MILTON CORRÊA Ed. 1212

CONFIANÇA DA MICRO E PEQUENA EMPRESA CRESCE PARA 48,9 PONTOS, MAS SEGUE EM BAIXO PATAMAR, APONTAM CNDL/SPC BRASIL
Apesar da melhora, confiança dos micro e pequenos empresários registra segundo menor patamar em 11 meses; embora 46% tenham notado piora em seus negócios, 56% acreditam que situação estará melhor daqui seis meses. As recentes revisões de crescimento da economia para baixo e a percepção de piora no ambiente de negócios têm afetado o humor dos empresários de menor porte que atuam no comércio e no ramo de serviços. É o que mostra o Indicador de Confiança da Micro e Pequena Empresa calculado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). No último mês de julho, o indicador que acompanha a confiança desses empresários ficou em 48,9 pontos, um pouco acima do observado em junho (46,4 pontos). Apesar do crescimento, o dado alcançado no mês é o segundo mais baixo desde agosto de 2017, quando se encontrava em 47,4 pontos. A escala do indicador varia de zero a 100, sendo que resultados acima de 50 pontos refletem confiança e, abaixo dos 50 pontos, refletem desconfiança com os negócios e com a economia. Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, a tímida melhora do cenário econômico, com inflação sob controle e manutenção dos juros em baixo patamar, ainda não se traduziu em melhora efetiva no dia a dia do empresariado. “A recuperação econômica segue lenta e vem frustrando as expectativas de que poderia esboçar uma reação mais rápida neste segundo semestre. Houve uma frustração no ritmo de melhora e o quadro geral se deteriorou nos últimos meses, sobretudo após a crise de desabastecimento com a greve dos caminhoneiros. Além disso, o grau de incerteza no campo eleitoral impacta a confiança e a disposição dos empresários de menor porte em realizar investimentos”, afirma o presidente. O Indicador de Confiança da Micro e Pequena Empresa é formado pelo Indicador de Condições Gerais, que mede a percepção dos entrevistados sobre a performance da economia e de seus negócios nos últimos seis meses e pelo Indicador de Expectativas, que mensura as perspectivas que eles aguardam para o horizonte de seis meses em diante.

