Semsa manda apurar morte de paciente no HMS

A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), lamenta o falecimento do Sr. Antônio Oliveira da Fonseca e se solidariza com os familiares e amigos. Diante disso, informa que a secretária de Saúde, Dayane Lima, já solicitou ao Hospital Municipal que seja aberta uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte do paciente.

Na tarde de terça-feira (10), a Secretária de Saúde esteve reunida com o advogado e a família de Antônio, para dialogar sobre o tratamento aplicado ao paciente em questão. A secretária também reuniu com a direção do Hospital e determinou que seja criado um Protocolo chamado Antônio Fonseca, fazendo referência aos pacientes que chegam ao Pronto Socorro Municipal com Hemorragia Digestiva, para que sejam atendidos de imediato, seguindo todas as recomendações do protocolo.

Para que a população seja atendida ainda com mais qualidade e humanização, a Semsa está organizando mais um treinamento de atendimento humanizado à todos os profissionais da saúde do Pronto Socorro, Hospital Municipal e Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h).

A Semsa lamenta profundamente o ocorrido e informa ainda que está tomando todas as providências para apurar os fatos e se coloca à disposição para a elucidação do ocorrido.

Sobre o caso, o Instituto Panamericano (IPG), responsável pela gestão da unidade hospitalar, também divulgou nota:

A Direção Técnica do Hospital Municipal de Santarém (HMS) vêm a público demonstrar o seu profundo pesar em relação ao falecimento do paciente A.O.F, que deu entrada na Unidade no dia 30 de junho com quadro grave de hematemese e varizes de esôfago. O caso vem sendo noticiado por blogs e redes sociais, acompanhado do relato comovente dos familiares do paciente.
O maior desafio que profissionais da saúde enfrentam no dia a dia é o esforço enorme de respeitar os ritos administrativos e burocráticos. Esforço ainda mais duro quando esses processos representam demora ao atendimento prestado. O caso do paciente A.O.F, conforme foi esclarecido aos familiares desde o primeiro momento, era de alta complexidade. Porém, o HMS é um Hospital de média complexidade e não possui a estrutura necessária para realizar todos os procedimentos que o paciente necessitava.
Para estes casos, existe no sistema público da região o Hospital Regional do Baixo Amazonas, adequado tanto para realizar os procedimentos quanto para acompanhar a evolução do caso. O HMS, através de seu setor de regulação, solicitou a vaga neste local, mas, infelizmente, não obteve qualquer resposta.
O principal procedimento que o paciente necessitava era o grampeamento das varizes esofagianas, método realizado através de endoscopia. O HMS não possui a aparelhagem necessária para a realização desse procedimento. Porém, após a conclusão dessa operação por um grupo de médicos com aparelhagem própria e que não pertencia à Unidade, é que a Direção Técnica foi informada da realização da cirurgia. Entre os médicos que a realizaram, um deles sequer faz parte do corpo de colaboradores do Hospital.
A Diretoria entende que o objetivo de todos os envolvidos era salvar a vida do paciente. Mas, é importante ressaltar que não houve a atenção aos ritos necessários e, por se tratar de um procedimento muito arriscado, a realização dele sem prévio aviso à direção colocou em risco não apenas o paciente em questão como outros que já estavam em atendimento, uma vez que o pós-operatório da cirurgia de grampeamento das varizes esofagianas deve ser imediatamente seguida pela transferência do paciente para um leito de UTI com o uso de equipamento de suporte em casos de emergência.
Para que o fluxo saudável de um Hospital se mantenha, é necessário que todos os detalhes que podem colocar os pacientes em risco sejam planejados adequadamente. A direção técnica preza pela segurança do paciente do início ao fim do atendimento. Por ter sido um procedimento  realizado a revelia, não foi possível realizar esse planejamento.
Conforme o prontuário do paciente, o procedimento foi iniciado às 19h55 e foi finalizado às 22h15. Como dito, a Direção Técnica do HMS só foi informada minutos após a finalização do procedimento, na noite do dia 2 de junho. O Diretor Técnico do HMS, Dr. Itamar Júnior, imediatamente retornou à Unidade, chegando às 22h35. O quadro clínico do paciente havia rebaixado e ele foi entubado às 23h05.
Por não ter sido um procedimento planejado, não havia um leito na UTI preparado para recebê-lo. Dr. Itamar, frente à esta situação, providenciou um suporte ventilatório ao sistema respiratório, além da liberação de um leito na Unidade de Tratamento Intensivo, o que ocorreu às 23h40. A equipe de plantão também foi alertada e ficou à disposição, realizando todas as ações técnicas que o caso precisava.
Após dois dias de internação na UTI e com exames demonstrando melhorias em seu quadro clínico, o paciente recebeu alta e foi transferido para a clínica médica. O tratamento continuou. Porém, por se tratar de uma enfermidade crônica, ou seja, uma doença que persiste por uma quantidade maior de tempo, o quadro piorou depois de quatro dias de internação.
Infelizmente, o paciente não resistiu e na manhã de ontem, 8 de junho, faleceu.
Respeitando a dor e o desespero nesse momento de perda, a direção se coloca a disposição da família para qualquer dúvida que ainda possa existir.

RG 15 / O Impacto com informações da Ascom/PMS e IPG

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