Santarém está perdendo sua identidade cultural

Edmárcio Paixão diz que a gestão pública tem que fortalecer a cultura local
Edmárcio Paixão diz que a gestão pública tem que fortalecer a cultura local

 “O maior prazer do artista é poder ser reconhecido dentro da sua obra, não ele por si, mas sim a sua obra”, assim afirmou à nossa reportagem, o professor especialista em arte-educação e gestor cultural, Edmárcio Paixão, sobre as suas reflexões a cerca da cultura santarena.

“Durante 20 anos da minha vida, acompanhei várias propostas de mudanças para a Cultura em Santarém, porém, todas apropriaram-se das velhas e corriqueiras negociações partidárias, alicerçadas na inércia por falta de planejamento e conhecimento real da vida cultural. Sei que todos almejam o pleno direito de acesso à Cultura, já que o mesmo é direito de todos, sobretudo, a concretização de uma política pública que ofereça dinamicidade às produções culturais”, explica Edmárcio, acrescentando que, “todos os questionamentos apontados durante esses anos levaram-me à construção de uma problemática: A Cultura é uma questão de cultura?”.

Para ele, a resposta aos questionamentos acima, levando-se em consideração o ponto de vista filosófico, leva-o a crê, que várias indagações surgem mediante às possibilidades de respostas e explicações para tal problemática, contudo, afirma, “ficarei com uma simples e sincera tentativa de discussão sobre o tema: ‘A Cultura exerce força para quem conhece sua história. Todos somos formadores da Cultura, todavia, nem todos somos conhecedores de Cultura’. Esperamos por uma comprometida proposta de gestão, que hoje se torna um plano de ação para Cultura em Santarém. A mudança é necessária, pois, rupturas são marcos na história, vale saber o que queremos marcar”, questiona o gestor cultural.

Segundo Edmárcio Paixão, trabalhar a cultura em Santarém apenas em termos de calendário de eventos, acaba enfraquecendo a cultural local.

“Dos anos que acompanho a cultura santarena, o que me chama a atenção é a forma de organização. Fica evidente que falta um planejamento cultural. Nos últimos vinte anos, as coisas aconteceram de forma empírica, de se tentar fazer algo, não tem uma base fundamentada de um planejamento de ações visando uma política pública. O que podemos observar, é que tudo que foi trabalhado, foi em cima de calendários de eventos. Não tenho dúvida da importância dos eventos, porém, para que eles sejam solidificados e fundamentados, deve-se existir uma proposta de formação, de financiamento, de estruturas. A gestão da cultura deve acontecer na questão da capacitação e formação dos profissionais para que eles possam contribuir dentro de um evento solidificado, um evento fundamentado. Por outro lado, temos que pensar e trabalhar as políticas de financiamento. Construir assim uma ferramenta que realmente possa dinamizar essas produções culturais na nossa cidade”, informou Edmárcio.

Questionado por nossa equipe de reportagem, sobre o processo de importação e a perda da identidade cultural em nosso Município, o produtor cultural expõe que tudo faz parte de um processo, que no decorrer dos anos vem se solidificando.

“Santarém, de algum tempo pra cá, vem sim perdendo um pouco da sua identidade cultural, como eu sempre digo, a cultura tem um passado formador, ela forma, ela é base, mas precisamos de um futuro inovador. Porque surgem novos talentos. Jovens ganhando festivais de músicas autorais, festivais de teatro, que precisam ser encaminhados por políticas contínuas. Que não seja destinado apenas para o pensar do evento em si, mas que tem de ter um preparo, e assim, o próprio artista tenha essa articulação dentro do conteúdo dele. Santarém tem uma força cultural imensa, a força cultural que eu digo não é somente da arte em si, falo da força cultural que o  nosso povo tem, o  nosso acolhimento, as belezas naturais, enfim, uma força muito grande que precisa ser valorizada, e pensada como um valor central. O município tem perfil para o turismo, de nível internacional. Apenas precisa ser considerado prioritário. Onde a cultura faz parte deste contexto. A cultura é tão importante quanto a educação, porque ela também é formadora. Santarém é um celeiro cultural de artistas de vários segmentos da arte. Porém, o que necessita é justamente, termos a força, mas até hoje não conseguimos colocar em evidencia. Necessitamos de um governo que venha a pensar nisso. Fortalecer aquilo que nós temos de melhor, que é a nossa identidade. Cultura só dá certo no momento em que você está começando a exportar as suas produções, enquanto você ficar somente importando, é sinal de que alguma coisa não está acontecendo a contento”, afirma Edmárcio Paixão.

Apesar do movimento intenso de produções culturais, principalmente em relação aos festivais de músicas e de teatro, vários artistas santarenos têm percebido de alguma forma a falta de valorização.

De acordo com eles, o Sairé deste ano foi marcado por desorganização e pouca presença de público. O tradicional carnaval na orla da cidade já não possui o mesmo brilho de anos anteriores. E o principal palco cultural da cidade, a Casa da Cultura, está prestes a desabar na cabeça dos artistas e do público que a frequenta.

Muitos aspectos devem ser levados em consideração ao falarmos de cultura, em especial, a ‘santarena’. No torrão onde nasceram ícones culturais para o Brasil e para o mundo, como Sebastião Tapajós, Dica Frazão, Laurimar Leal e Wilson Fonseca, entre outros tantos, o professor e arte-educador Edmárcio Paixão deixa sua contribuição. E você amigo e amiga leitor(a), qual a sua visão sobre o tema? Visite nosso site, e deixe também a sua opinião (www.oimpacto.com.br).

Por: Edmundo Baía Júnior

2 comentários em “Santarém está perdendo sua identidade cultural

  • 28 de outubro de 2016 em 11:52
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    Parabens Edmarcio, sabias palavras de fato a identidade cultural de um local nao pode ser perdido, precisamos de mais investimentos na area cultural e menos tabulacoes de calendarios.

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  • 28 de outubro de 2016 em 11:13
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    Bem, cultura é formada por referências positivas, enaltecedoras, nobres,e de percepção imediata pelos da terra.Em termos de referenciação,ainda não conseguimos nem mesmo identificar os logradouros da Cidade,todos sem placas, enquanto nossos representantes dormem em berço esplêndido !

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