MILTON CORRÊA Ed. 1207

88% DOS QUE SE PLANEJAM PARA APOSENTADORIA ABREM MÃO DE GASTOS DO COTIDIANO, APONTAM SPC BRASIL E CNDL
Principais adaptações incluem reduzir saídas para bares e restaurantes, itens supérfluos em supermercados e viagens. Dentre os que se preparam para aposentadoria, 74% confiam que manterão estilo de vida confortável após deixarem mercado de trabalho.
Manter o padrão de vida durante a aposentadoria é o desejo de muito brasileiros, principalmente entre os que se preparam para essa fase. Mas para isso, algumas vezes é necessário abrir mão de gastos supérfluos ou abrir mão de algum sonho de consumo. É o que revela pesquisa realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O levantamento aponta que 88% dos entrevistados que se preparam ativamente para a aposentadoria afirmam fazer adaptações no orçamento para garantir que a reserva seja suficiente. As principais medidas adotadas incluem redução de saídas a bares e restaurantes (49%), compra de itens supérfluos em supermercados (46%) e gastos com viagens (40%). Outro dado que chama a atenção é o fato de 21% reduzirem gastos com plano de saúde, sobretudo nas classes C, D e E (24%). A pesquisa também aponta que 13%, por sua vez, esperam enfrentar algum tipo de aperto financeiro nesta fase — principalmente na faixa dos 55 anos (22%). Nove em cada dez mostram-se dispostos a aumentar o tamanho da sua atual poupança, sendo que 67% destacam não ter condições de guardar um montante maior nessa fase e apenas 22% conseguem separar no momento uma parte maior do orçamento para o futuro. Já 12% dizem não estar em seus planos ampliar as reservas – seja por faltar recursos financeiros (9%) ou não ser prioridade (2%). “Os que vêm se planejando para a aposentadoria não querem perder o estilo de vida conquistado durante o período produtivo. A maioria espera manter os hábitos de consumo e até realizar coisas que antes eram quase impossíveis por falta de tempo. Para isso, procuram ter uma disciplina financeira que permita continuar com o mesmo poder de compra lá na frente. Além, é claro, de aproveitar o tempo livre com atividades de lazer e, até mesmo, viagens para conhecer lugares novos”, comenta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
38% DOS QUE CONTRIBUEM COM A PREVIDÊNCIA SOCIAL ADMITEM QUE VALOR DA APOSENTADORIA NÃO SERÁ SUFICIENTE PARA SUSTENTO
Considerando as reservas financeiras que dispõem, 74% dos que se preparam para a aposentadoria acreditam que manterão um estilo de vida confortável após deixarem o mercado de trabalho. Entre aqueles que mencionam contribuir com a previdência social (INSS), 45% acham que o valor da aposentadoria será suficiente para seu sustento – sendo que 24% imaginam manter o padrão de vida atual e 22% um padrão de vida menor. No entanto, 38% reconhecem que o valor não será suficiente para seu sustento — percentual que chega a 54% na classe A/B. Segundo ainda revela a pesquisa, 43% acreditam que não conseguiriam pagar as contas no caso de ficarem incapacitados de trabalhar e tivessem de se aposentar mais cedo (especialmente as classes C, D e E). Outros 57% acham que teriam condições de se manter, principalmente por dispor de uma reserva financeira (36%), enquanto 15% estariam tranquilos com o valor pago pelo INSS e 13% por ter seguro de vida com cobertura de invalidez. Para quem possui o hábito de guardar parte do orçamento de olho em uma aposentadoria tranquila, as aplicações financeiras têm se mostrado uma opção interessante. Desse universo, 75% acompanham suas reservas com frequência, sendo que 32% consideram a prática uma forma de manter a disciplina na hora de guardar dinheiro. Outros 22% relatam que esse controle é necessário para buscar investimentos com retornos mais rentáveis. Por outro lado, o levantamento constatou um dado preocupante: 25% relatam que não acompanham seus investimentos — seja para evitar gastar o dinheiro com outras coisas (11%) ou por não achar necessário (10%).
