Opinião | Um Lugar Silencioso

Um Lugar Silencioso

(A Quiet Place)

Por: Allan Patrick

Sabe aquela sensação de você ficar tão colado na cadeira do cinema ao ponto de ficar praticamente tenso e hipnotizado em cada cena? Ah meus amigos, bem-vindos ao mundo de “Um Lugar Silencioso”, filme que promete ser a sensação deste ano. Sabemos que para um filme de suspense e terror causar diversos sentimentos, principalmente medo e tensão, exigisse muito de seus produtores, e aqui encontramos além de inovação, algo extremamente assustador, o filme pode ser denominado como um novo gênero do terror, o que tem sido mencionado por diversos críticos do mundo todo como “terror pós-moderno”. Trata-se de filmes que conseguem de fato aterrorizar o espectador sem apelar para aqueles clássicos sustos fáceis e previsíveis, utilizando poucos elementos e uma notória inovação em seu roteiro, a exemplo de filmes como “A Bruxa” e “Ao cair da noite”, que inclusive recomendo.

Nem em meus sonhos mais insanos ou no limite de minha imaginação, achei que um filme com tanto silêncio e tão poucos diálogos pudesse interagir tanto com o público, e de certa forma projetar fortes sensações, como:  angústia, desespero, pavor, sufoco e suadouro. Meu irmão Pedro Henrique que o diga, que me acompanhou durante a sessão. Criando um clima assustador dentro de um contexto pós-apocalíptico, revelando o que se propõe logo nos primeiros minutos; gente pode parecer exagero da minha parte, mas descobri que o silêncio pode ser ainda mais aterrorizante que o grito ou elevação de sons de uma trilha sonora.

A trama se passa em um clima pós-apocalíptico, em uma fazenda no interior dos EUA, uma família é perseguida por entidades sinistras. Para se protegerem, eles devem permanecer em silêncio absoluto, a qualquer custo, pois o perigo é ativado pela percepção do som. O que é essa criatura? Porque ela é atraída pelo som? Como sobreviver? Enquanto essas e outras perguntas nos envolve mediante o roteiro escrito por Bryan Woods e Scott Beck, com a ajuda de Krasinski, a história vai te enchendo de tensão e agonia durante seu desenrolar lento, mas de maneira poderosa e brilhante.

Gente tudo aqui funciona desde os atores até as particularidades do cenário, do clima tenso até os sustos, que conseguem te fazer pular da cadeira ou te deixar grudado nela, os momentos de silêncio são brilhantemente encenados pelo elenco que conduzem seus personagens de forma impecável.

Como já mencionei, o elenco é top, mas Emily Blunt arrebata com uma atuação altamente competente, de fato aqui ela se encontra em sua melhor forma em um dos papéis que acredito ser um dos mais difíceis de toda sua carreira, na trama ela interpreta uma atenciosa mãe de família grávida, que precisa se salvar e proteger os filhos, dias antes de dar a luz…  e detalhe, tudo isso sem dizer uma palavra, apenas interagindo com a força do olhar. Ela me presenteou com cenas que dificilmente sairão tão cedo de minha memória… ufa!

Krasinski, além de ser marido de Blunt na vida real e diretor do filme, também interpreta o pai de família dedicado e altamente comprometido em defender sua família a qualquer custo, ao mesmo tempo, tendo de enfrentar demônios internos, proporcionando cenas emocionantes. Gente que filme! Temos também no elenco o cativante e expressivo Noah Jupe, que já havia se destacado como o Jack Will na emocionante produção “Extraordinário”. Mas quem rouba a cena em todos os takes que aparece, é a carismática Millicent Simmonds, atriz mirim que de fato é surda na vida real e entrega uma atuação que dispensa comentários.

Neste mundo feito obrigatoriamente pelo silêncio, a trilha sonora de Marco Beltrami pode ser considerada um personagem, juntamente com uma fotografia fria. Para finalizar essa minha opinião de certa forma emocionada, “Um Lugar Silencioso” foi feito para destroçar nossos nervos e nos aterrorizar do começo ao fim, deixando aquela deliciosa sensação de alívio quando as luzes do cinema acendem. Tentei tirar pontos desse filme mas sinceramente, não consegui. Minha nota sincera é 10!


DICAS NETFLIX

HORAS DE DESESPERO

(No Escape)

Quando Jack Dwyer (Owen Wilson) encontra uma oportunidade de ir para o Sudeste Asiático pela sua empresa, ele logo se muda com sua esposa Annie (Lake Bell) e as filhas Lucy (Sterling Jerins) e Beeze (Claire Geare). Na manhã seguinte do dia em que chegam, Jack vai em busca de comprar um jornal norte-americano, mas se encontra preso no meio de uma rebelião violenta liderada por rebeldes armados, que estão executando estrangeiros. Em meio a toda confusão, a família acaba sendo ajudada por um misterioso britânico, Hammond (Pierce Brosnan).

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