A via de Mudança na UFOPA

A via de Mudança na UFOPA

A atual situação em que vive a Ufopa e a primeira eleição para Reitor e Vice-Reitor, revelam duas situações distintas e divergentes: 1) a continuidade de um processo que tem raízes na criação do campus da UFPA há mais de 20 anos e da UFRA a 10 anos em Santarém; 2) a mudança baseada na experiência de antigos e novos servidores que hoje são responsáveis pela formação de inúmeros alunos de mais de 30 cursos que, por sua vez, serão responsáveis pelos rumos de uma região saqueada secularmente. Concentraremo-nos aqui, em analisar o programa encabeçado pela Professora Raimunda Monteiro, que tem como vice, o Professor Anselmo Colares.

Percebe-se que há muito que fazer, dado tratar-se de uma Universidade nova. Fazendo um contraponto, o que pode ser um oportunismo para Situação é uma possibilidade real de mudança com a proposta da chapa Gestão Participativa com Excelência. Não nos iludamos, o trabalho para mudança será difícil, mas agora o desafio requer que se tenha dimensão mais qualitativa e menos quantitativa, isto é: é preciso inserir os conhecimentos parciais e locais adquiridos da experiência até agora, num contexto mais complexo e global (Morin, 2013). Nisto, vemos que os valores defendidos pela chapa Gestão Participativa com Excelência, estão representados de forma coletiva por alunos, técnicos, professores-pesquisadores com experiência em outros centros de excelência e aptos a contribuírem na construção de uma nova Universidade, com maior sintonia com a realidade regional que vivemos. 

Num item do programa da chapa, lê-se: Introdução da visão de que a educação e o conhecimento devem ser avaliados em um sentido mais amplo, em que critérios quantitativos e qualitativos devem ser combinados como parâmetros para a excelência do ensino;”. Segundo Morin, op cit, um conhecimento não é mais pertinente porque contém um número maior de informações, ou porque é organizado da forma mais rigorosa possível sob uma forma matemática; ele é pertinente se souber situar-se em seu contexto e, mais além, no conjunto ao qual está vinculado. Aí temos antigas e novas chaves, em que a educação moderna deve se inspirar incluindo as ideias pedagógicas de muitos educadores como, por exemplo, Paulo Freire e tantos outros, que se dedicam em níveis local e global, a esta temática. Uma reforma da educação de múltiplos aspectos como essa, é inseparável da reforma do PENSAMENTO.    

A proposta que apoiamos é mais ampla e, ter um ambiente com infraestrutura adequada ao ensino, a pesquisa e a extensão com excelência é o norte da concepção de gestão, com uma nova relação de trabalho. Essa visão, traz princípios e valores que são balizadores de uma nova via para a Universidade e para a própria vida de quem a frequenta e a respira no seu dia a dia, principalmente os seus técnicos administrativos, a partir da gestão das pessoas para a valorização do ser humano. Sinceramente, quem lê a proposta com atenção, tem uma sensação: a de que esta perspectiva refere-se a uma construção de um Novo Espírito de Universidade.

As questões que se colocam são: em que consiste essa nova visão ou espírito que serão implantados? Qual é a imagem projetada para o futuro? O que ela difere da gestão vigente?

Isto se refere à política administrativa e de planejamento que coloca o corpo de professores, de funcionários e de alunos como sujeitos importantíssimos dentro de um processo coletivo de construção. Todos serão os agentes que operacionalizarão a mudança e o funcionamento de uma nova mentalidade, que paradoxalmente pressupõe outra reforma: apenas as mentes reformadas poderiam reformar o sistema educacional, mas apenas um sistema educacional reformado poderá formar espíritos reformadores (Morin, op cit).

É claro que a gestão administrativa deve incluir propostas de valorização/plano de cargos e salários para funcionários e flexibilização da carga de trabalho; políticas de aprimoramento e desenvolvimento de Ensino, Pesquisa e Extensão; política de valorização e aperfeiçoamento democrática do Corpo Docente e Discente; condições de infraestrutura que garanta saúde integral e qualidade de métodos e processos de um pensamento integrativo que garantam áreas e práticas para aulas tanto na sede quanto nos Campus do interior. A proposta traz isso e, na descentralização o estímulo às iniciativas darão preferência às vocações sociais e culturais de cada cidade que atuamos, as quais são polos de desenvolvimento sustentável, além de estratégias de pesquisas na região nos diferentes ecossistemas onde identificamos ser a biodiversidade, incluindo os recursos minerais, nossa grande riqueza a ser trilhada, trazendo mais satisfação acadêmica e profissional, sem preconceitos, a partir do diálogo com a sociodiversidade, universalizando as oportunidades

Para que isto realmente ocorra e a Universidade tenha Missão, Valores e Visão de forma objetiva, precisa-se do apoio de todos os que querem olhar para dentro da realidade onde estamos inseridos, apontado a metamorfose, a alquimia, a utopia da UFOPA, sem perder a ternura. Construída de forma coletiva, a educação conduzirá a uma mentalidade capaz de enfrentar os problemas fundamentais e globais.

Votar confiante em uma gestão participativa com excelência, certamente criará uma maior sintonia/identidade com o clamor da comunidade/sociedade para termos a Universidade do Tapajós, do Baixo Amazonas e do Oeste do Pará, da Amazônia e do Brasil com grande qualidade, de verdade.

Referência:

MORIN, Edgar. A via para o futuro da humanidade/ Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013. 392 p.

*Doutor em Desenvolvimento Sustentável/UnB, ex-Coordenador de Extensão do INPA, ex-Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais da UFAM.

Por: Prof. Dr. Jackson Fernando Rêgo Matos – IBEF/UFOPA 

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