Milton Corrêa

ÉTICA, ESTRATÉGIA E COMUNICAÇÃO NA PASSAGEM DA MODERNIDADE À PÓS-MODERNIDADE

Ailanda Tavares, Joab Ferreira 2. Milton Corrêa 2, Valdilene Araujo 2

“Ética, Estratégia e Comunicação, na passagem da modernidade à pós-modernidade”, é o produto literário de autoria de Luciano Zajdsznajder, que aborda principalmente três pontos: período de globalização unificadora das sociedades do planeta; as condições de perigo que isso coloca a espécie humana e a ruptura modo cultural pós-moderno, relativo ao período anterior – a modernidade.

Nesse contexto, o autor preceitua fatos tecnológicos como: a descoberta do fogo, a invenção da roda e da máquina a vapor, que identificam fases da vida humana. Avança em um projeto político de modernidade, quando define as instituições do Estado de Direito, que destrói e substitui as formas autoritárias e direta ou indiretamente tecnocráticas do poder antigo e afirma, se forma superlativa, a liberdade humana.

Ele ainda explica que para entender a passagem à pós-modernidade, cumpre fazer referência aos projetos político e científico da modernidade e como foram profundamente questionados.

No campo político é destacado o conjunto de anormalidade e superações na modernidade, chamadas também de fontes de desequilíbrio. Essas fontes estão ligadas diretamente a desigualdade social, com a separação radical da política, com problemas organizacionais e com o fortalecimento dos meios de comunicação.

Essas anormalidades mudaram e continuam mudando as tradições políticas. Reconhecemos que ouve a revolução política democrática e também que houve a espetacularização desse projeto.

Ao falar do projeto científico, o autor conceitua que este, concretizou-se de várias formas. No cientificismo, tornou-se uma ideologia que significou uma curiosa retomada da visão nítida. Na modernidade esse projeto assume a razão e a experiência humana como meios decisivos para distinguir entre a verdade e o erro.

Ele também explica que se realizaram institucionalmente nos estabelecimentos de ensino e pesquisa e integrou-se finalmente ao processo produtivo.  Mas, em meio a tudo isso surge a globalização, com a maquiagem de igualdade, mas que na prática torna-se caminho para a destruição da espécie humana, a partir do aparente sintoma de poder bélico, quando da Segunda Guerra Mundial, em 1945, com a destruição pelos Estados Unidos, com as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki, sob os efeitos da bomba atômica.

A partir daí, a globalização com seu poder de voracidade econômica indica três caminhos para a destruição da espécie humana: biológica e ambiental, com impactos globais e a destruição nuclear.

Globalização

Segundo Júlio César Lázaro da Silva, colaborador do site Brasil Escola, graduado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Mestre em Geografia Humana pela mesma Instituição de Ensino Superior, a globalização não necessariamente implica em melhoria das condições de vida da sociedade, sendo que os países pobres estão muito longe de conquistar os benefícios da globalização.

A dependência dos países subdesenvolvidos em relação aos países desenvolvidos aumentou e seus graves problemas sociais não foram resolvidos. A velocidade de recepção e emissão de capitais transgride as fronteiras nacionais e agride a própria soberania de uma nação, impossibilitando a reação imediata a crises ocasionadas pela fuga de capitais, como a ocorrida no Brasil no ano de 1997, devido ao colapso econômico do sudeste asiático ou ainda na crise econômica mundial iniciada no ano de 2008.

Esses questionamentos tornam-se ainda mais desafiadores quando concebemos o Estado como regulador econômico. A capacidade de (não) gerir a informação que decorre dessas novas demandas da sociedade informacional redefine o papel do Estado, que aparece menos como regulador e mais como um mediador das questões presentes no cenário internacional.

Na verdade, as formas de regulação não são mais as mesmas, já que o Estado é obrigado a se transformar, fato comprovado pela atual configuração da União Europeia, onde novas instituições supranacionais foram criadas a fim de gerir uma economia integrada.

Com relação ao capital produtivo, as empresas transnacionais possuem, em última hipótese, suporte institucional de seus países sede e se mobilizam de maneira a condicionar os países periféricos às suas prioridades.

Em contrapartida, observamos que a modernização da produção, em diversas situações, ratifica a globalização das perdas. O aumento bruto da produção nos países periféricos não determina desenvolvimento local, apenas minimiza a problemática do desemprego, deslocando parte da população de países periféricos para serviços pouco qualificados.

Mesmo os Estados Unidos, líderes da economia mundial, estão vulneráveis ao efeito do desemprego em escala global, ocasionado pelas constantes transferências de empresas transnacionais que procuram flexibilizar sua produção e direcionam etapas do processo produtivo para outras localidades.

Dessa maneira, são encontradas diferentes adaptações dos lugares, que podem gerar ações no sentido de uma melhor adequação às transformações, assim como podem ocasionar movimentos de repulsa e ódio à nova ordem vigente.

É num contexto de incertezas políticas e econômicas que são originados alguns tipos de movimentos separatistas e xenofóbicos, assim como o que o ocidente convencionou a classificar como ameaça terrorista. O fanatismo religioso, peça chave para a rede terrorista Al Qaeda realizar os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, oferece um modelo de sociedade onde os valores morais são apresentados como saída para a manutenção da identidade cultural de uma nação e um instrumento de defesa para os desafios que a globalização impõe.

Não aceitar a globalização e estar preso às tradições não necessariamente precisa estar relacionado com autoritarismo e violência. É com base em valores culturais que a sociedade, em diferentes localidades, poderia alcançar uma nova representação da globalização, mais humana e vinculada aos interesses de suas populações.

A pós-modernidade não se apresenta como uma fase consolidada, segundo o autor, mas como um período de transição. É caracterizada como a “era da comunicação”, em contraposição ao trabalho, que marcou a Modernidade. E justamente foi essa dinamicidade conquistada graças aos avanços tecnológicos que propiciou a desconstrução do período anterior.

A família e o Estado passaram a ser bem mais questionados, apresentando diferenças nas formas de atuação. Outras características passaram por intensas transformações também, como a identidade, liberdade, quebra de fronteiras culturais e comerciais e relações pessoais.

Por fim cabe ainda a aplicação da Ética nesse processo de desconstrução tão acentuado e dinâmico, com características totalmente diferentes das encontradas tanto na Antiguidade e na Modernidade. Fica a complicada missão de formar um discurso em meio a um processo de transformação, de transição, em que, aparentemente, a sociedade vive um vale-tudo, em que não há regras nem critérios.

Resenha apresentado à disciplina “Ética na comunicação”, ministrada pelo Prof.ª Dr. Alda Cristina.

Acadêmicos do Curso de Especialização em Jornalismo Científico pela Universidade Federal do Oeste do Pará – Ufopa.

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