Informe RC

AS CONDENAÇÕES TÊM RECURSOS INFINITOS

Comentários do cineasta e jornalista Arnaldo Jabor.

“Qual é a diferença entre corrupção japonesa e corrupção brasileira? Na Toshiba, eles fraudaram U$ 1,2 bilhão em oito anos. Aqui, só a refinaria de Pasadena custou o mesmo de uma tacada só. Lá, o conselho de administração é todo demitido. Aqui, eles não estavam atentos aos bilhões gastos. Ó, gente distraída. Aqui, nossa mão grande é muito maior que as mãozinhas japonesas. Lá é sushi. Aqui é feijoada. Exemplo: a refinaria Abreu e Lima ia custar R$ 2 bilhões e custará R$ 22 bilhões. Lá no Japão não precisa de delação premiada. Lá eles se curvam e pedem desculpas ao povo. Aqui todos negam sempre, como se tudo isso fosse uma alucinação coletiva. Aqui, as condenações têm recursos infinitos, até esquecermos o crime. O que é que esse cara fez mesmo, hein? Aqui, ladrão político tem foro privilegiado. Lá, a lei é igual para todos. Aqui ninguém se arrepende, são cassados e continuam andando de Lamborghini. Aqui, dão facadas no tesouro, mas lá, eles têm vergonha e fazem Harakiri.”

AQUI É DIFERENTE

A companhia japonesa Toshiba, multinacional que atua no setor de infraestrutura e eletrônica, uma das maiores do mundo, anunciou a demissão do presidente, há mais de 20 anos no cargo, membros do Conselho de Administração e da diretoria (22 pessoas) de uma só vez, por terem, numa manipulação compacta, inflado o lucro da empresa em 1,22 bilhões de dólares, o que correspondente a menos de 4 bilhões de reais, irregularidades detectadas na contabilidade sobre produtos de infraestrutura, descobertas por um grupo de analistas independentes. Uma ninharia que poderia passar despercebida diante do que constatou o Tribunal de Contas da União nas prestações de contas do governo, exercício de 2014 na gestão da companheira Dilma. Constataram enxertos (13), chamados de pegadinhas fiscais, com parecer contrário à aprovação do ministro relator, tornadas públicas, que totalizaram acima de 50 bilhões de reais. No Japão, os empresários despedidos estenderam as mãos, baixaram os rostos e pediram desculpas à nação, e ainda vão para cadeia. Aqui no Brasil, com ajuda de aliados, ministros “amigos”, e da Advocacia Geral da União (AGU), querem enfiar goela abaixo dos brasileiros de estar tudo correto.

NÃO OUVE E NEM AJUDA- I

Dezenas de categorias de funcionários públicos federais, inclusive de Universidades e Hospitais, anunciam entrar em greve. Querem reajustes salariais, maioria justa. A companheira Dilma, diariamente, ouve conselho de adversários políticos, do presidente do Senado, da Câmara Federal, governadores com a administração bem sucedida, de aliados e economistas respeitados, para cortar despesas e contribuir com a equipe econômica (Fazenda e Planejamento), que só anunciam da dívida pública ter ficado maior, cortes no orçamento e redução da Meta Fiscal com medidas para tentar tirar o país da situação difícil deixada pelos 12 anos e 6 meses de governo do PT. A população está de ouvidos e olhos cansados de ouvir e ler anúncios de queda de arrecadação, em relação ao ano anterior, das vendas das indústrias e do comércio em geral caírem, com lojas fechando, seguido do aumento da inflação, desemprego e do governo continuar a gastar mais do que arrecada em impostos, um dos mais altos do mundo, e a companheira, que encalhou o barco numa administração mal sucedida, com roubalheira para todo lado, como a praticada contra a Petrobrás, não dá sinais de querer ajudar, cortando de 39 para 20 o número de ministérios, e reduzindo à metade, como sugere o senador Renan Calheiros, os mais de 100 mil cargos de livre nomeação da excelência, com altos salários, ocupados por companheiros do PT.

NÃO OUVE E NEM AJUDA- II

Enquanto isso acontece, a companheira, com popularidade rente ao chão, vai para as rádios e canais de TV exercitar sua conivência com a mentira, ao afirmar aos brasileiros que, a partir de 2016, o país volta a crescer, quando o prenúncio é ser pior do que 2015. A presidente, na terceira semana do mês, com todo o aperto orçamentário e com economia em frangalhos que passa o Brasil, cometeu uma injustiça que pode lhe trazer embaraços, vetou o aumento justo, reajuste de 2009 a 2012, escalonado, dado pelo Congresso aos servidores do Judiciário, que tinha apoio de ministros e do presidente do Supremo. Se a Justiça mal remunerada recebe esse tratamento, imagine as categorias que ameaçam grevar. Esse veto ainda vai ser apreciado em agosto por deputados e senadores. Caso a presidente mantenha a sua decisão e, por antecipação, não dê a sua cota de sacrifício à Nação, como tem dado às famílias de poucos recursos, convivendo com inflação e o desemprego, na esperança de um amanhã melhor, esse melhor, amanhã, vai custar a chegar.

