Pescadores fazem contagem do pirarucu no Lago Pirus em Santa Maria do Tapará

Em três dias, comunitários contabilizaram 451 pirarucus, sendo 201 adultos e 250 juvenis. Dados revelam aumento em relação a 2016.

Conservar o maior peixe de água doce de escama do mundo tem sido a missão dos moradores de comunidades ribeirinhas como Santa Maria do Tapará, há décadas. Através do monitoramento e fiscalização dos lagos eles tem conseguido evitar furtos e possibilitar a procriação livre da espécie que corre risco de extinção.

Uma vez por ano, às proximidades do tradicional Festival do Pirarucu, é realizada a contagem que estimaa quantidade da espécie por meio da observação feita por pescadores certificados para o cálculo.

Os peixes são divididos em duas categorias: Juvenis (menores que cem centímetros) e adultos (maiores que 100cm). Para o evento, podem ser capturados até 30% do número total de pirarucus adultos.

Para o presidente da comunidade, Amarildo Sousa ‘Seu Branco’, a conferência anual que comprovou aumento do peixe é resultado da iniciativa de conservação dos lagos: “O pirarucu está em extinção, mas na nossa região ainda têm devido a todo um trabalho que nós temos de organização, preservação e de manejo do pirarucu” – ressalta.

A iniciativa recebe o apoio da Sociedade Para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente que acompanha o processo. O biólogo da Sapopema, Fábio sarmento destaca a necessidade desse trabalho: “A contagem é uma das atividades mais importantes para se trabalhar o manejo comunitário do pirarucu porque serve para nós avaliarmos se o manejo está sendo desenvolvido ou não. A nossa meta é que outras comunidades também realizem a pesca sustentável”.

FESTIVAL DO PIRARUCU: Anualmente, no segundo domingo do mês a comunidade promove o Festival do Pirarucu que celebra a iniciativa comunitária de manejo e oferece aos visitantes, pratos típicos à base do pescado.

Excepcionalmente este ano, em decorrência da aplicação da prova do Enem, o evento será no dia 19 de novembro, no barracão da comunidade, localizada no Rio Amazonas.

A programação começa às 8h da manhã e segue até 18h. No Sábado anterior (18/11), é feita a noite cultural com apresentações de dança e seresta até 00h.

No cardápio, são oferecidas iguarias da região a partir do peixe apreciado. Pratos como ventrecha, mojica, desfiado, pirarucu frito e churrasco de pirarucu estarão a venda.

Branco destaca “a nossa preocupação é divulgar a importância do pirarucu na região”.

A comunidade resolveu inovar este ano. Além do tradicional desfile da rainha vestida com roupa confeccionada a partir de escama do peixe e cinto das espinhas, serão confeccionadas joias artesanais de pirarucu.

PESCA COMUNITÁRIA: Garantir o peixe usado na fabricação dos pratos é tarefa para os homens da comunidade. A pesca comunitária este ano inicia no dia primeiro de novembro. Munidos de arpas, redes de pesca e canoas eles caminham muitos quilômetros até o lago Purus, aonde capturam a quantidade de peixes necessária para o festival.

A cerimônia que reúne os pescadores da comunidade começa ás 06h da manhã e segue até 14h.

Sarmento enfatiza ainda a participação efetiva dos guardiões da natureza na comunidades: “É uma iniciativa louvável porque essas comunidades trabalham com recursos próprios. Recebem alguns apoios de entidades como a nossa, mas o grosso do trabalho é desenvolvido por eles. É importante porque esse tipo de atividade garante a sustentabilidade da pesca”.

Fonte: RG 15/O Impacto e Sâmela Bonfim/Sapopema

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