Milton Corrêa

CAMPANHA DA FRATERNIDADE COMPLETA 50 ANOS EM 2013
(Com informações de Canção Nova Noticia e CNBB)
Este ano, a igreja no Brasil estará mais voltada para as temáticas relativas à juventude. Na última quarta-feira de cinzas, 13 de fevereiro, foi lançada mais uma edição da Campanha da Fraternidade (CF), com o tema “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8). Mas além da atenção voltada à juventude, outro motivo de celebração é que a campanha estará completando o seu cinquentenário de fundação.
A Campanha da Fraternidade, coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é realizada anualmente pela Igreja católica, sempre no período da Quaresma. A cada ano é escolhido um tema, que define sob qual perspectiva a solidariedade será despertada, em relação a questões que envolvem toda a sociedade brasileira.
O secretário executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, afirma que um dos papéis da CF é ser um “elo” entre a igreja, os fiéis e a sociedade. “A campanha da Fraternidade é a igreja a serviço da sociedade, é uma evangelização que ultrapassa as fronteiras da igreja e, dessa forma, a igreja cumpre, de fato a sua missão, que é evangelizar de uma forma bem ampla”, explica o padre.
Sobre a celebração aos 50 anos da CF, padre Luiz Carlos revela que este é um momento de “voltar às raízes do espírito que levou ao nascimento da CF”.
HISTÓRICO
Segundo o site Canção Nova Notícias, com informações da CNBB, a história da fundação da CF teve início quando três padres responsáveis pela Cáritas brasileira, em 1961, idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la autônoma financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal (RN), com adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos Bispos norte-americanos.
No ano seguinte, 16 dioceses do Nordeste realizaram a campanha. A princípio não houve grande êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País.
Este projeto foi lançado, em nível nacional, no dia 26 de dezembro de 1962, sob o impulso renovador do espírito do Concílio Vaticano II, o que foi fundamental para a concepção e estruturação da CF. Ao longo de quatro anos, durante as sessões do Concílio, onde houve diversos momentos de reunião, estudo, troca de experiências, nasceu e cresceu a CF.
A QUARESMA JÁ COMEÇOU
A quaresma que começou na, quarta-feira de cinzas, deveria ser essencialmente, o período de um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolheriam em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, ressuscitado no domingo da Páscoa.
E o que os cristãos devem fazer no tempo de Quaresma? Para os que ainda respeitam esse período, é proposto por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: Oração, Penitência e Caridade.
Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, paz e o amor em toda entre a humanidade.
O jejum durante a quaresma, hoje pouco praticado, assim era feito não só como forma de sacrifício, mas também como uma maneira, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus.
A quaresma é, portanto, o tempo de conversão. É tempo para nos arrependermos dos nossos pecados.
Na quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. Por isso, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também, a tomar nossa cruz, com alegria para alcançar a glória da ressurreição.
Para os que respeitam ou não o período quaresmal, que os corações se abram com o jejum para receber Jesus, o Ressuscitado!
MAS O QUE É A QUARESMA?
Segundo do Bispo Roberto McAlister, em seu livro Sete dias, sete palavras, a Semana Santa é a última semana da Quaresma. Desde o século V, a Igreja Cristã tem observado esses 40 dias entre a quarta-feira de cinzas e o domingo de páscoa com especial devoção. Esse período tem significado abstinência, jejum, meditação, oração. Enfim, uma estação de ênfase espiritual.
O Novo Testamento é silencioso quanto à Quaresma, ignorando totalmente as observâncias especiais desses dias considerados importantes no calendário da Igreja. Ela foi, pois, desenvolvida pela tradição.
No século II, um homem santo, Irineu, escreveu sobre seu jejum de 40 horas, correspondente ao período compreendido entre a crucificação e a ressurreição de Jesus. Já no século IV, jejuns foram recomendados pela Igreja durante os 36 dias antes da páscoa. Em 487 a.D., o Papa Félix III acrescentou a esse período mais quatro dias, tornando a Quaresma correspondente aos 40 dias de jejum de Moisés, Elias e Jesus.
Embora tendo aspectos muito positivos, a Quaresma deve ser considerada em termos bastante claros, para não perpetuar uma prática que nada tem a ver com o Cristianismo autêntico.
Diga-se, sem faltar ao respeito, que o desenvolvimento da Quaresma no decorrer dos séculos tem muito a ver com puro paganismo, em face de ênfase estranhas ao Evangelho de Jesus Cristo. Vejamos alguns exemplos:
A concepção de Quaresma como aquele período em que, por meio de exercícios espirituais, se alcança mérito perante Deus deve ser abolida da mentalidade Cristã. A Bíblia ensina claramente que somos salvos mediante a fé, jamais por jejuns, orações ou abstinências de qualquer tipo. A vida eterna é um dom de Deus, nunca prêmios por atos devocionais.
Quando o cristão reserva a sua devoção, bem como a lembrança da morte de Jesus na cruz, somente aos 40 dias da Quaresma, passando os restantes 325 dias do ano esquecido dessas “obrigações”, ele é enfraquecido em sua vida espiritual.
Durante a Quaresma, muitos “cristãos” se privam espontaneamente de certos hábitos de sua predileção, sem, contudo, se entregarem ao Senhor, pela confissão e pelo perdão de seus pecados, voltando, logo após, aos costumes de autoindulgência. Tal “sacrifício” significa apenas uma caricatura sem a menor relevância, a não ser aquele sentimento de dever cumprido.
Por outra parte, assim como o Natal comercializado pode ser de grande proveito para o povo de Deus comemorar o nascimento do Salvador, também a Quaresma significará algo especial para o seguidor de Jesus Cristo. O verdadeiro cristão aproveitará os 40 dias da Quaresma para:
Reconhecer sua total incapacidade de merecer o dom gratuito da salvação eterna por meio de atos de penitência, jejuns ou votos de santidade.
Suplicar a graça do perdão de seus pecados, concedido pela fé na obra de Jesus Cristo na cruz do Calvário.
Confessar pecados que obstinadamente e facilmente invadem a sua vida por meio de pensamentos e de atos, e abandoná-los.
Renovar sua vida devocional de reflexão, meditação e contemplação da pessoa de Jesus Cristo, prática que conservará por todos os dias de todos os anos.
Usar o período da Quaresma para voltar a ler as passagens bíblicas que falam da paixão, do sacrifício e da vitória de Jesus, encontradas nas profecias, nos salmos e nas narrativas evangélicas.
A Quaresma, desta maneira, terá para aquele que é salvo pela graça do Senhor um importante significado, bem como um real valor em sua vida. Esses 40 dias serão assim integrados a uma vida de devoção e serviço perpétuo ao Senhor. Bem observada, ela induzirá a uma consciência viva do sacrifício vicário de nosso Senhor Jesus Cristo.
Sim, sem dúvida alguma, a Quaresma pode significar 40 dias de ricas bênçãos espirituais. Realidades profundas a respeito do Salvador do mundo

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