Agricultor denuncia desvio de verbas no INCRA

Ademir Ribeiro, presidente da Associação, faz a denúncia e pede providências

Um denúncia foi feita contra uma servidora, do setor de créditos do Incra. Ela teria chamado o agricultor Ademir Ribeiro Claro, presidente da Associação de Moradores da Comunidade Sete Voltas, localizada no quilômetro 140 da BR-163, de “sem vergonha”. Tudo porque ele denuncia que a funcionária do Incra estaria tentando se auto promover usando o carro e os benefícios que possui, sendo funcionária do setor financeiro do Incra de Santarém.

Em meio às denúncias, surge o nome do empresário conhecido por Carlinhos, proprietário da empresa Fácil Construções, que seria fornecedor dos materiais de construção, mas que somente entregou a metade dos que teria sido encomendado. “Eu já estou com as pernas calejadas, mas não consegui que ele me entregasse o que falta”, disse Ademir Ribeiro. Segundo o comunitário, faltaram 1.300 telhas, 6.500 tijolos, além de outros materiais para acabamento das casas que fazem parte de um programa do Governo Federal. “A funcionária Rose, do setor de créditos do Incra, junto com seu chefe, disseram na minha frente que enquanto eu for presidente da Associação, não vai ser liberado material para mim”, falou.

Segundo o agricultor, eles não explicaram a razão dessa antipatia. Mas ele tem desconfianças que podem ser provadas. “Eles só dão oportunidade para os presidentes de centros comunitários rurais que tem cargo na CAAREAPA – Central das Associações dos Assentados e Assentadas da Reforma Agrária no Estado do Pará”. As denúncias são que as verbas do Incra agora são mandadas para esta Central, não mais diretamente para as associações comunitárias. “O que eles falaram é que tudo agora vai ficar mais fácil, porque o Incra injeta dinheiro na conta da Central; em lugar de ser pelo Incra, como todo tempo foi, agora tudo é resolvido através dessa Central Comunitária”, disse Ademir Claro. ”Acontece que os presidentes de Associações que têm cargo na Central e não beneficiados”. Para se ter uma idéia, é cobrada uma taxa de 15 reais mensal a cada Associação Comunitária que faz parte da Central. Segundo Ademir Claro, quem não faz parte da Central não recebe nada para sua comunidade.

Marlisson Lima Ferrete, presidente da Comunidade Fortaleza, é o presidente, “mas ele também não mora lá”. Para completar, existe a denúncia de que a funcionária do setor de créditos do Incra usa o carro da Instituição para fazer demagogia com os que pertencem a sua `panela´”, falou Ademir. “Essa funcionária fez uma campanha contra a presidente Sebastiana Geni, do Centro Comunitário. Não satisfeita, disse também que vai tomar o terreno da minha filha, que foi dado pelo governo Federal, através do Incra, onde eu moro”, denunciou o agricultor, afirmando: “Eu passo a minha vida lá, quando estou fora é atrás de recursos e benefícios para minha comunidade”, confirmou. E as perseguições prosseguem, sem tréguas, “Nossa energia elétrica, das comunidades Sete Voltas e Cachoeirinha, que estava programada, o presidente da Central, Marlisson Lima Ferrete e o engenheiro do Incra, de nome Samuel, desviaram para a comunidade Poeiral”, denuncia.

De todas as denúncias que faz, Ademir Claro esclarece que tem documentos que provam ser verdadeiros os fatos que narra.

Presidente da Central acusa comunitário – O presidente da Central das Associações dos Assentados e Assentadas da Reforma Agrária no estado do Pará, Marlisson Ferrete, esteve na redação do jornal O Impacto. Ele rebateu todas as denúncias feitas pelo presidente da Associação de Moradores da Comunidade Sete Voltas, Ademir Claro, conhecido por “Raimundão”. “Eu fiquei muito triste com as críticas que ele fez”, disse Marlisson. “Muitos presidentes de comunidades da região podem atestar que existem duas associações irregulares na PA Mojú: da comunidade Sete Voltas, do Ademir “Raimundão” e Aracuzinho, de Sebastiana Geni, e que não vão ser liberados recursos enquanto eles estiverem à frente”, afirmou. “Porque não é justo nós sabermos de toda a irregularidade que existe e ainda pedir recursos para aplicar nestas comunidades”, falou.

