Grupo chinês é investigado por crimes no Pará

Sede da UTR em Belém, montada para servir de fachada

A Polícia Federal investiga o grupo empresarial chinês Sustainable Forest Holdings Limited – SFH (Susfor), por crimes ambientais, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e uso de empresas fantasmas para fraudar licitação florestal.

No Pará, o grupo que tem atuação em várias partes do mundo, teria montado empresas de fachada e fraudado documentos para participar da licitação da Floresta Nacional de Saracá-Taquera, nos municípios de Oriximiná, Faro e Terra Santa, no Oeste paraense, com 429 mil hectares, a primeira a floresta pública licitada no Estado e a segunda do Brasil. Nesta terá-feira (17) , em Santarém, o delegado Gecivaldo Vasconcelos Ferreira ouviu uma testemunha no inquérito iniciado na Superintendência da Polícia Federal de Rondônia, porém não quis dar detalhes por não presidir o caso.

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Após constatar indícios de irregularidades na documentação apresentada pela empresa Universal Timbers Resources do Brasil (UTR) – braço brasileiro da Susfor -, no ano de 2010, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) desclassificou a empresa do então processo licitatório.

Um deles, foi uma certidão negativa da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Belém, sem o selo de autenticidade.

No processo de licitação da Flona Saracá Taquera, o Serviço Florestal Brasileiro fez uma análise contábil das empresas concorrentes e descobriu que a UTR cometeu uma fraude contábil. O parecer de análise das demonstrações financeiras feito por especialista contábil do Serviço Florestal Brasileiro aponta uma superavaliação do Patrimônio Líquido da UTR.

O saldo correto seria R$ 7,6 milhões, contra os R$ 99 milhões declarados pela empresa.

No Acre

Em março de 2010, a Secretaria de Estado de Floresta do Acre enviou à holding chinesa um documento alertando para a disseminação de informações falsas no mercado financeiro.  Segundo o governo do Acre, as informações do “Conference Press” enviado aos acionistas da Susfor como oportunidades de negócios não eram reais.

O governo do estado do Acre desmente uma suposta operação envolvendo a compra da indústria de pisos Triunfo, já que a venda da empresa não poderia ser realizada sem a anuência do governo, pois a mesma possuía contratos de concessão florestal com o governo estadual. A “compra” da empresa teria sido mais uma operação de fachada.

Em Rondônia

O que pode ser o maior golpe do grupo chinês aplicado no Brasil aconteceu em Rondônia. A Susfor é acusada de comprar contratos milionários de extração e aquisição de madeira nas usinas hidrelétricas que estão sendo construídas em Porto Velho, não cumprir os contratos e de ter usado esses contratos apenas para levantar recursos de investidores na China.

A Susfor comprou a empresa Brasileira VP Construtora, que detinha os contratos de supressão vegetal e de aquisição de toda a madeira que seria retirada das áreas dos reservatórios das usinas de Santo Antonio e Jirau, em Rondônia.

Porem, a empresa  nunca pagou pela VP, não cumpriu os contratos e, após dois anos, alegou um prejuízo de cerca de 200 milhões de dólares em seu balanço anual causado pela operação em Rondônia para sair do Estado e deixar um rombo de mais de R$ 30 milhões em dívidas trabalhistas.

No Brasil, quem preside a UTR é Fábio Vidigal, que foi contatado por email e no seu telefone celular, mas não foi encontrado e não retornou nenhum esclarecimento sobre as denúncias.

Fonte: Diário do Pará

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