Natalino Sousa – Um dos ícones do rádio e televisão em Santarém e região

Radialista e comunicador de sucesso, relata momentos marcantes de sua carreira

Nossa reportagem entrevistou uma das maiores personalidades do rádio e da TV santarena e região Oeste, o consagrado Natalino Sousa, que falou um pouco da sua história marcante na área da comunicação. Natalino está completando 50 anos de atividade no rádio e hoje reside no município de Óbidos, onde desenvolve seu trabalho.

Jornal O Impacto: Natalino, nos conte como tudo começou?

Natalino Sousa: Eu comecei minha vida de microfone, mais precisamente na igreja de São Sebastião. Eu era responsável em ligar a mesa de som, colocar o microfone ao lado do altar e fazia também comentários das missas. Daí, o saudoso Frei Juvenal disse: “Rapaz, surgiu uma vaga na Rádio Educadora!”, que estava com três anos de inaugurada e perguntou se eu queria ir para lá. Eu disse: “Quero, o que eu vou fazer?”. Frei Juvenal afirmou: “você vai ser operador”. Então, minha vida na comunicação começou por aí, praticamente com a Rádio Educadora, que hoje se chama Rádio Rural de Santarém. Continuei trabalhando como operador, nessa época o estúdio era no bairro do Caranazal, e o Anadir Brito era o nosso diretor comercial. Todos os dias ia lá às 11 horas da manhã para deixar aquele material em mãos e em um determinado momento ele chegou e disse: “Natalino, venha cá, o Cláudio Serique adoeceu e não pode vir. Você irá fazer para nós o programa Correspondente Rural”. Eu dei um pulo e disse: “Mas, seu Anadir!”. “Você fala na igreja, você vai falar aqui”. A Rádio Educadora era praticamente uma espécie dos Correios, pois a gente interligava as pessoas do interior com a cidade através da Rádio Educadora. Então, eu fiz o Correspondente Rural e voltei para o meu setor de bolachão. Algum tempo depois, o Ércio Bemerguy que era diretor de programação chegou e disse: “Natalino, você a partir de amanhã vai passar a ser locutor da Rádio, recomendação do Frei Juvenal”. E aí você vai fazer o programa “Parada Social”. Aquilo bateu forte, porque a Rádio Educadora na época era a coqueluche da região, inclusive para entrar e ter uma oportunidade de trabalhar passava por vários testes, era uma grande fila de gente. Eu me recordo que na época era a Rádio Nacional de Brasília e a Rádio Rural de Santarém as mais escutadas aqui em nossa região. Eu acho que me saí bem com o programa, tanto é que eu fiquei por muitos anos naquela de interpretar a pessoa que está dedicando e a pessoa que está recebendo. Haviam frases assim: “Os passarinhos amanheceram cantando hoje com muito mais alegria, sabem por que? Ah!, não sabem não? Porque o aniversariante do dia está colhendo mais um botão de rosas no jardim florido de sua preciosa existência”; “Muitas pessoas estão aqui no estúdio ao meu lado e você não pode nem imaginar quem, mas coloque no seu pensamento os seus amigos, a sua família e vamos cantar os parabéns a você”. E agora o complemento da mensagem é o cantor tal, dedicado exclusivamente ao aniversariante. Em uma determinada data meus país acharam