Penitenciária de Cucurunã realiza mutirão judicial

Advogado José Carlos Andrade, da Susipe, vistoria processos de presos, na Penitenciária
Advogado José Carlos Andrade, da Susipe, vistoria processos de presos, na Penitenciária

O coronel Valter dos Santos, diretor da Penitenciária Agrícola Silvio Hal de Moura, na comunidade de Cucurunã, no interior de Santarém, na região Oeste do Pará, abriu os portões da Casa Penal e fez um balanço do programa de Ressocialização de presos, que recomeçou ano passado quando ele retornou à direção da Penitenciária de Cucurunã. O programa, que tem o objetivo de trazer o detento de volta à sociedade, já beneficiou dezenas de presos de três pavilhões existentes nas instalações internas da Penitenciária. Em imagens nunca antes feitas por um equipe de jornalismo, o coronel PM Valter mostra que em sua administração, a Casa Penal tem suas metas, no triângulo sociológico, formado por itens tais como:  Educação, o trabalho de qualificação profissional e Deus acima de tudo para quem quer realmente buscar a volta à sociedade.

De acordo com o diretor, nesse contexto, muda por completo a concepção de um cenário da Penitenciária que mostrava muros altos e intransponíveis para quem estivesse dentro, sem condições de uma vida melhor.

Mutirão: Por três a quatro vezes no mês, é feito um mutirão na Penitenciária de Cucurunã, onde muitos presos têm oportunidade em buscar solução para suas penas judiciais. O trabalho de mutirão é realizado pelo advogado José Carlos Andrade, que vem de Belém, gentilmente cedido pela Susipe. Uma esperança que se faz presente na vida de quem tenta uma segunda chance de se reerguer perante a sociedade. O mutirão já foi responsável também pela ressocialização de muitos dos detentos, que tiveram revistas suas penas, diminuindo em muito o tempo de validade das mesmas e até propiciando a liberdade no regime semi-aberto.

Detentos assistem pregação feita por membros da Assembléia de Deus
Detentos assistem pregação feita por membros da Assembléia de Deus

O diretor da Penintenciária de Cucurunã, Cel. Valter, enfatizou com entusiasmo que diminuiu bastante o número de detentos reincidentes, ou seja, que voltam ao caminho do crime, apesar do apoio que recebem atrás das grades. Ele disse que, quando assumiu pela primeira vez a Penitenciária em 2001, a meta estava em torno de 80% de reincidências criminais. Atualmente o diretor diz que reduziu para 30%. “Hoje a penitenciária tem 552 detentos para uma capacidade de 360. No semi-aberto, por bom comportamento, estão hoje 142 detentos”, informou o Diretor.

A Rádio Interativa Cristã, que abrange a Casa Penal em horários pré-estabelecidos, serve como instrumento básico no trabalho de ressocialização. Prova disso é que quando nossa equipe estava em visita à Casa Penal, encontrou muitos detentos estavam na capela, onde assistiam pregação evangélica, seguida de curso bíblico. Tudo acompanhado de perto por membros da Igreja Assembléia de Deus e os funcionários da Casa Penal.

Detentas realizam trabalhos artesanais
Detentas realizam trabalhos artesanais

As mulheres: Em um ambiente tido como hostil para quem está fora dos muros, as mulheres que vivem do lado de dentro dos muros, e que sofrem na pele o preconceito, provam que nunca é tarde para sonhar com dias melhores, dando ao lugar antes agressivo e dominado pelo ódio, o sutil toque feminino. Exemplo é que em muitas das celas, a decoração mostra que apesar do aglomerado de camas, colchões e beliches, sempre existe lugar para exercitar um toque de sensibilidade. Isso sem contar com as aulas de artesanato, corte e costura e outras habilidades, que fazem a mulher detenta ter certeza de que, ao sair do limite imposto pela Justiça, os muros do Cucurunã, uma nova vida lhe espera. Basta que a auto estima fale mais alto e não a traga de volta para a ala feminina da Penitenciária Agrícola do Cucurunã.

Coronel Valter Santos e sua equipe torcem para que os detentos de hoje reflitam sobre seus erros e sejam novamente membros da sociedade que um dia os colocou à margem, e prendeu a cada um deles nas teias do preconceito social.

Fonte: RG 15/O Impacto e Carlos Cruz

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