Papa pede preservação da natureza e da cultura indígena na Amazônia

Papa Francisco recebe líderes indígenas no altar montado em estádio de Puerto Maldonado, no Peru

Em sua primeira missa no Peru, o Papa Francisco pediu na sexta-feira (19) preservar a Amazônia dos interesses dos “grandes negócios e da ganância consumista” e chamou o tráfico de pessoas de “escravidão”.
Francisco começou a visita por Puerto Maldonado, a 232 km da fronteira com o Acre. Diferentemente dos protestos e do esvaziamento dos eventos no Chile, ele foi recebido de forma calorosa na região amazônica peruana.
Representantes de povos nativos de todo o Peru entraram no estádio da cidade junto com o pontífice, a maior parte deles usando vestimentas tradicionais, cocares, instrumentos e falando suas línguas nativas.
O pontífice chega à região no momento em que ela é afetada pelo crescimento da mineração e da extração ilegal de madeira, que levou ao aumento do desmatamento, da poluição dos rios e do assédio às comunidades indígenas.
“Os povos nativos da Amazônia provavelmente nunca foram tão ameaçados em suas terras como agora”, afirmou. “Vemos as profundas feridas que a Amazônia e seus povos carregam. E quis visitá-los para ouvi-los.”
Francisco criticou a “pressão exercida pelos interesses dos grandes negócios” buscando petróleo, gás, madeira e ouro e afanando “insumos a outros países sem se preocupar com seus habitantes”.
“Não podemos usar as mercadorias da forma como dita a ganância consumista. Devem-se estabelecer limites para que possamos nos preservar de todos os planos de destruição em massa do habitat que nos faz ser quem somos.”
A homilia do papa foi interrompida em diversas vezes por aplausos e o tocar dos tambores. Depois da cerimônia, ele se reuniu com os líderes indígenas, que mencionaram o que chamam de estupro de suas terras originárias.
“Eles entram em nossos territórios sem nosso consentimento e sofremos muito quando os forasteiros cavam a terra e destroem nossos rios, tornando-os águas negras da morte”, disse Hector Sueyo, índio da tribo Harakbut.
Na sequência, prometeu ouvir o choro dos nativos e prometeu que a Igreja apoiará à defesa da vida, da Terra e das culturas —desde o início do pontificado, Francisco defende a preservação da natureza e a mudança climática.
TRÁFICO DE PESSOAS
Francisco também abordou uma consequência da chegada de pessoas à região para a exploração ilegal de ouro e da madeira. Em Puerto Maldonado também cresceu a prostituição e o tráfico humano, principalmente mulheres.
“Acostumamos a usar o termo tráfico de pessoas, mas na verdade deveríamos falar de escravidão: escravidão para o trabalho, sexual e para o lucro”, disse. “As florestas, os rios e as montanhas são usados até o último recurso e depois são abandonados e se tornam inservíveis. As pessoas também são tratadas nessa lógica.”
Ele pediu às autoridades e aos bispos que trabalhem para prevenir as condições de semiescravidão e defendam as mulheres e os jovens da violência, além de melhorar a educação e preservar as culturas regionais.
Na volta a Lima, ele se reuniu com o presidente Pedro Pablo Kuczynski, provocando duas saias justas. Horas antes, ele havia criticado as campanhas de esterilização de mulheres promovidas pelo ex-líder Alberto Fujimori, indultado por PPK no dia 24.
Depois da reunião, ele chamou a corrupção na América Latina de “um vírus social que afeta todos os aspectos da vida” e pediu transparência aos agentes públicos. Há pouco menos de um mês, o presidente peruano escapava de ser deposto do cargo por acusações de corrupção.
Ele ainda celebrará hoje (20) uma missa em Trujillo, no litoral norte peruano, e outra em Lima no domingo (21), para a qual são esperadas 1 milhão de pessoas.

Fonte: Écio Bemerguy/O Mocorongo

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