ESCONDIDINHO

Coisas miúdas continuam causando desgaste político ao prefeito Alexandre Von (PSDB), candidato à reeleição nas municipais de 2016. Desta vez, a culpa não recai em funcionários do 2º e 3º escalão da administração, e sim “fruto genial” do Conselho Municipal de Trânsito. Nesta 2ª quinzena do mês, o gestor assinou o decreto nº188 de 6/2015, acabando com a conhecida Tarifa Domingueira, criada no início do governo (2005 a 2012) da ex-prefeita Maria do Carmo (PT), que concedia aos usuários de transporte coletivo (ônibus), desconto de 50% em domingos e feriados no valor normal das tarifas. Nada a nada quem perde com isso é a população pobre. O Alexandre devia revogar a medida impopular e mandar apurar os comentários de condutores de carros e motos que acusam a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMMT) de ter implantado, no órgão, a indústria da multa, onde fiscais da SMMT estão sendo chamados de “escondidinhos” por ficarem escondidos, esperando quem comete infração para multar.

SAI CARMONA CABRERA, ENTRA TRAGSA

Recente, o prefeito Alexandre Von recebeu, em seu gabinete, uma visita ilustre, o embaixador da Espanha no Brasil. Ninguém recebe um personagem importante por acaso. Na companhia do diplomata, conforme divulgou a imprensa, figuras de relevo da diplomacia exercendo funções importantes, lotados na embaixada em Brasília, e o secretário geral da Tragsa, empresa espanhola de capital aberto, que, de acordo com a Caixa Econômica, segundo o embaixador, vai substituir a Carmona Cabrera que, em dezembro de 2013, fugiu da responsabilidade, abandonando as obras do Conjunto Residencial Moaçara I e II, deixando operários, funcionários e fornecedores sem pagar, que procuraram a Justiça do Trabalho, onde dorme uma penca de vários milhões em processos de condenações para serem quitados, acontecendo o mesmo em Marabá, Itaituba e Ananindeua, onde a Carmona virou ré na Justiça. O embaixador comunicou ao prefeito a retomada das obras do residencial e das de saneamento que vai executar em vários bairros, a começar da Orla em frente à cidade, interligando a futura rede coletora de esgoto do centro da cidade à estação de tratamento a ser construída no bairro do Mapiri. Até aí, tudo bem, que a espanhola Tragsa termine o que não foi feito, embora sua antecessora tenha recebido recursos do governo para isso. Estranho é o comportamento da Caixa em não intervir, junto à espanhola, para quitar os débitos contraídos em Santarém.

FRUSTRAÇÃO

Senadores do “Senadinho” das laterais da Garapeira Ypiranga, na Praça da Matriz, onde não existe recesso, trabalham diariamente, simpáticos à candidatura à prefeitura da promotora de Justiça Maria do Carmo, nas municipais de 2016, lamentaram, na sessão de quarta (29), da ex-prefeita não ser mais candidata por não ter pedido sua aposentadoria do Ministério Público do Estado, o que pode deixar a eleição sem motivação, pela pobreza eleitoral dos pretendentes que, através das redes sociais, anunciam disputar, alardeando ser o 1º colocado nas pesquisas encomendadas, como se os eleitores de Santarém não fossem esclarecidos e nem soubessem distinguir o bom do ruim. Sendo assim, aumentam as chances de reeleição do prefeito Alexandre Von, não que tenha prestígio e atenda aos eleitores, como devia, o que não faz, e sim pela escassez de votos e cegueira política de seus futuros concorrentes. O que não aconteceria com Maria do Carmo na disputa, o pleito seria competitivo, já que as eleições seriam num turno. O eleitor vota e no mesmo dia, à noite, sabe o nome do vencedor. Esse tipo de eleição, no meu bairro, o povo chama de barbada.