63% DOS MICRO E PEQUENOS EMPRESÁRIOS AVALIAM QUE A ECONOMIA PIOROU NOS ÚLTIMOS MESES; QUEDA NAS VENDAS É PRINCIPAL CAUSA DA VISÃO NEGATIVA
Os dados do Indicador de Condições Gerais mostram queda na comparação com o ano passado. Em junho de 2017 o índice estava em 37,3 pontos e retrocedeu para 34,8 pontos em julho de 2018. No último mês de junho, ele estava em 33,4 pontos. A escala do indicador também varia de zero a 100, sendo que apenas resultados acima de 50 pontos são considerados positivos. Em termos percentuais, para 63% dos micro e pequenos empresários o cenário econômico se deteriorou nos últimos seis meses, contra apenas 12% que visualizaram melhora. Para outros 25% o quadro não se alterou. Quando a análise se detém ao seu negócio, o percentual de empresários que sentiram piora na performance de suas empresas diminui para 46% da amostra, mas ainda assim é a visão predominante para a maior parte dos entrevistados. Apenas 18% notaram alguma melhora nesse intervalo dos últimos seis meses e para 34% a situação não se alterou. Dentre os que notaram piora em suas empresas, a queda das vendas é o sintoma mais evidente da crise, mencionada por 76% dos entrevistados. Para 36% o aumento nos preços de insumos e matéria-prima prejudicaram a performance da empresa no período, ao passo que 15% sentiram os efeitos negativo da inadimplência dos clientes. Para os que sentiram melhora dos negócios, a maior parte (55%) atribui essa percepção ao aumento das vendas. 56% dos micro e pequenos empresários estão otimistas com seus negócios para o futuro; 42% esperam aumento do faturamento para os próximos seis meses. Mesmo com um retrospecto pessimista e a avaliação de que o país não se encontra em situação confortável, os micro e pequenos varejistas e empresários do ramo de serviços nutrem alguma esperança com relação ao futuro. Exemplo disso é que o Indicador de Expectativas avançou de 56,1 pontos em junho para 59,4 pontos em julho. Pela metodologia, resultados acima de 50 pontos apontam uma prevalência de otimismo. Ainda assim, trata-se do segundo menor patamar desde dezembro de 2017, quando ele estava em 59,0 pontos. De acordo com o levantamento, mais da metade (56%) dos micro e pequenos empresários manifestaram otimismo com os próximos seis meses do seu negócio – os pessimistas representam apenas 13%. Quando levada em consideração as expectativas com a economia como um todo, a proporção de otimistas cai para 39%, puxando o percentual de pessimistas para 24%. Entre os que manifestam otimismo com relação ao seu negócio, a razão predominante são os investimentos que realizaram no empreendimento (35%) que imaginam que renderão bons resultados. Há ainda um terço (33%) de entrevistados que confiam na boa gestão do negócio e 29% que não sabem explicar as razões do otimismo. Para os que confiam na melhora da economia para daqui seis meses, a maior parte (55%) não sabe explicar os motivos deste sentimento: apenas confiam que coisas boas devem acontecer. Há ainda 24% que citam a melhora gradual de alguns índices econômicos. Por outro lado, entre os pessimistas com o próprio negócio, 51% acham que as vendas estão em baixa e um terço (34%) tem a opinião de que que é difícil empreender no Brasil. As incertezas políticas (59%) são a principal causa dos que estão pessimistas com o futuro da economia. Outra constatação apontada pelo levantamento é que a maioria dos empresários esperam aumento do seu faturamento. Em cada dez micro e pequenos empresários, quatro (42%) acreditam que as receitas irão crescer nos próximos seis meses. Apenas 6% esperam uma queda, ao passo que 47% imaginam que haverá estabilidade frente ao patamar atual de vendas. O que justifica a expectativa de melhora do faturamento é, em primeiro lugar, a busca de novas estratégias de vendas (40%). Já para aqueles que acreditam que haverá queda das receitas, a crise aparece como a principal razão, mencionada por 69% desses empresários. “Os dados mostram que o micro e pequeno empresário brasileiro mantém boas perspectivas mesmo diante de um cenário adverso. Isso pode se explicar pelo fato de que muitos deles acreditam que uma gestão eficiente de seu próprio negócio pode ajudá-los a enfrentar as dificuldades impostas pela crise”, explica o presidente do SPC Brasil Roque Pellizzaro Junior.

PNAD APONTA 13 MILHÕES DE DESEMPREGADOS NO PAÍS
A porcentagem de brasileiros desocupados atingiu a marca de 12,4% no segundo trimestre de 2018. O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em números gerais, isso significa que quase 13 milhões de pessoas estão sem emprego no país. A reportagem é da Agência do Rádio, assinada por Raphael Costa. Ainda segundo o levantamento, há uma diferença geográfica nos índices de desemprego. A PNAD aponta para uma maior quantidade de desempregados na parte norte do país. Amapá e Alagoas concentraram as maiores taxas de desocupação do país. Em contrapartida, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão entre os estado com as menores taxas de desocupação. Cimar Azeredo é coordenador do trabalho e rendimento do IBGE. Ele explica as raízes dessa diferença de resultados por região. “Isso está muito relacionado, por exemplo, o Sudeste fica mais próximo da média junto com o Centro-Oeste. Isso está muito relacionado à estrutura econômica local. Onde você tem um desempenho mais fraco quando a estrutura é mais informalizada, menos oportunidade de emprego, onde você tem uma população jovem mais forte, menos oportunidade em termos de indústria, agricultura, até mesmo de serviços naquela determinada região”. Outro ponto que Cimar destaca é a taxa de desalentos, que são pessoas que estão sem trabalho e desistiram de continuar procurando emprego. Atualmente, essa parcela da população corresponde à 4,8 milhões no segundo trimestre de 2018. Esse número é o maior de toda a história. Mais uma vez, Alagoas lidera o ranking negativo, com o maior percentual de pessoas nesta situação. O estudo também levanta a questão da carteira de trabalho. Neste segundo semestre de 2018, o número de empregados com carteira assinada estava em 74,9%, move pontos percentuais a menos que na mesma época no ano passado. Houve queda também entre os trabalhadores domésticos, que hoje são 29,4%, abaixo dos 30,6% no segundo semestre de 2017.

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