Paciente pode morrer por descaso da Sespa

Francisco de Oliveira luta desde 2015 por uma cirurgia, mas a Sespa não liberou até agora

A saúde do povo brasileiro, juntamente com a educação, deveriam ser a grande prioridade de qualquer governo, principalmente às pessoas de baixa renda, que não possuem condições e acesso a um bom atendimento em hospitais particulares, restando apenas a opção de procurar um atendimento em hospitais públicos. A grande questão é que nossos hospitais não possuem humanização em seu atendimento, e lamentavelmente muitas pessoas morrem na fila dessas instituições de saúde à espera de algum procedimento cirúrgico. Hoje conheceremos a história de Francisco Pedro Gomes de Oliveira, cidadão trabalhador, que por uma fatalidade no exercício do seu trabalho ficou paraplégico e precisou da ajuda da Secretaria de Saúde do Estado (Sespa), mas na atual situação em que se encontra se tornou o retrato do descaso.

Em Santarém a população carente não tem para onde correr, apenas para o PSM ou Hospital Regional. Mas, Francisco de Oliveira diz que foi esquecido e abandonado. “Eu trabalhava em uma fazenda em Monte Alegre, no exercício do meu trabalho de vaqueiro eu sofri um acidente, ou melhor, levei um tiro vindo de um certo cidadão. Esse tiro atingiu minha coluna e consequentemente fiquei paraplégico. Então, desde então venho lutando, fui parar na cadeira de rodas e pela frequente permanência nessas condições, contraí umas “escaras” (são feridas que aparecem na pele de pessoas que permanecem muito tempo na mesma posição). Tive que fazer alguns enxertos e hoje eu sofro com “osteomielite” (infecção no osso na região da bacia). Em 2014 me submeti à primeira cirurgia, mas não tive êxito; em 2015, eu refiz a cirurgia, mas o médico não fechou a ferida, pois tinha que ficar aberta sem pontear para que depois fosse feita outra cirurgia com um dermatologista. Como essa cirurgia também não teve êxito, a ferida também não fechou. Segundo o médico, não pontear era o correto, pois posteriormente iria cicatrizar. No meu retorno o médico pediu uma nova cirurgia para refazer o procedimento, desde então eu luto até hoje por essa cirurgia”, disse Francisco Pedro.

Segundo Francisco Pedro, depois de dar essa triste notícia, o médico requisitou a cirurgia. “Eu dei entrada em abril do ano passado (2017), na Sespa e até hoje nada. Quando chegou o mês de julho eu resolvi acionar o Ministério Público, eles logo me responderam pois eu estava em um fila de espera de um número acima de 200, depois caiu para 180, e quando chegou o mês de janeiro deste ano, para minha surpresa, o Hospital Regional mandou uma resposta informando que minha papelada havia sido devolvida para a Sespa porque eles não realizavam esse tipo de cirurgia aqui em Santarém. Curiosamente, a mesma cirurgia que eu me submeti em 2015. Diante dessa resposta, o Ministério Público acionou novamente a Sespa para ter alguma posição sobre esse caso e ficou de eu pegar a resposta com trinta dias, ou seja, no final deste mês de março”, declarou.

Durante todo esse tempo de espera, Francisco Pedro vem sofrendo com dores horríveis e situações constrangedoras. “Minha doença a cada dia se agrava mais ainda. Hoje sou um homem que não posso mais sentar, sofro muito com dores insuportáveis, inclusive eu estou com febre há três meses, ou seja, todo dia me dá febre. Eu não aguento mais tomar antibióticos, já fui internado três vezes no Hospital Municipal por conta desse problema, pois minhas pernas foram privadas, mas a equipe médica do Municipal diz que o meu problema só será resolvido com cirurgia, sendo que esta cirurgia eu aguardo desde 2015. Eu não aguento tanta dor, eu não posso mais sair de casa, não tenho mais acesso a lazer, não visito mais amigos. Quando eu saio para resolver algumas coisas, mas é exclusivamente para situações que eu vou ficar de pé e andar com minhas muletas, mas se caso eu for em sua casa não poderei sentar no seu sofá, eu não poderei pedir uma rede só para deitar”, relata Francisco Pedro, bastante emocionado.

Quando sentimos dores, a situação exige resoluções imediatas. Quando sentimos uma simples dor de cabeça, corremos para uma farmácia e compramos um remédio. Podemos imaginar a situação do senhor Francisco, por conta dessas burocracias. O cidadão está sentido fortes dores por todos esses meses e agora ele recebe a resposta do Hospital Regional de que não fazem esse tipo de procedimento cirúrgico, sendo que alguns anos atrás ele passou pelo mesmo procedimento que tanto precisa hoje.

Pedimos providências, o senhor Francisco possui todos os documentos provando toda essa triste história. Queremos, com essa história, é dar um grito de alerta. Como o próprio paciente relatou, ele era o número 180 de uma fila gigantesca, tem outras centenas de pessoas na mesma situação dele ou até pior, esperando em uma fila. Trata-se de um serviço público, a Secretaria Estadual de Saúde está aqui para servir o senhor Francisco Pedro ou qualquer outro individuo, ou seja, toda população. O que exigimos é rapidez, que possa haver mais atenção e mais carinho com essa população que convive com a dor todos os dias.

Francisco Pedro manda um recado às autoridades: “Peço que eles nos olhem com mais atenção, como seres humanos. Eu preciso dessa cirurgia, se eu for visitar alguém, tenho que ficar deitado no sofá da pessoa, eu vou pedir um travesseiro para eu sentar e mesmo que consiga sentar no seu sofá ou na sua rede, eu vou sujar, porque esse meu problema está começando a minar, está vazando. Eu preciso voltar a viver, eu estou morrendo por dentro, aos poucos eu estou morrendo”, palavras emocionadas de Francisco Pedro Gomes de Oliveira.

Por: Edmundo Baía Junior

Fonte: RG 15/O Impacto

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