OBRAS QUE MARCAM

Provavelmente em agosto, antes das festividades do Sairé, na Vila de Alter do Chão, o governador Simão Jatene deve estar inaugurando, no município de Alenquer, a ponte em concreto sobre o rio Curuá, toda pavimentada com 360m de extensão e 10 de largura, construída com recursos do governo do Estado. Sonho antigo dos ximangos que, enquanto o asfaltamento beneficiando centenas de comunidades e a energia de Tucuruí não chegam, vai desenvolver economicamente os municípios situados na PA 247, região da Calha Norte, interligando de Oriximiná a Prainha, cortando as cidades de Óbidos, Curuá e Monte Alegre e, futuramente, chegar à capital do estado do Amapá, Macapá. Esperar para ver obras como essa, do Hospital Regional de Santarém, do complexo universitário da UEPA, com curso de Medicina, e do Hospital de Itaituba (em construção) vão marcar por séculos o nome do governador. Ainda dizem do Jatene não ter feito nada pela região. Em Alenquer, o povo é bom, de ruim só tem o prefeito que, em outubro de 2016, vai ser descartado pelo voto.

NO FINAL, FICA TUDO EM NADA

Desvio de recursos destinados à reconstrução e reformas de escolas, há muito tempo virou banalidade em estados e municípios. Raro dia, na mídia, que não é anunciado de prefeitos e secretários de Educação ter sido pegos nessa prática. Maioria não é punida, quando muito, levam uma prisão preventiva para não obstruírem as investigações por 5 dias e um inquérito administrativo para “inglês ver”, e vão responder em liberdade, que tem tudo para ser eterna. Assim como ocorre em órgãos federais, estaduais e municipais. Neste mês, no Paraná, a Polícia Civil prendeu 5 pessoas, entre os quais um ex-diretor do Departamento de Engenharia e Projetos acusado de desviar duas dezenas de milhões da Secretaria de Educação do Estado que deveriam ser usados na construção e reforma de 10 escolas, mas as obras não foram concluídas, algumas mal saíram do papel. Engenheiros confessaram, na Polícia, que, pressionados pelo ex-diretor, assinavam laudos sem visitar as obras. No Brasil, roubar não é somente verbo e sim objeto de uso comum.

VIOLÊNCIA SEM FIM

Na pequena cidade de Benevides, próximo a Belém, maioria dos residentes se deslocou para a rodovia (BR 316), que corta a área urbana, e fecharam o trânsito por 4 horas, ocasionando um congestionamento de 30 km. Foi preciso um helicóptero, fazendo rasantes, para dispersar a manifestação. O que queriam? Protestavam contra a falta de segurança, gangues, roubo, mortes, droga e a violência enfrentada diariamente pelas famílias. Isso está acontecendo em centenas de cidades do país. Em Manaus, entre a noite de sexta (17) e o amanhecer de segunda (20), foram registrados 35 assassinatos. Policiais estão sendo acusados de cometerem os crimes. Santarém, obedecendo às devidas proporções da capital amazonense, está atravessando situação idêntica. A marginalidade está tomando conta da cidade e comunidades de colônia, gerando intranquilidade a milhares de famílias, no que pese os esforços dos delegados da polícia civil, fora acidentes de carros, roubo de motos e assaltos seguidos de mortes. Semana passada, próximo à UFOPA, na Av. Presidente Vargas, pela parte da manhã, um idoso de 63 anos foi assaltado e morto a tiros ao negar entregar cordões de ouro que usava no pescoço aos bandidos. O ruim é essa violência não ter fim, só aumenta.

ATOS E FATOS

BOM CAMINHO – O Brasil, como caminha hoje de mãos dadas com a inflação e o desemprego e com a economia abaixo de zero, pode ser a Grécia de amanhã. – POR BAIXO – Cálculos mais otimistas estimam que corruptores e corruptos envolvidos no assalto aos cofres da Petrobrás tenham desviado 20 bilhões da estatal. – PIOR DE TODOS – Quem acompanha rolos políticos, o ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, com curso de gatunagem na Cooperativa dos Bancários de São Paulo (BANCOOP), preso nas dependências da Polícia Federal em Curitiba, foi o mais corrupto guardador e recebedor de dinheiro do país. Delúbio Soares, condenado no processo do Mensalão, perto do seu sucessor, era uma moeda de 5 centavos no meio de muitas cédulas de 100. – O PIOR ESTÁ A CAMINHO – Previsão do ex- presidente Lula diante dos mandados de busca e apreensão feitos pela Polícia Federal a mando da Justiça na horta eleitoral do senador Fernando Collor: preparem-se porque as coisas vão ficar “pior”. – OPINIÕES DIVERGENTES – Da presidente Dilma: eu não vou cair. Eu não vou. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. Do senador Aécio Neves: uma presidente da República que vem a público dizer que não vai cair é uma presidente que não se sente segura no cargo.

PERGUNTAR NÃO OFENDE

O que vai terminar 1º: a reforma da estação de passageiros e cargas do aeroporto Wilson Fonseca ou a revitalização da Praça Tiradentes?

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