Opinião | Missão Impossível: Efeito Fallout – Sem spoiles

MISSÃO IMPOSSÍVEL: EFEITO FALLOUT 

(Mission Impossible: Fallout)

Por: Allan Patrick

No atual universo cinematográfico, dificilmente uma franquia consegue a proeza de se perpetuar em várias sequências, o 6º filme estrelado por Tom Cruise é um grande exemplo disso, talvez você esteja inserido naquele grupo de pessoas que não curtem filmes de ação, estratégia e espionagem, ou deve ser como eu, louco por filmes desses gêneros. Imagine a emoção em assistir a um filme como esse!

O primeiro “Missão Impossível” de 1996, foi inspirado na série de sucesso dos anos 60, ficou em terceiro lugar entre as maiores bilheterias do ano, perdendo apenas para megaproduções como “Independence Day” e “Twister”, arrecadando notórios US$ 457.7 milhões em todo o mundo. Lógico que diante dessa estrondosa estreia, a Paramount Pictures já cogitava uma possível franquia e apostou sem medo em um segundo filme e para a infelicidade dos amantes do gênero, o filme é horrível, mesmo sendo dirigido por uma das maiores lendas de filmes de ação daquela época, Jhon Woo, a trama trazia um Ethan Hunt (Tom Cruise) praticamente como uma espécie super-herói pilotando sua moto ultra veloz em meio às situações mais inacreditáveis com as famosas câmeras lentas.

Mas para nossa felicidade, foi com a chegada do ótimo “Missão Impossível 3”, dirigido pelo mestre J.J. Abrams, que a franquia finalmente decolou, ao contrário do segundo filme, aqui acompanhamos Ethan Hunt mais humanizado, inserindo na história sua esposa, vivida pela belíssima Michelle Monaghan, em um roteiro espetacular, abrindo portas sólidas para outras sequências. Depois do quarto filme, o elemento ação junto com o avanço dos temas abordados nos filmes tornaram as tramas ainda mais empolgantes e inteligentes, mas acredito que essa franquia chegou ao seu ápice, praticamente à beira da perfeição com a chegada “Missão Impossível: Efeito Fallout”, na minha humilde opinião, o melhor filme de 2018, deixando para trás sucessos como “Vingadores: Guerra Infinita” e “Deadpool 2”.

Fiquei impressionado ao acompanhar o roteiro genial escrito por Christopher McQuarrie, que inclusive também dirige e produz o longa, aqui participamos de uma prazerosa viagem em meio a um script inteligente e ágil, que traz à tona uma história repleta de ação do início ao fim, é maravilhoso ver um filme como esse por duas horas e meia e não se desgastar nem por um segundo, o diretor usa pouquíssimo tempo de respiro entre uma cena de ação e outra, para aprofundar e enriquecer seus personagens e motivações. Um dos maiores acertos é trazer mulheres fortes tão preparadas quanto o próprio Ethan Hunt, descartando aquela coisa de “donzela frágil em perigo”. Nesta produção, todos os personagens têm seu devido tempo em tela, e a trama consegue trazer diversas referências dos filmes anteriores e cria um desfecho para todas as pontas soltas na franquia, acredito que a maioria dos fãs irão identificar essas referências, fiquei estarrecido ao ver a maneira como a história avança sem deixar o passado de lado, mantendo a visão fixa para o futuro.

Ao longo dos anos, cada filme dessa franquia recebia um diretor diferente, McQuarrie foi o único diretor a retornar no comando de outro filme da franquia, após o bem sucedido “Nação Secreta”, o mesmo demonstra uma grande evolução no comando das impressionantes cenas de ação, perfeitas. O diretor se aproveita ao máximo da utilização de efeitos práticos e poucos efeitos especiais, trazendo mais realismo à ação que transita entre explosões, perseguições de moto e helicóptero, luta corporal, que inclusive são um show à parte, entendemos cada soco, cada reação, graças a enquadramentos precisos onde acompanhamos os movimentos, abrangendo toda a geografia do cenário.

Após a decepção de “A Múmia” de 2017, Tom Cruise consegue se redimir com seu público e prova porque ele é considerado o maior astro de Hollywood, que inclusive é o único que conseguiu manter sua carreira ativa por mais de 30 anos. É impressionante ver como ele se doa de corpo e alma para essa franquia, acredite se quiser, Tom Cruise tem um fortuna estimada em US$ 480 milhões (R$ 1,059 bilhão), e mesmo assim, ele faz suas próprias cenas de ação sem o uso de dublês, alguém com uma conta bancária dessas, dificilmente arriscaria sua vida dessa forma, inclusive ele sofreu um grave acidente durante a gravação de MI: Efeito Fallout que resultou em um tornozelo quebrado,  consequentemente a produção teve de ficar parada por oito semanas, por isso está sendo considerado o filme mais caro da franquia, o fato aconteceu durante a gravação de uma cena perigosa, em que ele pula de um prédio para outro, o diretor aproveitou essa cena, ficou muito bom. Neste filme, Tom marca sua melhor atuação em anos, já que o roteiro abre espaço suficiente para que o ator demonstre seu lado dramático.

No elenco temos a volta de Ilsa Faust, vivida pela sueca Rebecca Ferguson, quem também retorna é Michelle Monaghan, a esposa de Hunt, em uma participação sensacional que nos faz matar a saudade de Julia, personagem introduzida no terceiro filme, momento em que ainda era a dona do coração do protagonista. Henry Cavill, nosso atual Superman, se sai muito bem como um assassino do governo que recebe a tarefa de vigiar e cuidar de Hunt, com um porte físico invejável, seu personagem é cheio de camadas e consegue se destacar ao lado de Cruise, uma tarefa bem difícil. No alívio cômico temos o retorno de Simon Pegg, mais uma vez arrebenta como Benji Dunn em mais uma atuação deliciosa que nos faz rir entre uma cena tensa e outra.

“Missão Impossível: Efeito Fallout” é tão bom que não percebemos o tempo passar, nos deixando cada vez mais intrigados em cada reviravolta e revelação na trama. E mesmo que algumas delas possam ser previsíveis, a maneira como as situações se desenvolvem é fantástico. Gostei muito desse filme, o 3D é completamente desnecessário, economize seu rico dinheirinho, portanto, eu jamais poderia deixar de finalizar essa resenha sem mencionar a frase mais linda dita no filme: “Salvar uma vida ao invés de milhões, pode ser o que faz muitos acharem que é a sua fraqueza… mas eu acredito justamente o contrário: essa é a sua maior força!”. Filme digno de aplausos. Minha nota incontestável 10!


DICAS NETFLIX

O PROTETOR

(The Equalizer)

O ex-agente secreto Robert McCall acredita que seu passado ficou para trás e tenta viver uma nova vida. Porém, quando ele conhece Teri, uma jovem que está em poder de uma quadrilha russa, ele simplesmente não consegue ignorá-la. Munido de suas extraordinárias habilidades, ele ressurge como um verdadeiro anjo vingador. Fora da aposentadoria e com um novo desejo de fazer justiça, McCall decide ajudar quem foi brutalizado e oprimido. Nota 9,0!

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