OAB investiga denúncia de maus-tratos

Inspetora ambiental Edna Monteiro fez a denúncia e Jaqueline Costa diz que OAB está investigando Por: Edmundo Baía Júnior

Uma possível deficiência de infraestrutura e alimentação pode estar ocasionando dificuldades no atendimento satisfatório de alguns animais que estão no zoológico de uma de Instituição de Ensino Superior em Santarém, oeste do Pará.

Nesta semana, a Comissão de Direitos dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) realizou uma vistoria no ZooFit, para apurar denúncias de possíveis maus-tratos aos animais. A visita da comissão da OAB/Santarém ao zoológico foi motivada inclusive por denúncias recebidas nos últimos dias sobre a falta de estrutura e alimentação inadequada.

Advogados visitaram o zoológico para fazer uma inspeção, e segundo informações, o que mais preocupou foi a questão da estrutura do espaço. “Não foi constatada a falta de alimento, apenas a questão da infraestrutura. É objetivo da Comissão e da OAB manter o funcionamento do zoológico, mas com segurança para os funcionários, visitantes e o bem estar e saúde dos animais que ali estão”, disse Dra. Jaqueline Costa, representante da comissão de Defesa e Direitos dos Animais da OAB/Santarém.

Imagens que foram divulgadas nas redes sociais na semana passada fizeram o alerta para a população, sobre as condições em que os animais estavam sendo atendidos. Em parte da divulgação, observa-se o seguinte texto: “No zoológico de Santarém, as onças estão magras! Cinco onças num ambiente muito pequeno, fora a onça pintada que vive esperando por sua casa que nunca é construída por falta de verba. Hoje, nas ‘jaulas’ de todos os animais (macacos, quatis, jacus), só havia milho”.

A informação foi divulgada pela inspetora ambiental, Edna Monteiro. Ela diz que visita com frequência o zoológico. “Quando eu publiquei isso eu queria sensibilizar as          pessoas para arrecadarem dinheiro para construir uma casa maior para os animais, porque são cinco onças em um ambiente pequeno, não tem vegetação, lá na lagoa não tinha água, onde elas se refrescam e bebem água”, informou.

A postagem de Edna nas redes sociais ganhou repercussão com diversos compartilhamentos e vários comentários a respeito do assunto. Ela disse ainda que tudo começou ao visitar o local há algum tempo, ao ver que tinha alimentação para os animais e ao retornar no último domingo, percebeu que já não havia mais comida suficiente. “Eu queria esclarecer isso, eu tive dúvida, na minha postagem eu coloquei ‘isso é uma espécie de dieta? Nos recipientes dos animais tem somente milho”. Argumentou.

De acordo com a comissão da OAB/Santarém, uma das constatações, foi a situação de um jacaré-açu, que está em um ambiente visivelmente pequeno para o tamanho da espécie.

ENCAMINHAMENTOS: Segundo informou a Comissão da OAB/Santarém, após a vistoria, um documento foi enviado à instituição responsável pelo espaço, solicitando esclarecimentos sobre o caso, bem como aos órgãos ligados ao meio ambiente, como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). “De posse dessas informações, a OAB vai decidir quais medidas adotar”, conclui Jaqueline.

ESCLARECIMENTOS: Em nota encaminhada para nossa redação, a direção da instituição Fit/Unama, mantenedora do Zoológico, informou em nota que todos os animais acolhidos no local são tratados por profissionais especialistas, recebem alimentação adequada e monitoramento contínuo. Mesmo sendo particular, que não conta com o apoio financeiro de nenhum órgão ou empresa, o espaço recebe, sem restrições, todas as espécies encontradas na região e trabalha para que todos possam se recuperar e serem devolvidos à natureza.

Ainda segundo a instituição, o zoológico mantém estoques de alimentação para todas as espécies, respeitando as avaliações dos biólogos e veterinários do local. No caso das onças, a fêmea apresenta condição de baixo peso por estar amamentando e já a outra espécie não estava conseguindo se alimentar, haja vista que as outras onças não estavam permitindo.

A instituição esclarece que a onça já está se alimentando normalmente. A nota ressaltou ainda que há uma proposta para reforma estrutural para o zoológico, mas esse tipo de ação demanda atenção, cuidado e recursos financeiros, uma vez que, hoje, o local é mantido, exclusivamente, com recursos próprios da instituição.

REFERÊNCIA: Nos últimos anos o ZooFit tornou-se referência na Amazônia quando o assunto é o trabalho junto à fauna. É referência nacional no atendimento a peixes-boi, espécie ultra ameaçada, mesmo assim, o importante trabalho desenvolvido pela instituição particular, não conta com o apoio de órgãos públicos de forma efetiva. “Todas as vezes que passo férias em Santarém, vou até o zoológico para ficar mais próximo da natureza, reconhecendo assim a sua grandeza, que a cada dia está mais ameaçada. Penso que o trabalho desenvolvido por esta instituição é de fundamental importância”, disse o funcionário público José Antônio.

PODER PÚBLICO: Os frequentadores do espaço são unanimes em afirmar que o trabalho desenvolvido pelo ZooFit é de extrema importância, não somente para Santarém e oeste do Pará, mas também para a Amazônia. “O Poder Público deve apoiar causas como esta. Além de realizar o trabalho relevante junto à natureza, o espaço tem potencial turístico que deve ser priorizado no planejamento temático. Com isso ganham todos: a natureza, a população e os turistas”, diz Vilma Assis, turista do Amazonas que visitou o ZooFit.

Por: Edmundo Baía Júnior

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