Tragédia em Gurupá, no Marajó, expulsa ambientalista

Sítio Jacupi
Sítio Jacupi

Sempre brinquei com a presença improvável, como morador com residência fixa, em Gurupá, do antropólogo francês Jean Marie Etienne Royer, de quem me tornei grande amigo. Homem culto, muito afável, gentil e simpático – outras improbabilidades em se tratando de um francês.
Após retornar da França quando a sua esposa, a adorável Benedita, cabocla gurupaense não se adaptara ao clima da costa mediterrânea da região de Marselha, investiu tudo o que tinha comprando uma pequena faixa de floresta dentro da área urbana de Gurupá, e preservando as várias nascentes que ali existiam. Isso o fez tornar-se a única referência em ambientalismo e ecologia naquela região.
Os professores das escolas públicas davam aulas de meio-ambiente e ecologia levando os alunos em passeios ao Sítio Jacupi, nome dado carinhosamente ao local. Qualquer visitante mais refinado que chegasse a Gurupá era levado ao Jacupi, onde se podia ouvir boa música, comer comidas diferentes, e ficar “dentro da natureza”, de molho em igarapés ou no próprio Rio Amazonas.
Mas pessoas com poder político e econômico se incomodavam com o francês: o Sítio Jacupí, com seus mais de 1 milhão de metros quadrados de floresta preservada impedia que a especulação imobiliária se estendesse; tornou-se barreira à devastação das outras áreas mesmo além-Jacupí.
Vereadores, empresários e outros grupos nada edificantes premiados com verbas para os projetos “Minha Casa Minha Vida” foram “prejudicados”, porque terrenos valiosos, como o próprio Jacupí, não podiam ser devastados. Era necessário expulsar Jean Marie de Gurupá.
Tornou-se diária toda forma de perturbação usando pequenos delinquentes: invasões, ameaças, ofensas, furtos. Até que há 3 anos a esposa Benedita foi assaltada dentro da propriedade. Brutalmente espancada, sofreu grave concussão por violentas coronhadas, que a seqüelaram com problemas neurológicos até hoje.
Ontem (quarta-feira), um grupo formado por cerca de 10 adolescentes e adultos invadiram a propriedade e tentaram entrar em sua casa, onde estavam a esposa, uma filha adolescente e outra de 24 anos. Desesperado, Jean Marie atirou pra cima, tentando intimidar os agressores. Um adolescente de 14 anos, que fazia parte da invasão, mas estava oculto em um galho, foi atingido e faleceu.
Os invasores retrocederam, mas retornaram com uma horda que, disposta a matar a família inteira, roubou tudo o que havia na casa e depois ateou fogo, destruindo tudo.
A polícia protegeu a família que se refugiou na delegacia, ameaçada até altas horas da noite de linchamento. O comando da PM enviou reforço de Breves, que os resgatou. No final do dia de hoje (quinta-feira), o juiz de direito da Comarca de Gurupá, concedeu liberdade provisória a Jean Marie, que responderá o processo em liberdade.
Então, Gurupá poderá seguir a sua história de devastação sem mais nenhum percalço.
Texto: Ismael Moraes (advogado)
Fonte: Ver-O-Fato

Um comentário em “Tragédia em Gurupá, no Marajó, expulsa ambientalista

  • 2 de setembro de 2015 em 11:16
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    advogado e pago pra mentir mesmo mas voce ja esta exagerando todos sabem da verdade mas o mundo gira e ate as pedras podem se encontra

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