que eu deveria passar uma temporada em Belém, e eu já naquela direção do rádio, gostando do negócio, ao chegar lá em Belém  disse: “Pai, eu vou atrás dessas rádios daqui, pois eu quero trabalhar em rádio”. Então, eu fui na Rádio Marajoara, me ofereci dizendo que queria fazer um teste, agendaram para eu fazer o teste em um determinado dia, fiz o teste e eles disseram para em alguns dias eu passasse para saber o resultado. Enquanto eu esperei a resposta da Rádio Marajoara, eu fui lá no Palácio do Rádio que era na Presidente Vargas, Rádio Clube do Pará (PRC5), aquela faixa linda lá na frente, eu entrei e bati. Eu me recordo agora como se estivesse vendo, o Dr. Lourival Penalber, que inclusive faleceu, era um dos diretores da rádio e ele me recebeu, contei um pouco da minha história para ele. Ele disse: “Rapaz, você tem uma voz boa, venha outro dia aqui para fazer um teste”. Enquanto ele marcou o dia para receber o resultado eu retornei à Marajoara e eles disseram que eu estava aprovado. Para entrar em fase de experiência para ficar na rádio e marcaram para uma semana depois. Nesse meio tempo eu voltei ao Palácio do Rádio, ao chegar lá o Dr. Lourival Penalber disse: “Vá lá no estúdio e procure o senhor Wilson Assunção”, que também faleceu, conhecidíssimo Mucuim, que tomava conta da parte técnica da rádio e coordenava aquela parte. Cheguei e me apresentei, ele disse que para eu ir para o estúdio gravar um piloto, depois falou: “Você já está aprovado no teste, agora quero ver aqui no estúdio”. Então, ele pegou um texto, que nessa época a maioria das coisas eram feitas no texto, me deu um papel e disse: “Leia isso aqui, umas 30 vezes se quiser, quando tiver pronto diga, porque eu vou gravar”. Eu comecei a ensaiar “Sabão Pintax”, a gente escutava aquela propaganda toda hora aqui em Santarém, peguei o texto e li umas três vezes, e disse que poderíamos gravar, e alertei que iria gravar pela primeira vez, e se eu errasse ele daria mais uma chance. Então, ele disse para eu ficar à vontade. Eu peguei o texto e quando eu comecei a ler, na segunda frase, apagou a luz do estúdio. Ficou tudo escuro na sala que estava gravando. O operador, que era ele, tinha energia e aquilo veio como uma estrela: “Tu estás no ar, você não saiu do ar e gravando”. Então, coloquei o papel de lado e disse “Sabão Pintax”, e ele falou: “Está bom”. Me mandou embora, quando ia saindo ele disse: “Volte lá com o Dr. Penalber”. Voltei lá e ele já havia ligado, dizendo: “Deixe o rapaz, que ele vai ficar aqui”. Pelo menos eu acho que foi assim. Uma semana depois eu já estava trabalhando, fazendo exatamente o “Calendário Social”, eu tirei de letra porque eu já estava acostumado. Eu fiquei quatro anos na Rádio Clube do Pará, inclusive na época que eu fazia Rádio Novela. Se eu procurar acredito que eu tenho alguma coisa não gravada, mas escrito de texto de novela que a gente participava, existia o contrarregra que fazia os barulhos de portas e outros efeitos e passei por isso. Graças a Deus, essas experiências valeram e hoje eu posso dizer que só sei fazer isso, informou Natalino.

