Dr. Tabajara: “Continuação do governo Jatene é um risco para os paraenses”

Advogado diz que atual governo está cansado e cheio de vícios

O advogado Hiroito Tabajara esteve em nossa redação, ocasião em que concedeu entrevista exclusiva à nossa reportagem. Dr. Tabajara, que é um dos fundadores do Conselho Comunitário de Segurança de Santarém, esclareceu o conceito e a importância do Conselho em nossa cidade, bem como falou de outros assuntos. Veja a entrevista na íntegra:

Jornal O Impacto: Dr. Hiroito Tabajara, o que significa Conselho de Comunitário de Segurança?

Hiroito Tabajara: Trata-se de um Conselho regido pelas entidades que comportam a sociedade, ou seja, associações de bairros, igrejas, centros comunitários etc. Então, essas entidades se congregam e formam o Conselho de Segurança, que é o elo da sociedade diretamente com a Secretaria de Segurança Pública do Estado e reivindica de forma mais direta. Também tem um acesso maior ao Comando em nível municipal, aqui em Santarém, através do 3º BPM e do 35º BPM, assim como o CPR-1 que tem à frente o Coronel Tomaso, bem como da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Jornal O Impacto: Como funciona o Conselho internamente?

Hiroito Tabajara: Falando do Conselho de Segurança da grande área do Maicá, que inclusive é o primeiro em Santarém e o que mais tem se destacado, com muitas conquistas a nível estadual. Tem feito o seu papel, do qual fazemos parte, juntamente com o companheiro Adilson Matos, o primeiro presidente. Hoje, o presidente é o pastor Raimundo, juntamente com o Ronaldo lá do Pérola do Maicá como vice-presidente e outras pessoas, como pastor Isaac e Denilson. Então, de que forma a gente vem fazendo isso? Viemos buscando junto à Secretaria as demandas da sociedade, porque essas pessoas e entidades estão mais próximas do problema, elas identificam melhor e essa comunicação direta com a Secretaria de Segurança Pública torna mais ágil as ações. Uma das conquistas que podemos citar do CONSEG é o 35º Batalhão que hoje se tornou uma realidade, está instalado ali na 5ª URE e essa luta foi um sonho realizado em conjunto, através dos companheiros que já citei o nome. Idealizamos, corremos atrás, porque o Governador criou às vésperas das eleições de 2014 o 35º Batalhão e deixou isso “morto”. O CONSEG foi instalado e nós batalhamos, buscamos apoio político e jurídico e conseguimos pressionar o governo a finalmente olhar para Santarém e região. Gostaria de aproveita a ocasião e agradecer ao deputado estadual Eraldo Pimenta, o apoio que deu a toda equipe que foi a Belém; ao deputado estadual Airton Faleiro que também deu apoio à equipe. Então, através dessa força o governo se viu pressionado e teve de tirar do papel e instalar o 35º Batalhão. Um sonho, que hoje é uma realidade.

Jornal O Impacto: Desde a idealização até essa grande conquista do 35º Batalhão, demorou quanto tempo para se concretizar?

Hiroito Tabajara: Foram três anos de muita luta, muitos pedidos, muitas viagens, reuniões, descrédito de alguns que diziam que não ia dar em nada e alfinetavam. Eu gostaria de dizer para você, líder comunitário, que às vezes você faz um trabalho junto à sua base e muitas pessoas não reconhecem. Isso é natural, não desista, não desanime, pois a grande prova é o CONSEG da grande área do Maicá com suas realizações, assim como outros CONSEGs. Ajudamos a fundar o CONSEG do planalto, está em processo de fundação; o CONSEG lá da região do Lago Grande e o de Alter do Chão. Então, você líder comunitário, você participante ativo da sociedade, não desista dos seus sonhos, não desista de uma sociedade melhor. Isso é importante. Tem certas pessoas que por terem inveja de você, vão querer lhe desestimular, mas sonhe e procure pessoas que queiram sonhar junto com você, porque “sonho que se sonha só é apenas um sonho, mas um sonho quando é sonhado junto, vira realidade”, já dizia Dom Helder Câmara, eternizado por Raul Seixas em sua música.

Jornal O Impacto: Como estamos falando de lideranças comunitárias, nós temos esse CONSEG no Maicá que é uma realidade. Se por acaso existir o interesse de se criar outro CONSEG, pode ser feito em outros bairros?

