Rodada de negócios reúne pescadores e empresários em Santarém

Proprietários de restaurantes foram convidados para conhecer o pirarucu de manejo das comunidades Pixuna, Tapará Miri e Santa Maria.

Evento será realizado nesta sexta-feira (26), no auditório do Sebrae em Santarém.

Encontro marca última etapa de um processo de capacitações para os pescadores que atuam com a conservação dos recursos pesqueiros na região do Tapará. No calendário de atividades do projeto, os participantes receberam técnicas de negociação para conduzir as tratativas de venda do pirarucu manejado da região à empresários locais que compreendem a necessidade de valorizar o produto natural e capturado de acordo com normas de respeito ao meio ambiente.

No dia 26 os pescadores terão a possibilidade de negociar com os empresários convidados para a Rodada e fechar contratos. A capacitação possibilitou novos conhecimentos aos ribeirinhos com noções de mercado, comercialização, precificação e conhecimento de custo.

A iniciativa de valorização do pirarucu manejado é fruto de uma parceria entre Sapopema, Colônia de Pescadores, Cooperativa dos Pescadores de Santarém e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas para implementação do projeto de capacitação dos pescadores para aumentar rentabilidade do manejo.

No evento, o chefe de Cozinha Saulo Jennings realizará uma degustação para o público que conhecerá na prática o sabor do pirarucu manejado.

ETAPAS DA CAPACITAÇÃO

Desde o mês agosto os comunitários estão participando de oficinas que compreendem os temas: Empreendedorismo, Manipulação de alimentos, Gestão financeira, Produção sustentável e Geração de negócios são temas das oficinas promovidas pelo Sebrae e Sapopema.

Nos dias 20 e 21 as mulheres da região que participaram de um curso de artesanato para aprimorar as técnicas de produção de biojoias a partir da escama do pirarucu. Foram produzidas mais de 150 peças.

SELO VERDE

Futuramente, com a consolidação das negociações, os pescadores apostam na criação de uma marca que funcione como um Selo que representa um novo ciclo com mais oportunidade e maior renda para os moradores das comunidades.

No ano passado pescadores de Santa Maria relataram à Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente a captura de 44 pirarucus em 2017 com arpão e espinhel. O peixe de agregado valor comercial, foi comercializado em média a R$ 12,77 o quilo. Para o pescador da comunidade, Amarildo Sousa – conhecido como Branco: “Não compensa o trabalho que a gente tem” – diz sobre o grande esforço comunitário para manejar a espécie que é vendida ao consumidor final ao preço de R$ 25,00 e R$ 30,00 o quilo da manta.

O coordenador da Sapopema Antônio José Bentes destacou a importância da etapa: “É um desfecho de um processo longo de organização dos pescadores que ainda se encontram em processo de realização e vem consagrar esse esforço de várias instituições. A rodada de negócios contribui porque possibilita uma oportunidade de empresários e sociedade conhecerem que esse trabalho existe, com produção de pirarucu na região de forma cuidadosa e estratégia de manejo” –

Mas afinal, qual a diferença entre um pirarucu de cativeiro e um pirarucu manejado? O biólogo da Sapopema, Fábio Sarmento explica: “O peixe de cativeiro não tem a mesma dinâmica. Ele não se locomove da mesma forma que o peixe no lago e a alimentação é diferenciada. Tanto que o de cativeiro tem o preço mais baixo, já que o peixe de manejo é mais saboroso”.

Fonte: RG 15/O Impacto e Sâmela Bonfim/Sapopema

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