Milton Corrêa Ed. 1221

ELEIÇÕES 2018: O BRASIL DOS ALTOS PREÇOS E DA BAIXA QUALIDADE

Por Alexandre Pierro

No próximo domingo, o país inteiro vai para a urna eletrônica eleger os representantes políticos que irão governar o Brasil pelos próximos quatro anos. Apesar do período eleitoral ser o momento crucial para debater ideias e planos, muito se fala sobre o histórico de corrupção e da vida pessoal dos candidatos e, pouco se vê sobre o plano estratégico de cada candidato para construirmos um Brasil melhor. Essa falta de planejamento para executar um plano de governo não é de hoje. Infelizmente, ela é sistêmica e faz parte da nossa história desde o Brasil Império. Nos primeiros séculos, logo após o descobrimento e quando ainda éramos colônia de Portugal, vivemos um momento nomeado como O Quinto. O Quinto era um imposto cobrado pelo governo. Recebeu esse nome porque correspondia a 20%, um quinto, do metal extraído que era registrado pelas casas de fundição. Era um tributo altíssimo e os brasileiros o odiavam tanto que acabaram o apelidando de “O Quinto dos Infernos”. Se você concorda que no século XVII essa tributação era absurda, porque não estamos revoltados com o fato de hoje em dia pagarmos cerca de dois quintos de impostos em tudo o que produzimos e consumimos? A alta carga tributária é uma das principais vilãs que impedem o desenvolvimento de pequenas empresas. Os empresários precisam trabalhar quatro meses por ano só para pagar impostos e, preocupados em fechar a conta no azul, não investem em melhoria de processo e qualidade, maquinário, capacitação de pessoas e etc, mantendo a empresa longe da inovação e do crescimento. Se não bastasse a alta tributação, as burocracias legislativas também tomam tempo e recursos das empresas. Um levantamento feito pelo Ciesp – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, aponta que uma empresa leva em média duas mil e seiscentas horas (2.600h) por ano para cumprir todas as práticas estaduais e federais. Se compararmos com a Inglaterra, o número se torna ainda mais preocupante já que por lá a média é de cento e dezoito horas (118/h) por ano. O maior problema que vemos hoje no Brasil é a falta de planejamento a longo prazo. De olho em vender o almoço para pagar a janta, o empresário fica mais preocupado em apagar incêndios. Uma vez que não há planejamento e gestão de qualidade perde-se muito tempo, dinheiro, mão de obra, recursos, insumos e espaço em processos obsoletos. A dificuldade de liberação de crédito para as PMEs investirem também é outra barreira que impede o desenvolvimento. Estamos em um momento decisivo, e tenho certeza que, independente da polarização que vemos no discurso e nas redes sociais, todos querem um país mais justo, com emprego e liberdade competitiva. Mais importante do que assumir um lado nessa “guerra”, temos que aproveitar as diferenças para debatermos sobre que país queremos ser nos próximos anos e, principalmente, como iremos transformar o sistema e participar da mudança daqui para frente. Alexandre Pierro é engenheiro mecânico, bacharel em física aplicada pela USP e fundador da PALAS, consultoria em gestão da qualidade.

COM DESEMPREGO ELEVADO E INCERTEZA ELEITORAL, CONFIANÇA DO CONSUMIDOR SEGUE ESTAGNADA EM 41,9 PONTOS, REVELA INDICADOR DA CNDL/SPC BRASIL

Para 82% dos brasileiros economia está ruim e apenas 19% acham que situação vai melhorar nos próximos seis meses; 47% alegam que há pelo menos uma pessoa desempregada na residência. Os reflexos da crise econômica e as incertezas do processo eleitoral sobre as medidas que o novo presidente deverá adotar para a economia voltar a crescer têm impactado o humor do consumidor brasileiro. Dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que o Indicador de Confiança do Consumidor não apresentou evolução na passagem de agosto para setembro, período marcado pela campanha política no rádio e na TV. O índice ficou em apenas 41,9 pontos em setembro contra 42,4 pontos em agosto. A escala do indicador varia de zero a 100, sendo que quanto maior o número, mais confiantes estão os consumidores. O Indicador de Confiança é composto por dois componentes: o Subindicador de Percepção do Cenário Atual – que ficou em apenas 29,6 pontos – e o Subindicador de Expectativas, que alcançou 54,2 pontos. De acordo com o levantamento, 82% dos brasileiros avaliam de forma negativa as condições da economia no atual momento, percentual que não apresentou alteração frente ao mesmo mês do ano passado, quando estava em 81% do total de entrevistados. Para 14%, o desempenho é regular e para apenas 2% o cenário é positivo. Entre aqueles que avaliam o clima econômico como ruim, os principais sintomas são o desemprego elevado (68%), o aumento dos preços (61%) – apesar da inflação controlada-, as altas taxas de juros (38%) e o aumento do dólar (29%).

METODOLOGIA

Foram entrevistados 800 consumidores, a respeito de quatro questões principais: 1) a avaliação dos consumidores sobre o momento atual da economia; 2) a avaliação sobre a própria vida financeira; 3) a percepção sobre o futuro da economia e 4) a percepção sobre o futuro da própria vida financeira. O Indicador e suas aberturas mostram que há confiança quando estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica falta de confiança.  Baixe a análise do Indicador de Confiança do Consumidor em https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos

BRASILEIRO É O 2º NO MUNDO COM MAIS MEDO DE ANDAR SOZINHO NA RUA À NOITE, APONTA ESTUDO

Segundo a FGV, sete em cada 10 brasileiros (68%) se sentem inseguros em andar à noite na sua vizinhança. A reportagem é da Agência do Rádio, assinada por Cintia Moreira. Uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que sete em cada 10 brasileiros (68%) se sentem inseguros em andar à noite na sua vizinhança. Segundo o diretor do FGV Social, Marcelo Neri, a pesquisa compara a evolução da percepção dos brasileiros em relação a outros países. “É uma pesquisa que cobre 124 países. O Brasil é o segundo pior do ranking. Ele só perde para o Afeganistão. Até quando a gente pergunta para a população se alguém na família sofreu algum assalto nos últimos 12 meses, a situação do Brasil é ruim, mas não é tão ruim. Mas a situação vamos dizer do medo da violência, acaba sendo maior do que a própria violência”. O levantamento aponta também que, no Brasil, as mulheres (76%) sentem mais medo de andarem sozinhas à noite na rua do que os homens (60%). Além disso, o estudo mostra que este tipo de fenômeno é típico das grandes cidades, como já é o caso de Santarém.  Por exemplo, nos municípios maiores, 75% dos moradores sentem temor de andar sozinhos na rua escura. Já nas cidades menores, incluindo o campo, 61% têm essa percepção.

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