Realidade do emprego doméstico passa por mudanças

Deputada Benedita da Silva

Parlamentares e especialistas são unânimes em afirmar que a realidade referente ao emprego doméstico está em processo de transformação, ainda que faltem muitos direitos por conquistar. Conforme explicou o professor do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) Joaze Bernardino-Costa, a maior parte das mudanças é resultado de outras transformações maiores por que vem passando o País nas últimas décadas.

Se antes as empregadas domésticas ingressavam na profissão ainda na infância, hoje elas começam mais tarde, muitas vezes depois dos 25 anos, pois têm mais acesso à educação e, consequentemente, a outras oportunidades de trabalho. Nota-se um envelhecimento da categoria, mas ainda há o predomínio de trabalhadoras negras.

“O que provoca as modificações são os acontecimentos sociais. Veja, por exemplo, que a trabalhadora doméstica que mora no trabalho está desaparecendo em decorrência da urbanização do País. A verticalização das residências tem levado ao desaparecimento do quarto de empregada”, observa ainda Bernardino-Costa, que neste ano participou da elaboração de um estudo sobre o trabalho doméstico no Brasil.

Escassez

Por outro lado, há toda uma legislação referente ao setor, o que faz com as pessoas tenham consciência de seus direitos e cobrem seu cumprimento. O não cumprimento dos direitos, na opinião da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), leva a uma carência de profissionais no mercado. A tendência, confirma Bernardino-Costa, é de fato o escasseamento do trabalhador doméstico, mas seu desaparecimento está descartado, pois sempre haverá demanda pelo serviço.

O que falta à sociedade, segundo o professor, é a percepção de que o trabalho doméstico também é gerador de riquezas para o País. Muitas vezes é a contratação de uma empregada doméstica que permite à mulher empregar-se fora. “Se a classe média pagar por fora todos os serviços realizados por um empregado doméstico, ela vai gastar muito mais dinheiro. O doméstico é necessário e deve ser valorizado”, conclui Benedita da Silva.

Da Redação

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