A intervenção, os tokens, as agendas, as eleições e um certo candidato ao Senado

O título desta manifestação me remete ao ano de 1989. Nesse período, a organização social brasileira era intensa. Os movimentos sociais e as entidades de classe mobilizavam-se. No cinema, assisti a um filme que nunca mais esqueci “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante”, de Peter Greenaway.

                               No filme, um gangster grosseiro, mal educado, extravagante, entre outras adjetivações, janta todas as noites num luxuoso restaurante, acompanhado de seus fieis capangas e de sua esposa, onde formula e concretiza as suas ações ilícitas.

                               Sua esposa, cansada da opressão, violência e grosseria encontra a felicidade com um amante, adepto de boas leituras, que a apresenta obras literárias, o qual é barbaramente torturado e assassinado, após ser forçado a engolir páginas e páginas de livros, quando descoberta a infidelidade.

                               Ao final, a esposa, abalada, se vinga do facínora forçando-o a degustar partes do corpo do amante, previamente assado no forno do restaurante preferido do gangster.

                               Muito bem, o enredo do filme foi a fonte de inspiração para esse texto, tendo em conta a diversidade de personagens ou de temas a serem tratados nesse momento.

                               Nós temos uma entidade representativa da sociedade civil que vem sendo grosseiramente agredida cotidianamente por alguém que nem vale a pena nos referirmos, mas quem o conhece e com ele conviveu sabe o quão é grosseiro, mal educado, opressor etc etc etc. Essa folha é demasiadamente pequena para caber tantas adjetivações. Mas ele acha que é “soberano”.

                               É necessário, entretanto, tratar de várias questões para fazê-lo baixar a sua bola.

                               Primeiramente, ele entrou para a história da advocacia brasileira como o primeiro Presidente a ser afastado da OAB/PA. Isso é induvidoso. Nunca havia ocorrido. E porque isso ocorreu. Pela forma autoritária, inconsequente, bárbara, violenta como “geria” a nossa Seccional, igual ao personagem do filme referido aqui. Sua insanidade o levou a tentar vender um patrimônio integrado ao sistema OAB: um terreno no Município de Altamira, para um Conselheiro, seu assecla, seu aliado. Isso foi noticiado em todo o mundo, via redes sociais etc etc etc. Houve, ainda, vários outros incidentes em sua gestão. Mas o mais relevante foi a intervenção. E nesse momento vimos o quão pequeno era o outrora todo poderoso, que procurava os mais humildes advogados para apoiá-lo, já que as grandes bancas o tratavam como um leproso. Um fato que nunca me saiu da lembrança, no entanto, foi ver a sala da Presidência cheia de “capangas”, lutadores de academias, não sei para qual finalidade. Como se nós não tivéssemos a capacidade de resolver as nossas diferenças. Aliás, isso é recorrente em sua postura. Quem participou das últimas eleições da ATEP presenciou seguranças, na Praça Brasil, em apoio ao candidato do “afetadinho”.

                               Após o período de intervenção, eis que surgiram em nosso Estado inúmeras novidades, sejam pessoais, sejam institucionais. A mais relevante, penso, foi a parceria estabelecida entre a OAB/PA e a OAB/RJ, negada por covardia, resultando na aquisição subsidiada dos tokens, essenciais ferramentas para a utilização do PJE. O então presidente da OAB/RJ, o atual Deputado Federal pelo PT/RJ, Wady Damous, era figura carimbada em nosso Estado e em nossa Seccional. E, reconhecidamente, ajudou em muito aos advogados paraenses, com a sua influência e com apoio financeiro. Disso todos que acompanham a política institucional na OAB/PA sabem. E não adianta tentar escamotear.

                               Hoje, temos uma outra parceria estabelecida com a OAB/RJ: a confecção de agendas para os advogados paraenses. E o “coisa ruim” vem a público tentar atribuir uma imoralidade a tal conduta. Ora, meu senhor, imoralidade foi tentar vender um patrimônio da entidade, faça-me o favor. Nada há de irregular. Aliás, pare de travar as questões inerentes à OAB/PA em Brasília.

                               Por derradeiro, chamo a atenção que isso tudo decorre de uma estratégia político-eleitoral. Todos sabem que algum mosquito o picou e ele acha que pode se eleger Senador. E para que tal candidatura consiga decolar é necessário falar dele, seja bem, ou seja mal, mas falar é essencial. E isso todos devemos enxergar. Aliás, é bom que todos enxerguem que os interesses da OAB/PA não podem corresponder aos de partidos políticos, aos interesses pessoais de famílias. Enfim, a OAB deve refletir os anseios dos seus advogados. Sejam eles de quaisquer orientações políticas e ideológicas.

                               Escrachar o bom nome da OAB, de sua direção é um desserviço. E as urnas, tanto as da OAB, quanto às das eleições gerais, que se avizinham, dirão quem tem razão. E quem sabe o destino de nosso desalmado personagem seja o mesmo do vilão do filme referido. E que o mal seja repelido veementemente.

                               Feliz 2018 aos advogados e à sociedade e aos que não tem medo de “coisa ruim”.

Por: Antônio Toral

Fonte: RG 15/O Impacto

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