Capitão dos Portos: “Embarcações irregulares serão fiscalizadas com rigor”

A Capitania dos Portos de Santarém vem acompanhando atentamente a subida das águas dos rios Amazonas e Tapajós. Em uma reportagem especial feita pelo repórter/apresentador Osvaldo de Andrade para o Jornal e TV Impacto, o Capitão Ricardo Barbosa falou sobre esse assunto e outras importantes ações da Capitania em nossa Região. Veja a entrevista:

JORNAL O IMPACTO: Com relação ao nível das águas, como a Capitania está observando e acompanhando essa subida, principalmente em relação ao ano anterior?

CAPITÃO RICARDO BARBOSA: 2016 foi um ano muito atípico, pois as chuvas demoraram a iniciar em função do fenômeno do El Niño. Este ano, eu diria que o rio já voltou à sua normalidade aqui em Santarém, pois as chuvas já iniciaram desde a segunda quinzena de dezembro e o rio vem subindo com uma velocidade bem rápida, estando hoje 6,48 metros. Comparando com o ano  anterior, está vinte centímetros abaixo da medida registrada no mesmo período em 2009, quando ocorreu a maior enchente de todos os tempos. Isso significa que se o rio se mantiver com essa constância, nós podemos esperar que teremos uma grande cheia dos rios, o que poderá ocasionar o alagamento de algumas ruas na frente da cidade, especialmente a Avenida Tapajós, onde fica localizada a Sede da Capitania Fluvial.

JORNAL O IMPACTO: Com relação às orientações aos proprietários de embarcações e aos ribeirinhos, quais as ações da Capitania?

CAPITÃO RICARDO BARBOSA: Nós recomendamos sempre que mantenham a manutenção da sua embarcação em dia, na parte de motores, na parte elétrica, que estejam sempre com os itens de segurança obrigatórios, sempre presentes, como coletes suficientes para todos os tripulantes e passageiros, que estejam com os seus extintores de incêndio sempre dentro do prazo de validade e carregados, e possuam também as bóias salva-vidas para lançamento para o caso de alguém vir a cair no rio. Sempre que for viajar, deixar em terra alguém ciente daquele percurso que a embarcação vai fazer. Se for uma lancha que vai sair de uma marina, deixar a marina ciente; se não tiver a marina, deixar um familiar ciente do percurso que ele vai fazer, pois em caso de qualquer fortuito, a Capitania saberá qual foi a intenção de manobra daquela embarcação para termos um ponto inicial para iniciar as buscas dessa embarcação. E no caso de passageiros, procurar navegar com empresas idôneas, que estejam regularizadas perante a Capitania, sempre atentando ao excesso de passageiros. Toda embarcação é obrigada a ter, em local visível, a quantidade máxima de passageiros. Então, se um passageiro adentrar uma embarcação e suspeitar que há excesso de passageiros, deve entrar em contato imediatamente com a Capitania dos Portos, porque nós temos um serviço 24 horas que fica no nosso flutuante com uma lancha e a qualquer momento a gente pode usar essa lancha para fazer a abordagem dessa embarcação e fazer a verificação.

JORNAL O IMPACTO: E com relação ao transporte de combustíveis, como está ocorrendo no momento, as populações ribeirinhas não são atendidas diretamente pelos distribuidores?

CAPITÃO RICARDO BARBOSA: Hoje está autorizado o transporte de combustível e botijões de gás em quantidade limitada, porque nós sabemos que aqui na Região Amazônica essas comunidades que se encontram na beira dos rios, necessitam do combustível e essas pessoas aproveitam, quando vêm à cidade para adquiri-lo, uma vez ele é utilizado para abastecer o motor que vai moer a farinha, que vai puxar a água do rio, que vai fazer o fogo da comida e então hoje está autorizado em pequenas quantidades. Esse combustível deverá ser transportado sempre na proa ou na popa das embarcações, sempre em vasilhames adequados e lacrados para evitar o escape de gases e em local ventilado para evitar o acúmulo de gases. Ressalto que é proibido transportar qualquer tipo de combustível no porão da embarcação. Quanto ao transporte de botijões de gás, também é em número limitado de acordo com o tamanho da embarcação e sempre afastado dos passageiros.

