DEM considera situação de Demóstenes insustentável

Senador é pressionado a dar explicações sobre vínculo com Cachoeira

A cúpula do DEM considera a situação do senador Demóstenes Torres (GO) insustentável dentro do partido e quer que ele vá ao plenário do Senado, já na segunda-feira, para explicar suas cada vez mais complicadas relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Dirigentes democratas consideram que, independentemente da defesa jurídica que vier a ser montada por seus advogados, a saída menos traumática seria Demóstenes pedir logo a desfiliação do partido, evitando o processo de expulsão, como aconteceu no caso do ex-governador José Roberto Arruda (DF).

Os colegas de partido de Demóstenes consideraram que sua situação se agravou muito ontem, com a divulgação de diálogos entre ele e Cachoeira, divulgados pelo GLOBO. Mesmo cauteloso, o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), quando perguntado sobre as revelações que mostram que o senador pôs seu mandato a serviço de Cachoeira, respondeu:

— As revelações trazidas pelo jornal O GLOBO agravam demais a situação do senador Demóstenes, e, se na segunda-feira ele não for capaz de apresentar uma defesa consistente e contundente, a situação dele no partido ficará insustentável.

O presidente nacional do DEM e líder da bancada no Senado, José Agripino Maia (RN), também falou da gravidade das revelações e cobrou a presença de Demóstenes no plenário para se explicar publicamente a seus pares.

— São graves e devem ser esclarecidas. De posse das informações das investigações, Demóstenes tem que ir à tribuna do Plenário. Não pode demorar. A Casa e o partido esperam as explicações. Ele se comprometeu em carta enviada a todos os senadores e tem o direito legítimo da defesa. Eu acho que esse fim de semana é suficiente para que ele prepare suas respostas — disse Agripino.

Mas o advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, informou que eles só tiveram acesso a parte do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal . Os apensos só serão liberados na segunda-feira. Ou seja, não há garantia de que ele terá como se defender na tribuna na própria segunda feira. Ontem, o senador não teria entrado em contato com dirigentes do partido, depois da divulgação de suas conversas.

Além da cobrança do próprio DEM, aumenta a pressão de outros partidos para que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), indique já na semana que vem, e não apenas depois da Páscoa, o novo presidente do Conselho de Ética do Senado. Diante do agravamento do caso, a liderança do PSOL cobrou de Sarney maior celeridade no andamento do processo impetrado pelo partido contra Demóstenes no Conselho de Ética.

Sarney só marcou para o dia 10 de abril a reunião dos membros do Conselho para a eleição do novo presidente do colegiado. O líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), reclamou de manobras protelatórias no Senado para esfriar o caso:

— É uma falta de sintonia total deixar para depois da Páscoa, quando a cada dia surgem dados mais estarrecedores da ligação de Demóstenes com Cachoeira. Essa atitude protelatória não combina com a indignação do povo e só contribui para a má avaliação do Senado.

Quem responde atualmente pelo Conselho é o senador Jayme Campos (DEM-MT), que se declarou impedido de conduzir uma eventual abertura de processo contra Demóstenes por pertencer ao mesmo partido.

— É preciso que o Senado Federal tome todas as providências para apurar logo essa denúncia, que é da maior gravidade — reforçou o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR).

O PSOL também está pedindo ao presidente da Câmara, Marco Maia(PT-RS), que requeira as informações sobre o envolvimento dos deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e Sandes Junior (PP-GO) para que analisem a viabilidade de entrar com processos disciplinares contra os dois no Conselho de Ética da Câmara.

Sobre o vereador Elias Junior (PSOL/GO), que admitiu conhecer e ter se reunido com Cachoeira, ontem logo cedo Chico Alencar o procurou e exigiu que desse explicações cabais. O vereador soltou nota desafiando que provem qualquer ligação sua com

PT pediu à PGR explicações sobre demora para iniciar investigações

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, defendeu nesta sexta-feira a cassação do mandato de Demóstenes Torres e avaliou que, na sua opinião, houve quebra de decoro parlamentar no suposto envolvimento do senador com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Já o presidente do PT considerou que, embora o episódio ainda esteja sendo apurado, tudo indica, pelos depoimentos e gravações, que há uma relação estreita entre o senador e o empresário.

– O Conselho de Ética, se chegar à conclusão de que houve falta de decoro, e no meu entendimento houve, a medida de punição da falta de decoro é a cassação do mandato – afirmou o presidente nacional do PT, que acrescentou: – Tudo indica, pelos depoimentos e pelas gravações apresentadas, que há uma aproximação, uma relação muito estreita entre o senador e o empresário. Se os fatos todos se comprovarem, é preciso que haja medidas legais cabíveis.

Rui Falcão ressaltou que o PT requereu ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel Santos, explicações sobre a demora para iniciar investigações sobre as denúncias contra o senador do DEM. Segundo a Polícia Federal, documentos sobre a relação do senador com o bicheiro foram protocolados na Procuradoria em 2009. No entanto, até hoje, o processo não havia andado. Somente após pressão, a PGR pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apuração do caso. Na quinta-feira, o ministro do STF Ricardo Lewandowski autorizou a quebra do sigilo bancário do senador.
Fonte: O Globo

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