DJ Carlão, a voz do rádio santareno que agita o povão

Radialista João Carlos revela detalhes de sua carreira, bem como do trabalho de seu pai Otávio Pereira

Dj Carlão relembra o começo, com seu pai Otávio Pereira

Nosso convidado desta semana é o radialista João Carlos Macedo Pereira, conhecido como Dj Carlão, que sempre sintonizou seus ouvintes pela Rádio Guarany. Ele esteve no estúdio da TV Impacto e na redação do Jornal O Impacto, contou um pouco da sua história no rádio.

“É um prazer estar aqui para conversar com os colegas e contar um pouquinho sobre a rádio, sobre a nossa trajetória. Eu já vi vários colegas de outros setores e é sempre um prazer mais uma vez estar participando da TV e do Jornal O Impacto”, disse Carlão.

Você é filho de uma família na comunicação, tem uma história e folha de serviço muito longa, bonita, prestada à nossa região. Começou lá com seu pai, o saudoso Otávio Pereira, que mesmo sendo funcionário de um banco em Santarém, nas horas vagas tinha seu serviço de propaganda volante na Guarany.

O PIONEIRO EM SOM DE SANTARÉM

“Na verdade, o velho Otávio foi o pioneiro em som em Santarém. Antes de ter rádio na cidade, o único sistema de som montado aqui foi uma pequena caixa colocada em cima de um caminhão. Foi assim que começou, na época da política com seu compadre Ubaldo Correa, que montou pra ele. Foi aí que começou a história, exatamente em um caminhão. Daí passou para um outro carro, daí em diante foi até chegar em um jipe, depois uma kombi, foi evoluindo até chegar na Rádio Difusão e a televisão”, informou.

Ao ser questionado como começou sua carreira na comunicação, Dj Carlão informou: “Na verdade, começou tudo por uma brincadeira. Eu ficava ouvindo, como moleque ainda, eu brincava com um carrinho, montava os tubos de pasta feito aquele projetor e saia brincando, fazendo a propaganda, tocava música na boca. Eu ouvia o Milson e o Ademir, eram os dois locutores, depois do velho que trabalhava no banco. Eles lá gravando, eu ficava ouvindo e fazendo propaganda do Fluminense, Recreativo e Veterano, naquela época. Quando eu entrei para o rádio, não tive dificuldade nenhuma, já estava pronto. A rádio começou nos anos 80/83, depois cresceu e chegou a televisão. Até os dias de hoje estou na Rádio Guarany. A gente tem uma história muito grande, do tempo da fita cassete, do vinil, então, eu tenho assim uma longa estrada na vida”, declarou Carlão.

A dificuldade era muito grande para fazer o rádio naquela época, era tudo no improviso e mais difícil. Hoje, você tem um suporte melhor.

“Naquela época o camarada para entrar no canal de rádio tinha de passar por vários estágios. Muitos profissionais começaram na Rádio Clube, chamada de Escola do Rádio e que hoje estão até fora da cidade. Alguns passaram exatamente pela Rádio Guarany e passavam pela minha mão. Tinham de passar pelo estúdio e gravavam. O que nós aprendemos, íamos orientando e depois passava pelo Milson, que era o cara que batia a caneta. Tem uma história com um amigo chamado Edy Ribeiro, que foi três vezes comigo e não passou em nenhum dos testes; mas eu disse: ´Vamos deixar o rapaz aí, porque ele tem talento`. E deixamos ele lá, a gente apostou no trabalho dele e está aí o Edy Ribeiro, muito meu amigo e um cara muito bom”, informou.

SERIEDADE NO TRABALHO

No começo você tinha alguma inspiração, algum foco de algum locutor da época ou foi exatamente seguindo seu pai e irmãos? Perguntamos.

