Dilma diz que prioridade é aumentar investimento em infraestrutura

Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff disse, nesta quinta-feira, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que, após colocar o país no caminho da redução das taxas de juros e da queda na relação entre dívida líquida e PIB, a prioridade do governo é aumentar os investimentos em infraestrutura para garantir competitividade e desenvolvimento, além de reduzir custos de produção. A presidente disse que competitividade do país significa garantir emprego e renda para os brasileiros.

– Elevar a competitividade é condição para que a gente garanta, de forma sustentável, os níveis de emprego, de renda, a prestação de serviços sociais de qualidade a todos os brasileiros e brasileiras. Nem sempre a competitividade significa isso, mas é impossível ter isso sem competitividade. Nós não seremos um país justo se não formos capazes de ser um país competitivo – afirmou a presidente.

Dilma disse que o governo está focado na desobstrução dos gargalos logísticos, energéticos e de custo que dificultam o desenvolvimento. E citou o programa de estímulo a indústria nacional, o Brasil Maior, lançado, segundo ela, quando as condições da economia “eram bastante adversas”. Para a presidente, não só programa permite a melhoria da capacidade competitiva, mas também a relação entre as taxas de juros e de câmbio

– Ao mesmo tempo que promovíamos desonerações tributárias, aprimorávamos mecanismos de defesa dos interesses dos produtores nos fóruns internacionais, adotávamos uma política de preferência de produtos e serviços nacionais na compras governamentais, nós mudamos a relação entre juros e câmbio. Hoje os juros têm um patamar mais civilizado e o nosso câmbio não está na situação que estava há um ano – disse a presidente.

A presidente afirmou que, desde a última reunião do conselho, no ano passado, o cenário econômico se deteriorou muito, e a crise atingiu “de forma bastante profunda” os Estados Unidos, mas “de uma forma muito crônica” a União Europeia e os países do grupo de países em desenvolvimento chamado de Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também sentiram seus efeitos. Dilma disse que o governo está tomando as medidas necessárias para enfrentar a crise, mas pensando no futuro do país.

– Nós não alteramos a receita que nos trouxe até aqui que é estímulo à produção e ao investimento e fortalecimento das nossas políticas sociais. Nosso modelo é de crescimento com distribuição de renda – disse.

Em quase 45 minutos de discurso, a presidente reafirmou o compromisso do governo com o equilíbrio fiscal. Ela disse que, graças a esse compromisso, as taxas de juros no paós estão caindo.

– Temos um compromisso com a solidez fiscal. Somos um país que não comete certos equívocos que vemos as nações antigas da Europa cometerem. Nós temos um solidez fiscal e um setor financeiro robusto, que não esteve imerso numa política de financiamento de dívida, que levou à crise bancária que estamos assistindo na Europa. Graças a esse compromisso com a solidez fiscal, nós criamos o ambiente para que a taxa de juros caísse. Não caiu por um produto de um voluntarismo, é produto de uma longa trajetória que vem de outros governos no sentido de buscar que o Brasil seja um país que tenha capacidade de andar sobre seus próprios pés. Isso implica uma inflação controlada e a redução da dívida líquida sobre PIB. Temos conseguido isso, não há como tergiversar – afirmou.

Ela disse que, desde o governo Lula, a relação entre dívida líquida e PIB vem caindo. Por isso, segundo a presidente, há espaço para reduzir os juros, e os spreads bancários chegarão a níveis condizentes com o resto do mundo.

– Nós vamos chegar progressivamente a spreads condizentes com o que é praticado no resto do mundo. Tudo isso feito, sem prejuízo da estabilidade macroeconômica, do controle da inflação e dessa progressiva da relação da dívida com o PIB. Os números hoje são bem menores do que a gente achava que ia conseguir durante a eleição – afirmou.

Para Dilma, o foco do governo agora é ampliar os investimentos em logística, especialmente em ferrovias, portos e aeroportos, e energia. Para ela, o governo e a iniciativa privada têm de trabalhar juntos para “dotar o Brasil de uma infraestrutura capaz de reduzir os custos de produção e tornar o país mais competitivo”.

– Isso significa mais lucro, melhores empregos – afirmou, defendendo a criação da Empresa de Planejamento Logístico, anunciada há 15 dias.

A presidente disse que até a metade de setembro, o governo anunciará o modelo de concessão de portos e aeroportos. A presidente disse que, além de garantir um padrão dos serviços aeroportuários, o governo terá de cuidar dos aeroportos regionais, levando em conta critérios de movimentação econômica, turísticos e acessibilidade. Ela disse que, em alguns casos, o governo terá de subsidiar o funcionamento desses aeroportos. Portos, segundo Dilma, é uma das questões mais estratégicas do país.

A presidente disse ainda que o governo pretende reduzir o custo da energia elétrica, baseado na reversão das concessões depois de vencidos os prazos. Esse programa, segundo Dilma, deve ser lançado na próxima semana.

Outra ação do governo na área de infraestrutura é na ferrovias. Dilma disse que o governo vai “resgatar as ferrovias”.

– Estamos aquém do que foi feito no fim do século 19 e início do século 20 em alguns países desenvolvidos, que é a construção de um malha ferroviária. A malha ferroviária está aquém do que o Brasil precisa para crescer e evoluir, porque fizemos uma privatização das ferrovias sem consistência. Não queremos mais o monopólio de rede. Compartilhamento de infraestrutura no Brasil é o fim do monopólio no Brasil e o fim do monopólio é o fim de tarifas que não são compatíveis com a estrutura ferroviária – disse.

Fonte: O Globo

 

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