40% ENCONTRAM DIFICULDADES EM DEFINIR A MELHOR FORMA DE GUARDAR DINHEIRO PARA APOSENTADORIA; 59% NÃO CALCULAM QUANTO DEVEM POUPAR PARA MANTER PADRÃO DE VIDA NO FUTURO
Seis em cada dez (59%) entrevistados que se preparam de forma ativa para a aposentadoria afirmam ter sido fácil escolher a forma adequada de guardar dinheiro, sendo que 39% mencionam possuir conhecimento necessário e 20% citam que tiveram ajuda de um especialista. Por outro lado, 40% consideram a decisão difícil, sobretudo pelas inúmeras opções disponíveis no mercado (21%) e pela falta de conhecimento das possibilidades de poupar (20%). Quando questionados sobre a maneira de mensurar o valor a ser guardado para manter o padrão de vida no futuro, 41% afirmam ter calculado a quantia necessária, enquanto 59% não fizeram essa conta — percentual que sobre para 62% nas classes C, D e E. Considerando apenas os que realizaram algum tipo de cálculo, 42% fizeram um levantamento do padrão de vida desejado com a ajuda de simuladores na internet ou aplicativos. Ao passo que 42% calcularam manualmente. Levando em conta os que não fizeram algum tipo de cálculo, 47% guardam como podem, sem saber ao certo se a quantia será suficiente. Outros 26% acreditam que o valor é suficiente, mesmo sem ter feito cálculo algum; e 25% afirmam pagar somente a previdência social (INSS) para garantir o mínimo de sustento. “O ideal é que a pessoa complemente a contribuição feita ao INSS com outro tipo de reserva financeira, desde o início da vida profissional – assim consegue diluir a quantia ao longo do tempo. Esta é a melhor maneira de ter um valor suficiente para se manter durante a aposentadoria. Quanto mais alto for o padrão de vida desejado, maior deve ser o valor mensal a ser poupado”, orienta o educador financeiro do SPC Brasil e do Portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.
CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA 6,1% EM JUNHO E ATINGE MENOR PATAMAR EM 18 MESES, APONTA INDICADOR DO SPC BRASIL E CNDL
79% dos brasileiros acham que a economia do país está mal e 53% acreditam que a situação continuará ruim pelos próximos seis meses. Reflexo da paralisação dos caminhoneiros, 95% notaram aumento de combustíveis. A recuperação econômica mais lenta que o esperado e a paralisação no setor de transportes impactaram de forma negativa o humor do consumidor brasileiro. Dados apurados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que houve uma queda de 6,1% no Indicador de Confiança do Consumidor no último mês de junho na comparação com maio. Com esse recuo, o indicador retrocedeu para 38,8 pontos, o que representa o mais baixo patamar desde janeiro de 2017, início da série histórica. Pela metodologia, o indicador varia de zero a 100, sendo que resultados acima de 50 pontos demonstram o predomínio de otimismo, ao passo que abaixo de 50, o que prevalece é a visão pessimista. Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, mesmo com o fim da recessão, a confiança do consumidor encontra dificuldades para atingir resultados consistentes, tendo em vista o tímido crescimento da economia, que ainda não se recuperou das perdas acumuladas ao longo da crise e nem se reflete em melhora efetiva nos dados de emprego e renda. Em junho, o quadro foi agravado pela paralisação dos caminhoneiros ocorrida ao final de maio. “Ao chamar a atenção para a questão dos preços dos combustíveis, para a alta carga tributária e para a deficiência da matriz de transportes, o protesto reforçou a percepção negativa sobre a situação econômica, trazendo de volta a memória da crise. Esses são fatores relevantes que impactaram a queda da confiança”, explica o presidente. O indicador de confiança é composto pelo indicador de cenário atual, que caiu de 30,8 pontos para 28,9 pontos em um mês e pelo indicador de expectativas, que retrocedeu ao passar de 51,8 pontos em maio para 48,6 pontos em junho
53% DOS CONSUMIDORES ESTÃO PESSIMISTAS PARA OS PRÓXIMOS SEIS MESES DA ECONOMIA
A sondagem também procurou saber o que os brasileiros esperam do futuro da economia do Brasil e descobriu que a maioria (53%) está declaradamente pessimista. Quando essa avaliação se restringe a vida financeira, no entanto, o volume de pessimistas cai para 19%. Os otimistas com a economia são apenas 11% da amostra, ao passo que para a vida financeira, o percentual sobe para 53% dos entrevistados. Para justificar a percepção predominantemente negativa com os próximos seis meses da economia, 65% citam problemas políticos e escândalos de corrupção, ao passo que 41% atribuem esse sentimento ao desemprego que segue alto no país. Já entre os pessimistas com a própria vida financeira, 69% demonstram incomodo com a elevação dos preços e 40% acham que a economia fraca impacta na sua vida particular. Em sentido contrário, tanto os otimistas com a economia quanto com a própria vida financeira não sabem explicar ao certo a razão desse sentimento positivo: 57% e 35%, respectivamente, não souberam apontar razões específicas e apenas acreditam que coisas boas devem acontecer nos próximos seis meses.

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