Empresário denuncia concorrência desleal com apoio da Arcon

Sebastião Lima diz que Arco em vez de organizar, faz é contribuir para gerar mais desorganização.

Somadas as questões que regulamentam ess tipo de prestação de serviço fiscalizadas pela ARCON ((AGÊNCIA REGULADORA NO CONTROLE DA NAVEGAÇÃO), com a crise financeira que ainda se faz presente em nosso País, a linha fluvial de barcos Santarém/Itaituba/Santarém teve drástica redução de barcos, diminuindo de 11 para cinco.

Em entrevista à nossa reportagem, o proprietário do Barco Motor Natureza, Sebastião Lima, atribui os problemas dessa linha a ARCON, que segundo ele deveria fiscalizar melhor, ilustrando como prova desse descaso a entrada abrupta, repentina de uma nova lancha que está saindo no mesmo horário das outras, às 13 horas.

Sebastião Lima, que foi o pioneiro nas reinvindicações de regulamentação da Linha, não entende a ARCON que ao invés de ajudar a organizar faz é contribuir para gerar mais desorganização. Sabá, como é conhecido, se diz decepcionado, pois há muitos anos levantou a necessidade da vinda da Arcon para Itaituba, exatamente em função da bagunça que reinava na navegação local e hoje a Arcon permite que uma lancha sem nenhum processo legal, de forma unilateral, entre na linha saindo às 13 horas quando já há outras lanchas exercendo essa função nesse mesmo horário. Sabá entende que a entrada da lancha foi uma decisão meramente política, de quem desconhece nossa realidade.

Outra crítica de Sebastião Lima é o fato de que apenas os barcos são regulamentados para transporte de cargas e passageiros, por se tratar de transporte misto, mas segundo ele, algumas lanchas também transportam cargas quando só pode conduzir passageiros. Outro agravante com a entrada da nova lancha é que eles no afã de ganhar mais passageiros saem juntas em alta velocidade colocando em risco a vida dos passageiros, inclusive uma denúncia com fotos foi feita à Capitania dos Portos, que não teria tomado nenhuma providência.

Sebastião Lima chama a entrada da nova lancha, de concorrência predatória, considerando que a Lancha Ana Beatriz, do vereador Ney Santana, foi beneficiada pelo viés político do Estado, por não precisar se submeter às mesmas regras legais que as demais empresas que operam no setor.

O empresário do ramo da navegação admite que quem está salvando ainda as empresas de navegação é o transporte de carga, porque com a crise reduziu consideravelmente o número de passageiros, mesmo com o preço das passagens sendo bem menor do que viajar de lancha que recentemente aumentou de oitenta para cento e nove o preço da passagem. Comparando que a lotação, por exemplo, do seu barco é de 145 passageiros e ocupando essa lotação em média com 10 ou 20 passageiros, o que torna inviável a atividade, tanto que apenas quatro empresas continuam operando no trecho incluindo o Barco Motor Natureza, de sua propriedade.

Quanto à política de preços no trecho entre Itaituba-Santarém, indagado se o aumento exorbitante praticado pelas lanchas não promoveriam uma migração dos passageiros das lanchas para os barcos, Sebastião Lima disse que não influenciou quase nada, tanto que os barcos continua saindo lotados de cargas e vazios de passageiros, acreditando que as pessoas que deixaram de viajar nas lanchas estariam preferindo viajar de ônibus, apesar de entender que o transporte com maior segurança hoje são os barcos que registram zero de acidentes na região.

Sobre o período áureo da chamada vaca gorda, para Sebastião Lima, até 2014 estava favorável, mas nos dois últimos anos incluindo início de 2017 o cenário econômico no setor tem sido sombrio, devastador.

Sebastião Lima, que sempre se dedicou à causa da navegação, reitera nesta entrevista sua decepção com a política, considerando que o segmento da navegação briga por regras e leis justas e aí a própria ARCON, órgão responsável pelo cumprimento das leis, de maneira contraditória vem e baderna tudo, aceitando entrada de lanchas à revelia, gerando concorrência desleal e predatória para quem está regido pelas forças da lei, cumprindo as normas.

Por: Nazareno Santos

Fonte: RG 15/O Impacto

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