Moradores do residencial salvação prometem retirar hidrômetros

Não é de hoje que os moradores do residencial Salvação estão reivindicando às autoridades que determinem uma solução para o grave problema ocasionado pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Os consumidores reclamam das altas taxas cobrados pela companhia. Eles alegam que não tem sentido, em um Projeto criado para beneficiar a população de baixa renda, terem que pagar uma tarifa, que na maioria dos casos ultrapassa o valor pago por eles pelo financiamento das unidades habitacionais.

Indignados com a situação, os moradores já realizaram vários protestos, tais como fechamento da rodovia Fernando Guilhon, e diversas reuniões com os vereadores. O estopim para o próximo manifesto, que, segundo eles, será a retirada de todos os hidrômetros das residências, – caso nos próximos dias não seja tomada um providência para o caso-, foi a não presença de nenhum representante da Cosanpa na audiência pública realizada na terça-feira (21), na Câmara Municipal de Santarém.

CÂMARA E GOVERNO COGITAM RESCINDIR CONTRATO COM A COSANPA: Moradores do Residencial Salvação, representantes de instituições como OAB/Subseção Santarém, Prefeitura, representantes da Celpa Equatorial e vereadores se reuniram na Câmara Municipal de Santarém nesta terça-feira, 21/02, na sessão “Tribuna Livre” para tratarem do problema dos valores altos das tarifas de energia e água que estariam sendo cobrados aos consumidores do conjunto habitacional. Apesar das reclamações apontarem para os dois serviços, as discussões foram direcionadas principalmente à concessionária de abastecimento e saneamento.

Paula Picanço, 25 anos de idade, mora no residencial desde 16 de maio/2016 com o marido e dois filhos. Ela afirmou que a companhia tem cobrado “tarifas absurdas, além disso pagamos mais de 60% de esgoto, e para quem ganha um salário mínimo essa situação é preocupante”.

Ainda segundo a moradora, um hidrômetro foi instalado na casa dela em agosto/2016 pela empresa construtora do residencial, mas no final de dezembro alguns moradores teriam recebido os talões cobrando R$ 800,00 referentes ao consumo de água. “São cobranças absurdas, por isso estamos aqui pedindo ajuda dos vereadores. Sabemos que eles podem cancelar a empresa em nossa cidade, nós temos um microssistema. A COSANPA nunca foi nossa parceira”, aponta.

Senazar Guimarães, presidente do conselho fiscal do residencial, representou na plenária os moradores que lotaram a Câmara, e em suas palavras justificou que a idealização da sessão era definir soluções quanto às altas cobranças no consumo de água, mas lamentou que a empresa envolvida não estivesse presente nas discussões. “A ideia da sessão era discutir o problema, porque não temos condições de pagar o que está sendo cobrado de forma indevida pela COSANPA. Queremos políticas de subsídio, a COSANPA é contra, mas as famílias que residem no (Residencial) Salvação são de baixa renda”.

Senazar explicou que um microssistema foi implantado no Residencial pelo Governo Federal para suprir a necessidade do serviço de abastecimento. Ele sugeriu que a administração do equipamento pode ser feita por uma associação ou pela Prefeitura. “A COSANPA não realiza um serviço eficaz. Esperamos que o Poder Executivo e o Legislativo defendam nossa população e retirem a empresa. Queremos qualidade no abastecimento de água”, finaliza.

O requerimento da sessão, subscrito por todos os parlamentares, foi apresentado pelo líder do Governo na Casa, Henderson Pinto (DEM), que deu início aos trabalhos criticando a Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA) pela ausência. “Uma demonstração de desrespeito a esta Casa, ao Poder Executivo que está presente, e de desrespeito à população santarena, que espera que o serviço seja realizado com qualidade”, indigna-se.

O parlamentar ressaltou que mesmo sem a presença da COSANPA no compromisso, os objetivos de discutir e buscar solução ao problema dos altos valores, que estariam sendo cobrados pela Companhia aos moradores do Residencial Salvação, foram mantidos. “A sessão não se prejudicou porque os encaminhamentos continuaram os mesmos: formação de uma comissão mista do Legislativo e do Executivo para ir até Belém com o presidente da COSANPA, com o objetivo de estabelecer uma taxa única no Residencial Salvação”, detalha.

O democrata ainda argumentou na tribuna acerca da possibilidade de rescisão do contrato de concessão dos serviços de abastecimento e saneamento da Companhia em Santarém. “A questão da água é do município e nós temos que cobrar enquanto Poder Público Municipal: Executivo e Legislativo. Uma empresa que está mal administrada, por isso a população em sua maioria pede a saída da COSANPA de Santarém”, orienta.

PREFEITURA – O representante da Prefeitura de Santarém na sessão foi o ex-vereador e agora secretário de governo, Erasmo Maia. Ele explanou o posicionamento do governo Nélio Aguiar sobre a situação da companhia de abastecimento. “O município se manifestou em uma ação do Ministério Público Estadual no ano passado (2016) pela manutenção do contrato. Já neste Governo (Nélio Aguiar) é o contrário. A decisão é que se estude a viabilidade o mais rápido possível de encerrar o contrato com a COSANPA”. Maia acrescentou que está sendo cogitada pelo Executivo a possibilidade de criação de uma empresa para gerir o abastecimento de água em Santarém “ou abrir uma licitação para empresas desse ramo concorrerem, e aquela que melhor se adequar e for a vencedora, logicamente, vai receber a concessão do serviço”.

Especificamente acerca do Residencial, o secretário falou qual a alternativa apontada pela Prefeitura. “Com relação aos moradores do residencial, há uma sugestão de que enquanto não houver uma solução da empresa, que seja cobrada uma taxa mínima para todos os moradores”.

“Não à privatização!” – Narciso Sena, diretor do Sindicato dos Urbanitários, pediu a palavra na sessão, e expôs o seu posicionamento contrário à possibilidade de privatização da COSANPA. “Nós nos colocamos contra porque a gente sabe que esse processo vai acirrar mais esse debate (dos valores da tarifa) ainda. Se hoje a população acha que a política tarifária é injusta, com o processo de privatização vai ser muito pior. Hoje a tarifa praticada pela COSANPA é a terceira, quarta ou quinta mais barata do Brasil”, afirma.

Por: Edmundo Baía Júnior

Fonte: RG 15/O Impacto

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