“Na verdade, todo comunicador sempre tem isso, de se inspirar em alguma pessoa. E o camarada que eu me inspirava chama-se Mister Sam, que atua em São Paulo, mas é porto-riquenho. Era o produtor da Gretchen naquela época. Ele chegou até ter programa na rádio gravado que mandava as fitas cassetes, mas daí a gente vai criando o nosso estilo. Então, o Carlão daquela época nem se compara com esse de agora. Era uma coisa muito doida, tem a voz rouca, uma voz que eu digo que não é um vozeirão, mas acho que é uma voz diferente. Assim como tem gente que odeia, tem muita gente que ama também. Isso é natural como qualquer pessoa e como qualquer locutor. Nesse ramo, tanto de rádio como também de músicos, sempre falam que é a maior bandalheira que rola ali, mas não é isso não. Nós cuidamos sério do nosso trabalho, mas fora do estúdio rolam muitas brincadeiras. Eu digo um mico que passei no rádio, tinha um texto que era do Vegas Motel, já fazia tempo que eu estava lendo aquilo ali, eu não sei se o subconsciente agiu de brincadeira, pois tinha um pedaço que dizia que ‘agora o Vegas Motel tem cadeira erótica’, e numa dessas vezes eu lendo o texto ao vivo aí saiu: ´Agora o Vegas Hotel está com cadeira elétrica`. São coisas que saem assim na hora, que eu acho que está no subconsciente da gente”, declarou o radialista.

PROGRAMA DE AUDITÓRIO

Ao ser questionado se antes de entrar para o rádio, teve sua trajetória dentro da música, Dj Carlão falou: “Na verdade, antes de entrar no rádio, passei pela parte da música exatamente nos clubes como Dj, por isso que me chamam de Dj Carlão. Daí vim embora para o estúdio, para locução e acabei abandonando a carreira de Dj. Hoje a gente só está aí para brincar de vez em quando. Eu gostaria de voltar a fazer um programa de auditório. Você sabe que tem de ter uma grande equipe por trás do comunicador e para fazer programa de editoração a gente pensa que é fácil, mas tem que ter todo um trabalho, ter toda uma equipe exatamente para poder chegar no ar em um tipo de programa desse aí”.

Você poderia citar alguns colegas com quem trabalhou e que lhe serviram de exemplo e de inspiração, dentro da rádio Guarany? Voltamos a perguntar.

“Osvaldo de Andrade, que passou por lá, inclusive eu o escutava no tempo da Rádio Clube, eu ouvia aquele vozeirão falando; no tempo do Wilton Fernandes e várias vozes que passaram, como o Sinval Ferreira que passou pela Rádio Clube e depois foram para a Rádio Rural, até chegar na FM. Mas é isso aí. Tem vários colegas que passaram por lá, inclusive os que estão fora da cidade, que começaram exatamente comigo e com o meu irmão Aluizio. A gente fazia esse trabalho, antes do cara ir pro ar, na Guarany, tinham que ir pra lá ensaiar, mostrar como é que estava o programa para poder o Milson dá o ultimato. Hoje em dia está todo mundo indo para o ar sem fazer teste e eu acho assim que o rádio até caiu muito com isso”, alertou Dj Carlão.

Muitas das vezes o espaço sempre está aberto para os dinossauros do rádio, são pessoas em atividade. O Sinval Ferreira até hoje está lá com seu horário na Rádio Rural. “Eu gostaria de citar aqui o caso de Tony de Sá, Silvio Junior e Nelson Gil, que estão em Belém e Fortaleza. Todos começaram na Rádio Guarany, muitas das vezes controlada mesmo pelo telefone e hoje estão brilhando lá fora. Isso pra gente é um presente, uma satisfação muito grande”, informou.

Agora, vamos falar do João Carlos, casado e com filhos: “Sou casado há quase 30 anos com uma só mulher e temos dois filhos. Profissionalmente me sinto uma pessoa realizada. É um prazer pra gente dizer mais uma vez que nos estamos aqui no ar fazendo o que gostamos e trabalhando para o povo. Isso é tudo pra  gente”, finalizou Dj Carlão.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

Um comentário em “DJ Carlão, a voz do rádio santareno que agita o povão

  • 9 de novembro de 2018 em 11:45
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    Como santareno, me sinto honrado em ter conhecido o início do Sistema Guarany. Lembro dos velhos tempo do Sr. Otávio Pereira, quando morava na Rua Galdino Veloso c/ 15 de Novembro, o tempo do velho e saudoso Jipe..Saudades.. Uma linda trajetória.. Parabéns Carlão..

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