Pai do jogador Michel vive como mendigo em Santarém

Ulisses não quer saber do filho que abandonou quando era recém nascido

No domingo, a torcida grita a plenos pulmões o nome do jogador Michel. Realmente uma consagração para quem tem pouco mais de vinte anos de idade e toda uma vida profissional pela frente. O Estádio Colosso do Tapajós parece vir abaixo, tanto faz se o jovem atleta estiver vestindo a camisa do São Raimundo ou do Leão azul santareno, São Francisco, a torcida consagra porque conhece a categoria de seu ídolo e dos demais companheiros de equipe. Um pouco distante, uma figura quase apagada, conhecida apenas entre os freqüentadores da área ao redor do Mercado Municipal, sem consagração, apenas perambula, sem saber que é responsável por grande parte da alegria do torcedor santareno feita pelo meio campo Michel.

Assim é a vida do quase mendigo e papudinho Ulisses de Sousa Castro, que ao mesmo tempo fala que tem 54, depois 57 anos, na verdade da idade que possui, nem ele mesmo sabe. ”Eu vi o Michel no colo da mãe dele, Carmem, era recém-nascido”. Depois disso Maninho não viu mais o filho. Ulisses Maninho conta que estava baleado, depois de uma briga em que se envolveu, em uma cama de hospital, em Parintins, quando esta cena aconteceu. “Eu era muito novo, 19 anos, por isso não quis saber do meu filho”, diz Maninho, assumindo que ele é quem abandonou o filho e a mãe, dona Carmen. “Um dia ele veio aqui na Praça, tentou me procurar, mas eu não quis ir com ele, não”, confessa Ulisses.

Ulisses, até chegar ao extremo de viver nas ruas, fazendo bicos e praticando pequenos furtos para poder comprar cachaça e dizem alguns, também drogas, aos quinze anos também experimentou a consagração dos campos e o incentivo das torcidas, em um time de Parintins, o Uberlândia. “Eu fazia muitos gols”, diz Ulisses, até que uma desavença com o treinador Manoel Apucino, que tirou ele de campo, fez com que Maninho rasgasse a camisa no meio do jogo e abandonasse o time, encerrando a carreira no futebol, conforme ele contou à equipe do jornal O Impacto.

Michel sente saudades do pai – O meio campo do São Francisco, Michel, apenas sorri       quando falam em seu pai. Um sorriso morno que esconde a tristeza por não ter o pai ao seu lado e saber que conforme ele mesmo diz: ”Não tem auto-estima, muito menos vontade de viver uma vida digna”, conta, “mas enfim, cada um escolhe seu caminho”, diz o jogador conformado. “Meu pai inclusive é daqui de Santarém, onde eu também tenho uma tia”, diz Michel. O jogador conta que sua mãe, Carmen, está em Parintins.

Mesmo vivendo nas ruas, Ulisses é motivo de saudade do filho, pois como ele mesmo diz: “Apesar de tudo, ele continua sendo meu pai e nunca vou deixar de falar isso, mas a vida continua”, finaliza o craque.

Por: Carlos Cruz

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