Jornal O Impacto: Você foi para Belém e depois retornou a Santarém?

Natalino Sousa: Na volta de Belém para Santarém eu já vim para trabalhar, eu fiquei um tempo na Rádio Tropical, que era do saudoso Dr. Ubaldo Correa, que inclusive era muito amigo do meu pai e quando eu voltei de Belém, meu pai foi lá comigo e me apresentou. Então, permaneci na Rádio Tropical por algum tempo. Por qualquer motivo eu sai e voltei para a Rádio Rural de Santarém, já com o Padre Edilberto Sena na direção. Antes, era o Padre Valdir, e fiquei mais um tempo por lá.

Jornal O Impacto: Como foi a sua ida para TV Tapajós?

Natalino Sousa: Minha ida para a TV Tapajós, na época o Paulo César era o diretor comercial, que por algum problema se afastou, não era licença de dois ou três dias. Surgiu o meu nome por indicação que até hoje não sei de quem, e me ligaram para conversar. Eu cheguei lá e me disseram se haveria possibilidade de assumir por um tempo o departamento comercial da Rádio e TV, hoje é separado. Eu tremi na base, porque administração não é o meu forte, nem nunca foi, mas eu aceitei o desafio e como eles sabiam que eu fazia locução também, na época eu era bonito, me disseram que eu iria fazer o Jornal Tapajós. Na época eram dois apresentadores, era a Silvânia e eu. Eu entrei fazendo o Jornal Tapajós e lá fiquei, não sei exatamente por quanto tempo, mas fiquei fazendo o Jornal Tapajós. Depois disso foi o tempo que eu peguei essa concessão da TV, canal 7 que até hoje tem em Santarém, que veio em nome de minha mulher e meu filho Carlos. Eu digo que não estou até hoje lá, porque televisão não é para quem tem experiência, não é para quem gosta de rádio e televisão, é para quem tem dinheiro e infelizmente eu não tinha recurso para manter. Mas eu tive amigos, meu amigo Gervásio que que trabalhou na televisão comigo, praticamente no meu lado, 24 horas, a gente fazia praticamente tudo, reportagens, botava o jornal no ar. Essa foi a época que eu percebi que não dava para manter financeiramente a televisão. Apareceram propostas, que antes já tinha recusado, de dois empresários de televisão. Foi o tempo que apareceu a Igreja da Paz, fizeram uma proposta e eu passei os direitos da televisão para eles, mas ninguém pode vender e até hoje eles estão mantendo-a. Era Rede Manchete, depois ficamos um tempo com a Record, só que a autorização que nós tínhamos era da Rede TV, mesmo assim a gente queria a Manchete que era a mais assistida e depois passamos pela Record na época em que coloquei no ar e hoje Rede TV. Já quando foi entregue que passou de fato para Rede TV, pois haviam os trâmites legais. Então, tinha que ser a imagem da Rede TV e é o que a igreja faz até hoje.

Jornal O Impacto: Logo depois você foi para Óbidos, onde trabalha até hoje. Quanto tempo você está em Óbidos?

Natalino Sousa: Na verdade, a minha segunda família, segunda mulher, que tem sua família toda em Óbidos e a gente sempre ia por lá todos anos; quando não era para o carnaval íamos para festividade de Santana e aí minha sogra adoeceu, era só ela e um outro irmão que moravam em Óbidos, o restante da família morava fora. Aí eu já estava pensando em dar um tempo em Santarém, então, nós fomos para Óbidos para ela cuidar da mãe dela. Pedi uma licença da rádio. Chegamos lá, o Armando Fonseca, da Rádio Atalaia, me levou para lá. Eu não sabia que ele estava jogando uma bomba na minha mão, pois como a Rádio FM foi inaugurada, automaticamente eu imaginei assim, tanto é que eu fiquei um ano e meio lá com ele e resolvi sair. Minha sogra, mais ou menos bem, transferida para Manaus, foi fazer tratamento lá com os outros filhos e a gente estava arrumando as malas para voltar para Santarém; foi aí que apareceu o diretor da Rádio Santana que havia sido inaugurada a pouco mais de um ano, eu tinha levado toda minha estrutura para lá, só deixei a casa por aqui e aceitei ficar mais um pouco e esse pouco já está me dando mais de 14 anos só na Rádio Santana. Essa é a minha vida no rádio e televisão. Faço questão de agradecer a confiança do Sr. Admilton Almeida, que quando eu fui para Óbidos me encarregou de ser o correspondente do Jornal O Impacto, que aliás sou até hoje. Nosso jornal chega lá toda sexta-feira na lancha de meio-dia, nós fazemos a distribuição na sexta-feira à tarde e sábado de manhã, possuímos alguns assinantes. Minha vida no rádio espero em Deus que não termine aqui, vai continuar, finalizou Natalino Sousa.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

3 comentários em “Natalino Sousa – Um dos ícones do rádio e televisão em Santarém e região

  • 13 de abril de 2018 em 02:57
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    Li toda reportagem a este jornal. Voltei aos meados da década de 60 . Por laços de amizade e parentescos você foi em nossa casa em Cabeça D’onca e lembro que a noite você treinava sua fala como radialista. Agora aos 65 anos ainda recordo no rádio seus programas . abraços.

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  • 12 de abril de 2018 em 21:31
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    Que linda história de amor ao rádio motivo que nos enche de orgulho nosso pai natalino sousa faz sua história com honra e maestria fiquei emocionado com a homenagem de o impacto ate mesmo porque nao sabia fe toda a trajetoria e ficava pensando por quê ele é tão respeitado no meio da comunicação

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  • 12 de abril de 2018 em 18:05
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    Ouvi muito Natalino Sousa através da Rádio Rural de Santarém. Saudades. Grande abraço a esse grande profissional do Rádio Santareno.

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