JORNAL O IMPACTO: Como a Capitania avalia hoje o cuidado dos proprietários de embarcações, quanto à documentação devidamente completa e regularizada?

CAPITÃO RICARDO BARBOSA: Nós sabemos que ainda existem embarcações que navegam na Amazônia com a documentação irregular, mas nós temos feito um trabalho educativo nas comunidades, com os pescadores, navegantes e palestras nas escolas para tentar conscientizar as pessoas da importância de terem a sua embarcação regularizada e realizamos também mutirões de inscrição de embarcações, como o que ocorreu na Colônia de Pescadores Z-20, em Itaituba, em Oriximiná, para que essas pessoas, até pela dificuldade de vir à Capitania, possam realizar a inscrição. Nós temos aqui uma missão chamada Capitania Itinerante, quando nós utilizamos a nossa maior embarcação e a deslocamos para uma comunidade e lá permanecemos um mês, onde oferecemos praticamente todos os serviços que oferecemos aqui, como inscrição de embarcação, formação de aquaviários, renovação de qualquer tipo de documentos e realizamos cursos.

JORNAL O IMPACTO: Qual a orientação que a Capitania dá a quem pretende se habilitar para conduzir uma lancha ou um jet-sky?

CAPITÃO RICARDO BARBOSA: Quando você vai conduzir uma lancha de esporte recreio ou uma motoaquática (jet-sky), o que nós chamamos de esporte amador, são embarcações para o lazer, você deve procurar as escolas náuticas, que são escolas conveniadas com a Capitania, onde a pessoa vai realizar toda a parte teórica e a parte prática dessa formação e depois que ele receber o certificado vai à Capitania agendar uma  prova eletrônica. Ao término dessa prova ele já sai com a sua carteira de amador ou motonauta. Agora para a pessoa que for profissional, para qual chamamos condutor aquaviário, a formação é diferente. Os cursos são oferecidos pela Marinha e os principais são os cursos mais básicos, como o Marinheiro Auxiliar de Convés ou de Máquina, que é voltado para aquele navegante que tem a sua embarcação, mas às vezes não tem muita escolaridade e que precisa de uma carteira para trabalhar, então, é um curso de uma semana, que a Capitania oferece de forma gratuita. Normalmente são turmas de trinta participantes e para você ter uma idéia, em 2016 nós formamos mais de quinhentas pessoas aqui na nossa área de jurisdição. Levamos cursos para Jacareacanga, Itaituba, Juruti, Oriximiná, vários municípios, além de Santarém. Esse ano nós vamos ter o Curso de Marinheiro Fluvial de Convés e de Máquinas, aqui em Santarém. São cursos mais longos, onde aquelas pessoas que forem selecionadas em processo seletivo, já terão uma carreira, porque elas vão de Marinheiro, Contra-Mestre, Mestre, Piloto e podem no futuro pilotar esses comboios de vinte barcaças que são utilizadas no transporte de grãos de Miritituba para cá. Essa semana estaremos liberando o edital para o processo seletivo que vai ocorrer este ano aqui, para estes dois cursos que vamos disponibilizar.

Encerrando a entrevista concedida ao Jornal e TV Impacto, o Capitão dos Portos reiterou, que a função da Instituição é fundamentalmente voltada para a segurança do tráfego aquaviário, a prevenção da poluição hídrica e por isso realiza um trabalho constante em vários municípios e o seu principal objetivo, é a conscientização das pessoas, e fez um alerta, que a segurança na navegação em nossos rios é responsabilidade de todos.

Por: Osvaldo de Andrade

Fonte: RG 15/O Impacto

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