Artigo – Trânsito sem controle e a imprudência que mata

Por: Edmundo Baía Júnior*

Passado mais um ano, e o que observamos são os números alarmantes dos acidentes de trânsito. A epidemia que corroí e ceifa vidas de forma brusca, não tem a devida atenção daqueles que deveriam zelar pela vida humana, a começar pelos próprios integrantes do trânsito.

Talvez, a nossa perplexidade, que rapidamente se transforma em passividade, é resultado de olharmos as estatísticas apenas como números, quando na verdade revelam avós, pais e filhos que tiveram a vida e sonhos interrompidos, seja pela morte ou pelo fato de ter ficado com algum tipo de problema físico, após ter amargado meses internado em um leito hospitalar.

Em Santarém, o trânsito que padece pela falta de fiscalização efetiva, e pela imprudência colossal, tem como reflexo a ocupação de aproximadamente 60% dos leitos do Hospital Municipal e Hospital Regional, por vítimas de acidentes envolvendo veículos, em sua grande maioria motocicletas.

Ao percorrer as ruas da Pérola do Tapajós, é fácil perceber a verdade apontada em pesquisas e estudos, que afirmam que 90% dos acidentes acontecem pela falta de atenção e imprudência dos condutores. São vários os exemplos, mais em 2017, chamou a atenção os diversos sinistros que aconteceram na rotatória que fica localizada em frente ao Residencial Salvação, na avenida Fernando Guilhon.

No cruzamento da Avenida Moaçara com a BR-163, pelo menos três pessoas perderam a vida pela negligência, falta de atenção e imprudência ao passarem pelo trecho. No último, ficou comprovado que a vítima perdeu a vida de forma trágica, devido à precipitação de outro condutor.

Dentre alguns atos de imprudência que são observados diariamente estão: pedestres que atravessam as ruas sem olhar para os lados; ciclistas que andam lado a lado invadindo as pistas centrais das ruas e rodovias; motociclistas que fazem ultrapassagens arriscadas e trafegam praticamente colados ao veículo de sua frente; condutores de veículos que não respeitam sinais de trânsito e nem faixas de pedestres; outros que ligam aparelhos de som a todo volume e saem cortando a frente de todos só para mostrarem que têm uma “máquina potente”; outros que atendem ao seu celular bem tranquilos somente com uma mão no volante, outros freiam o veículo bruscamente para olhar mensagens.

PRIORIDADE: Tudo isso é assistido de forma passiva pelas autoridades constituídas. Vejamos no caso da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT), que mesmo com um número reduzido de Agentes de Fiscalização, prioriza a autuação de condutores no Aeroporto de Santarém, que fica há vários quilômetros do centro, e deixa acontecer o caos, por exemplo, nas imediações do Mercadão 2000.

Outro exemplo, que para nós não existe qualquer justificativa plausível, pois estamos falando de vidas humanas, é o fato de não ter-se restabelecido o convênio com a Polícia Militar, para funcionamento do Ptran. Não é aceitável que se eleja o possível alto custo, em detrimento das centenas de famílias que perderam entes queridos, na tragédia que se tornou nosso trânsito, que afirmamos, é municipalizado.

Ressaltamos, que essas incoerências não são de hoje. Na gestão do ex-prefeito Alexandre Von, ficou marcado, além da interrupção equivocada do convênio com a Polícia Militar que possibilitava reforço na fiscalização por meio do Ptran, a prioridade para pintar sarjetas, em vez de faixa de pedestres.

Pelo lado dos condutores e pedestres, é necessária a conscientização de que somos nós que fazemos um trânsito seguro para todos. Andar na contramão mesmo que seja por alguns metros, atravessar o sinal vermelho, não parar diante de via preferencial, andar nos corredores entre veículos, pode sim causar acidentes.

De acordo com Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), em 2016, no estado do Pará, dos quase 2 milhões de veículos em circulação, aproximadamente cinquenta por cento eram motocicletas. Ainda segundo a entidade, em 2015, das mais de mil mortes que foram registradas no trânsito, 505 foram vítimas fatais que estavam em motocicletas; 405 foram eram pedestres.

Conforme estudo recente, o Brasil é apontado como o segundo país do mundo em mortes em acidentes de motocicletas. Nos últimos 15 anos a taxa de mortalidade aumentou 846%, enquanto a de carros, por exemplo, foi de 58%.

A falta de consciência do motorista, além de aumentar as estatísticas de mortes e acidentes no trânsito, traz também prejuízo aos cofres públicos. Segundo o Ministério da Saúde, um paciente que fica internado 6 meses em um hospital pode custar mais de 300 mil reais.

Diante destes números, aproveitamos para realizar um apelo, especialmente aos nossos vereadores, que cobrem com mais coesão uma melhor estrutura para atuação do órgão de trânsito, com orçamento capaz de contribuir com ações efetivas para redução dos acidentes.  Outra possibilidade é a constituição de uma Lei que obrigue como disciplina do ensino fundamental da rede municipal, a Educação para o Trânsito.

O conhecimento das condutas obrigatórias e respeitos às leis e regras de trânsito desde tenra idade, são fundamentais para que tenhamos um quadro diferente, somadas é claro pela efetiva fiscalização, sinalização e boa estrutura viária.

*Repórter de O Impacto, bacharel em Administração de Empresas.

 

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