Hiroito Tabajara: Com certeza. Inclusive, na Grande Área do Santarenzinho tem um CONSEG, eles têm uma atuação boa e as demais áreas que querem formar o seu CONSEG nós orientamos que primeiramente procure o CPR-1, se dirijam ao Coronel Tomaso, que ele vai direcioná-los. Precisando da nossa ajuda com o jurídico do CONSEG do Maicá, assim como de toda nossa equipe, companheiros Ronaldo, Adilson Matos, pastor José e outros, nós estamos abertos a auxiliar qualquer uma dessas que queiram fazer. Como já mencionei, é importante que sejam segmentos da sociedade, pois esses segmentos unidos são mais fortes.

Jornal O Impacto: Uma curiosidade, para se criar um Conselho como esse, é porque existe uma necessidade. Você acha que para existir tal Conselho é devido à forte ausência do Governo do Estado?

Hiroito Tabajara: Não há menor dúvida disso. A violência tomou conta do estado do Pará. Recentemente eu estive em Belém e você vê o medo estampado nas pessoas, você percebe que as pessoas estão temerosas, porque a violência está imperando. São assaltos e mortes violentas. Acompanhamos facções criminosas praticamente mandando, fazendo ameaças, tanto para população quanto para as autoridades. Então, tudo isso atribuimos à falta de interesse do governo do Estado. Você verifica que já temos oito anos do atual governo, às vésperas das eleições, acredito eu, que por “coincidência”, vieram distribuir umas viaturas, nomearam novos integrantes das forças policiais. Às vésperas das eleições, dever ser coincidência, assim como também foi coincidência criarem o 35º Batalhão às véspera das eleições de 2014 e depois esqueceram, ficou apenas no papel. Então, não temos dúvidas que o atual governo esqueceu a segurança dos paraenses e isso tem levado medo aos trabalhadores, colocando em risco a vida dos policiais nossos que saem todo dia nas ruas, e hoje se veem ameaçados por essa criminalidade violenta, horrível. Pouco tempo atrás tivemos notícias que em Rurópolis ou em Placas, teve um assalto a banco, prática que virou rotina, justamente porque o amparo policiais é pouco. Os bandidos já sabem, ficam fazendo o monitoramento, estudam a situação, e tudo isso soma-se com a ausência do Estado. Como é que três ou quatro policias vão combater bandidos fortemente armados? Então, realmente faltou um olhar especial do  governo do Estado para segurança do povo paraense.

Jornal O Impacto: Estamos vivendo o período de vésperas de eleições,  como grande conhecedor da área política, qual sua opinião sobre o atual contexto político, com relação a candidatos? Qual a sua análise nesse contexto?

Hiroito Tabajara: Minha análise é a seguinte: o atual governo já deu o que tinha de dar, esse é um fato, um governo cansado, cheio de vícios, e a continuação desse governo é um risco para o povo paraense, porque nós já vamos beirar 20 anos desse governo. Continuar para quê? A avaliação cada um vai fazer. Será que está dando certo? Todos estão confortáveis com sua segurança? Você está confortável com atual quadro da saúde no nosso Estado? O Hospital Regional de portas fechadas para atender à população, atende poucos ali, que com muito esforço conseguem aquelas vagas. O Hospital Regional de Itaituba prometido também às vésperas das eleições de 2014 até agora não foi concretizado. Mais uma vez é moeda de troca. Foi dito que se o governo do Estado solucionasse esse grande problema, poderia ter evitado muitas mortes, se o Hospital Regional de Itaituba tivesse sido concretizado, mas deixa tudo para última hora, tudo em cima da eleição. Você vê nas cidades do interior que mais uma vez se repete aquele asfalto “sonrisal”, também prometido às vésperas das eleições, eles vão lá passam o asfalto, mas na primeira chuva já era, se dissolve na água. Essa lamentável técnica vem acontecendo e esperamos realmente haver mudanças. Não posso dizer “vote nesse ou naquele”, mas faça a sua avaliação, se esse modelo está dando certo para o Pará. Na minha avaliação, não; pecou na segurança pública, na saúde e pecou na educação, são os pilares da sociedade. Então, dessa forma eu creio que não dá para continuar.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

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