidatos e também acompanhar, mesmo que os lados sejam imparciais, sempre que puder assessorar um pouco nas questões democráticas. Cada um tem um papel para que realmente as eleições na UFOPA sejam garantidas”, detalhou Jackson Matos.

Perguntamos sobre a situação da UFOPA com relação à sua estrutura e como o Sindicato analisa essa situação, Jackson Matos foi enfático: “A estrutura da UFOPA é um grande nó. Nós tivemos juntamente com a UFOPA outras universidades criadas, a do Marajó, Marabá, na Bahia, etc. A gente vê que de fato a estrutura acadêmica é também uma questão interdisciplinar. A gente realmente tem patinado muito entre as estruturas, nós temos poucas interrelações com a sociedade em si. Tem até um artigo interessante do professor Andrei, que diz que hoje a maior instituição pública federal do Oeste do Pará tem potencial grande, técnicos administrativos, os próprios docentes, nosso alunos, um número de contingente muito grande e não temos uma funcionalidade estrutural, um Restaurante Universitário sem concluir, as lanchonetes fechadas, sem falar que um dos pontos da campanha da professora Raimundinha com o Anselmo era sair do hotel, passou-se quatro anos e a gente continua no hotel. Isso é uma questão complicadíssima, pois é um aluguel extremamente caro, cerca de R$ 480.000,00 por mês, mais R$ 80.000,00 que soma um recurso de sete milhões e meio de reais por ano. Qualquer instituição não pode abrir mão para garantir a sua infraestrutura a médio e a longo prazo. Eu sou santareno, mas venho da UFAM e fui coordenador de extensão do INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), então, essa é a questão de quebrar essa distância, esse muro entre uma instituição que é uma universidade que prepara nossos recursos humanos futuros, precisamos ter um corpo docente sólido e bem preparado. Essa distância do que é ao redor, o mercado, como funciona, toda essa economia, das florestas e dos rios, a gente está distante um pouco disso. A questão da extensão sempre foi levada muita a sério, aqui ainda nota-se assim: ‘ah!, coloca lá alguém para ser da extensão e tal’. Não é como a pesquisa da universidade, que por sinal é mais forte. Então, precisa-se de uma política de extensão séria para atendermos comunidades, como Curuai, Alter do Chão e muitos outros”, declarou.

Perguntamos se o Sindicato apresenta sugestões para todos os candidatos, Jackson Matos respondeu: “O Sindicato não se posiciona, mas cada um dos nosso membros tem a sua preferência. Atualmente são os professor Mário, Amadeu, Maradones – que inclusive é uma figura histórica aqui de Santarém -; eu e algumas outras pessoas que sempre estamos ali próximo. Nossa preocupação é com a universidade pública, gratuita, de qualidade, com condições de trabalho para nossos professores. Nós temos muitos casos com problemas de doenças; hoje para ser professor em um País como o nosso enfrentamos muitos desafios. Eu, por exemplo, trabalho com unidade de conservação, preciso levar meus alunos para o campo; eu trabalho com pesquisa e preciso estar em campo com pesquisas o tempo todo; um conhecimento tradicional que é uma coisa difícil de lidar com pessoas simples, que detêm conhecimentos extremamente elevados. Adquirir esse diálogo requer todo um cuidado, então, para levar alunos para o campo, – às vezes são 30, 40, 60, 80 alunos por semestre, para fora do Tapajós, para a Resex Tapajós Arapiuns ou para Monte Alegre ou até para Alter do Chão -, é uma dificuldade burocrática muito grande. Parece que é para não acontecer as aulas práticas em uma região como a nossa, que a floresta amazônica é a nossa grande oportunidade. Nós temos que privilegiar essa atividades. Então, precisa-se que um reitor atente para isso, que até agora não conseguimos ter essa visão”, informou.

“Eu participei de muitas eleições, eu trabalhei 22 anos na UFAM, passei por quatro ou cinco eleições para reitor, e sempre foi um momento de muito crescimento e compromisso, com discussões e debates. Esse é o compromisso da UFOPA, com a instituição pública. Esse lado de a gente ter o ensino e a pesquisa de extensão, dando condições para as pessoas conversarem, trocarem ideias, nós estamos em um momento decisivo e o que está em jogo é o futuro da UFOPA. Então, um arranjo ou alianças, a gente pode ter uma eleição extremamente exemplar e melhor para UFOPA. Acredito que nessa semana tudo é possível, nós tínhamos até dias atrás um quadro em que o professor Anselmo era candidato a reitor e o Thiago como vice, eles racharam, foi uma situação complicada e agora há um novo arranjo, o Anselmo continua candidato a Reitor, também o Thiago vai ser candidato. Tem o Valdomiro, o Jarsen e o Hugo. Agora é o momento de maturidade. Eu acho que tudo é possível”, finalizou o professor Jackson Matos.

CANDIDATOS: A Comissão Eleitoral de Consulta (CEC) publicou no dia 1º de novembro, a homologação definitiva das cinco chapas que irão concorrer às eleições para o cargo de reitor e vice-reitor da Ufopa.

A partir de agora os candidatos estão aptos a seguir para as próximas etapas do pleito, cujo período de campanha foi estabelecido de 06 de novembro a 04 de dezembro. A consulta a toda a comunidade universitária (docentes, técnicos e discentes) acontece no dia 5 de dezembro. O resultado final do pleito será publicado dia 15 de dezembro.

Também foi publicado o regimento que institui reuniões ordinárias e extraordinárias da CEC. Foi publicado, ainda, comunicado para inscrição de representantes de chapas junto à Comissão Eleitoral.

A Comissão Eleitoral de Consulta, consoante às atribuições conferidas pela Portaria nº 555 de 11 de outubro de 2017 e Resolução nº 219, de 28 de setembro de 2017, divulgou o resultado final da homologação das seguintes chapas que concorrerão à Reitoria e Vice-Reitoria da UFOPA (ordem de inscrição): Chapa 01: “Novos Rumos” – Hugo Alex Carneiro Diniz (Reitor) e Aldenize Ruela Xavier (Vice-Reitora). Chapa 02: “Ufopa em Ação” – Jarsen Luís Castro Guimarães (Reitor) e Celson Pantoja Lima (Vice-Reitor). Chapa 03: “Por uma Ufopa Compartilhada#” – Raimundo Valdomiro de Sousa (Reitor) e Deam James Azevedo da Silva (Vice-Reitor). Chapa 04: “Somos UFOPA” – Anselmo Alencar Colares (Reitor) e Waldiney Pires de Moraes (Vice-Reitor). Chapa 05: “Inovar para Avançar” – Thiago Almeida Vieira (Reitor) e Izaura Cristina Nunes Pereira Costa (Vice-Reitora).

Por: Allan Patrick

Fonte: RG 15/O Impacto

 

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