Marlisson Ferrete desmente Ademir

Segundo Marlisson, a situação de desvio de recursos na comunidade Sete Voltas é visível: “Se você escutar relatos dos comunitários, vai descobrir que Ademir foi acreditado, recebeu R$ 6.500,00 para colocar areia, pedra e madeira no assentamento e desviou esses recursos”, citou. “Temos notas fiscais que podem provar que ele recebeu este material, inclusive fraudou assinaturas de alguns comunitários que seriam beneficiados”. Marlisson lembra que esteve na comunidade, junto com a funcionária do Incra, Rose. “Arrumamos caminhão de graça para poder levar material aos comunitários. Fizemos mutirão com os comunitários, eu carreguei areia, Rose fez a comida para o povo. Isso é trabalho nosso?”, pergunta. “A gente já faz uma briga com o governo para disponibilizar recursos e, na hora de aplicar esses recursos o cara ainda desvia, e agora vem dar uma de santinho. Isso é brincadeira”, falou Marlisson.

Desvio de energia – Marlisson disse que o problema aconteceu porque não tinha moradores no local, enquanto na comunidade Poeiral 30 famílias seriam beneficiadas. “A comunidade Sete Voltas tinha acabado de abrir o acesso, tinha o Ademir e sua filha Raika”, informou. Quanto a perder o terreno onde mora, “ele não pode ter terreno no nome dele, porque já possui terras no assentamento, enquanto a filha que fez o cadastro, nem mora lá, e a prioridade é para quem mora no asentamento”, esclareceu Marlisson

Com relação a Rose, funcionária do Incra no setor de créditos, “o Raimundão falou para ela, no começo desta semana, pode arrumar sua boroca que a senhora vai sair do seu cargo no Incra”, citou Marlisson, indagando: “Quem é Raimundão para falar isso? Ele é que tem que sair da comunidade, inclusive nós articulamos com o vice (Paulo César) para que ele faça uma assembléia no domingo, na comunidade Sete Voltas, porque senão a comunidade vai ser prejudicada. Enquanto Raimundão permanecer na comunidade, não vai acontecer nada de benefício por lá”, finalizou Marlisson Ferrete.

Servidora se defende – Em relação às denúncias do senhor Ademir Ribeiro Claro, a servidora Roselene Marques Ferreira nega que tenha lançado contra ele ofensas morais. Ao contrário, relata que foi ameaçada dentro da autarquia pelo senhor Ademir e que irá formalizar denúncia na Polícia Federal. A servidora Roselene também nega que tenha informado estar restrito o recebimento de créditos do Incra apenas para comunidades cujas associações sejam filiadas à Central das Associações. Todo assentado em projetos de reforma agrária do Governo Federal tem direito a acessar o Crédito Instalação, nas modalidades Apoio Inicial e Aquisição de Material de Construção.

Em tempo, a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Oeste do Pará informa que irá denunciar, ainda nesta semana, o senhor Ademir Ribeiro à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF) em razão de má aplicação, por parte da Associação que ele preside, de créditos repassados pela autarquia. A suspeita é que assinaturas de assentados e do tesoureiro da associação tenham sido falsificadas, em notas fiscais, para atestar a entrega, que não ocorreu, de parte de material destinado à construção de casas. 

Por fim, o Incra informa que todas as providências estão em curso para que nenhum assentado seja prejudicado, trabalhando para que sejam entregues as casas cujos recursos começaram a ser operacionalizados.

Energia – Com relação à seleção das comunidades do Projeto de Assentamento (PA) Moju I e II, no município de Santarém, atendidas com a energia gerada pelas Micro Centrais Hidrelétricas (MCH’s), o Incra informa que no caso de “Poeiral” prevaleceu o critério de atendimento do maior número de famílias.

Por: Carlos Cruz

Um comentário em “Agricultor denuncia desvio de verbas no INCRA

  • 12 de agosto de 2011 em 11:10
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    Olá bom dia!! tive conhecidos que ganharam terrenos deste projeto do governo e abandonaram os mesmos por serem ameaçados por este tal de Raimundâo, segundo o que pude saber este senhor alem de desviar o material das casas ainda entra nos terrenos durante as madrugadas para cortar a madeira, o IBAMA deveria ir fiscalizar esta bandalheira. durante a noite o que se houve e caminhôes saindo cheio de madeira.

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  • 12 de agosto de 2011 em 09:34
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    Desde quando funcionário faz comida pra colono? Qual o interesse??? Tem história mal contada ai….

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    • 12 de agosto de 2011 em 15:13
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      porque vc nao esta la porque vc nao pega um carro so vc conversa com os comunitarios quer os nomes sr ernei monoel larri paulo cezar valdecir loemy comunidade sete volta pa moju I E II

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