O DOUTRINADOR | Opinião sem Spoiler

O DOUTRINADOR

Por Allan Patrick

O Brasil tem evoluído muito nos últimos anos no quesito cinema nacional, recentemente ganhamos filmes diferentes das comédias feitas pela Globo Filmes ou dos longas feitos para os grandes festivais e que dificilmente chegam às telonas. Para minha felicidade e de muitos amantes do cinema brasileiro estamos sendo transportados para uma nova era em que as produções brasileiras são feitas com maestria e qualidade de cinema fazendo jus a Hollywood, filmes de gêneros diferenciados e bem construídos, como por exemplo, os recentes “As Boas Maneiras”, “Canastra Suja”, “Aos Teus Olhos”, “10 segundo para vencer” e outros.

Infelizmente, são poucos os filmes nacionais de ação que se destacam por conta de qualidade. E para minha imensa alegria, o filme “O Doutrinador” é um deles. Desde que me entendo por gente, sempre sonhei que um dia o Brasil seria capaz de fazer filmes de ação de qualidade, principalmente quando inseridos super-heróis ou anti-heróis. Com uma fotografia maravilhosa e cinematográfica, uma direção visionária e cenas repletas de ação ao melhor estilo Marvel e DC, temos em mãos um filme grandioso de anti-herói que vem conquistando as plateias brasileiras.

Baseado na HQ homônima brasileira criada por Luciano Cunha, e adaptada para os cinemas por Gabriel Wainer, “O Doutrinador” acompanha Miguel (Kiko Pissolato), um agente federal altamente treinado e perito em armas. Ele e sua equipe finalmente conseguem provas contra um governador que está roubando dinheiro da saúde e deixando os hospitais caóticos, mas a corrupção dentro da organização e em todo o sistema causa a libertação do político que ri não apenas da situação, mas também da população brasileira.

Após uma pessoa de sua família ser assassinada, Miguel parte para uma jornada pessoal de vingança e assume a identidade de um vigilante mascarado. “O Doutrinador” resolve fazer justiça com as próprias mãos exterminando políticos e donos de empreiteiras corruptos. Seu maior objetivo é combater uma quadrilha de políticos e bandidos que tomaram a frente da política brasileira e passaram a governar o país pensando apenas em seus próprios interesses.

Mesmo destacando como pano de fundo a situação política deplorável em que o país se encontra, a produção se desenrola através da jornada do nosso protagonista e seu dilema entre ser o mocinho ou o vilão. E essa incerteza do protagonista traz uma trama repleta de reviravoltas e cenas de ação e violência, violência mesmo, cabeças explodindo e sangue voando para todos os lados. Para quem gosta de cenas sangrentas e insanas, o filme é um prato cheio.

O diretor Gustavo Bonafé dirige com maestria as cenas de ação, que constroem um visual moderno e espetacular que remete às produções de Zack Snyder e Joss Whedon, utilizando locações belíssimas e obscuras contrastando com o vermelho da máscara do nosso anti-herói. É uma direção cuidadosa e detalhista, que rende um deleite visual esplêndido. “Nossa que satisfação ver um filme como esse com essa qualidade”.

Mas quem rouba a cena de fato é o ator Kiko Pissolato, que vive o anti-herói, e está espetacular em suas cenas de ação e também nos momentos que exigem uma maior carga dramática. Ao seu lado, no melhor estilo Batman e Robin, Flash e Cisco, Batman e Alfred, Tony Stark e Jarves, está a superhacker Nina, uma garota com um divertido humor ácido que também foi vítima do lamentável sistema brasileiro. A personagem é interpretada pela ótima Tainá Medina, em uma grande atuação. A dupla tem uma ótima química em tela. Marília Gabriela, apesar de pouco aparecer, também entrega uma atuação surpreendente. Para completar o elenco estrelar temos ainda Eduardo Moscovis, Helena Ranaldi, Samuel de Assis e Tuca Andrada.

A única parte negativa do longa está em seu terceiro ato, que se estende demais em subtramas banais e desnecessárias que acabam cansando um pouco o espectador, mas o filme se redime com um final explosivo que encerra a história de maneira extremamente satisfatória e emocionante.

“O Doutrinador” é o cinema nacional em sua melhor face, mostrando que a qualidade das nossas produções chegou ao ponto de fazer jus aos blockbusters hollywoodianos, e que temos potencial para contar histórias interessantes sobre o nosso próprio país e a grande possibilidade de trazermos as telonas heróis das hq’s brasileiras e lendas fantásticas do nosso país. Minha nota 8,0.

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