Nomeação de Técnica da 5ª Ure para o Some e Sei revolta professores

Rainilza Rodrigues, do Sintepp, diz que técnica não pode assumir os dois cargos

Inconformados com diversos problemas relacionados à educação pública no interior de Santarém, professores do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) questionam o fato da técnica Ronilse Cruz assumir dois cargos dentro da 5ª Unidade de Regional de Ensino (URE).

Eles denunciam que Ronilse ocupa a vaga de técnica do Sistema Educacional Interativo (Sei) e também de supervisora pedagógica do Some e, que isso está prejudicando o ensino público na zona ribeirinha e no planalto santareno. Em algumas reuniões que a técnica participou, segundo os professores do Some, ela defendeu somente a implantação do Sei.

O fato da mesma pessoa ocupar os dois cargos está prejudicando a luta dos professores do Some contra a implantação do Sei, pelo Governo do Pará. Para os professores, são dois cargos que deveriam ser ocupados por dois técnicos e, que desta forma iria melhorar o sistema de ensino no interior do Município.

“No dia 15/04, o Some fez 38 anos de existência no Estado do Pará. Nossa luta contra o Sei tem sido intensa. No polo Santarém, que engloba também os municípios de Belterra, Mojuí dos Campos e Aveiro, o Sei não foi implantado, por causa da luta dos professores do Some”, afirmou a coordenadora da Secretaria de Formação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) Subsede de Santarém, professora Rainilza Rodrigues.

Além do problema ocasionado pela mesma pessoa assumir os dois cargos dentro da 5ª URE, os professores do Some revelam que estão sofrendo problemas com alguns prefeitos da região oeste do Pará, por defenderem a implantação do Sei.

De acordo com a professora Rainilza, em Santarém, o prefeito Nélio Aguiar não assinou o convênio do Sei, por conta de uma mobilização e pressão dos professores, estudantes e comunitários. Ela acrescenta que em Belterra, o prefeito Jociclélio Castro Macêdo (DEM), assinou o convênio. Porém, após muita pressão e mobilização das comunidades, professores e estudantes e recomendação do Ministério Público Estadual (MPE), Macêdo voltou atrás na sua decisão e desfez o acordo do convênio do Sei, que havia assinado.

Em Mojuí dos Campos, segundo a professora Rainilza, o prefeito Jailson Alves (PSDB) estava disposto a assinar, mas, os professores fizeram uma denúncia no Ministério Público Estadual e solicitaram uma recomendação do órgão, para que houvesse a consulta pública nas comunidades.

Diante da pressão, o Prefeito não assinou o convenio do Sei. “Inclusive, o material tecnológico como, antenas, baterias, televisores, já havia chegado nas comunidades. E a Seduc já havia autorizado o funcionamento das aulas com o envio de duas professoras do processo seletivo para serem monitorados. Mas, os alunos se recusaram a entrar na sala de aula com apoio dos pais. Essas turmas já estavam com a codificação do Sei. O processo de mudança dos códigos do Sei para o Some novamente causou o atraso do início das aulas em Mojuí dos Campos”, diz a professora Rainilza.

Segundo ela, no dia 09/ 04 /2018 houve, em Belém, uma audiência de conciliação na Justiça, sobre o processo que o Ministério Público Estadual entrou contra a implantação do Sei no Estado do Pará. O Ministério Público incluiu o Sintepp/Estadual em seu processo contra a Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc). Nessa audiência a Seduc alegou que o Sei já está funcionando em 19 comunidades, incluindo 8 municípios, com perfeito funcionamento nos três turnos e sem problemas com os comunitários.

O Sintepp informou não ser verdade o perfeito funcionamento sem problemas com as comunidades. “Então, o Juiz deu um prazo de 7 dias, para o Ministério Público fazer o levantamento da realidade dessas 19 comunidades onde foi implantado o Sei. Por isso, vai haver uma audiência em Belém, onde o Juiz vai decidir se o Sei permanece ou é retirado como educação no campo em todo o Estado do Pará”, informou a professora Rainilza.

Hoje, de acordo com ela, o Some está presente em 96 municípios do Pará, em 465 comunidades rurais, atendendo mais de 40 mil alunos e com quadro de aproximadamente 1.100 professores.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

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