Rilmar Firmino: “Desativação da Base Candirú foi erro do Governo Federal”

Delegado da Polícia Civil diz que fiscalização ficou limitada nesse local

O ex-delegado geral da Polícia Civil do Estado do Pará, Dr. Rilmar Firmino, esteve em nossa redação, onde o mesmo, em entrevista exclusiva, falou sobre seu afastamento do cargo de Delegado Geral, dizendo que agora está à disposição do Conselho Superior da Polícia Civil no Estado do Pará. Rilmar Firmino também falou sobre outros assuntos. Leia a entrevista na íntegra:

Jornal O Impacto: Naturalmente o senhor se afastou, mas o trabalho continua. Por que saiu da função de Delegado Geral e agora está à disposição do Conselho?

Rilmar Firmino: Isso é natural. Uma previsão legal. Delegado Geral, automaticamente quando sai do cargo ele fica à disposição do Conselho Superior de Polícia, exercendo as atividades normais dentro do Conselho. Recebemos a missão do delegado geral Dr. Cláudio Belém, de vir até Santarém representar nossa Instituição em uma homenagem que a Câmara Municipal fez  pelos 142 anos da Polícia Civil e dos 200 anos da Polícia Militar no Oeste do Pará. Algo que muitos nos honra, não só por representar a nossa Instituição nesse âmbito, mas por ser um dos homenageados, uma festa muito bonita. Apesar das adversidades que a Câmara viveu no passado, e que de certa forma ainda vive, foi louvável a homenagem deixada ao Sistema de Segurança Pública.

Jornal O Impacto: O seu afastamento tem a ver com uma possível candidatura nas eleições que vem?

Rilmar Firmino: Essas são pretensões a gente não vincula, até porque já passei três anos e cinco meses à frente da Delegacia Geral, e já estava na hora de dar oportunidade para outros colegas. Também tem outras formas de contribuir com as instituições de segurança pública do Pará, são 7 anos e 3 meses, contando com mais 2 anos que estamos engajados juntos à administração superior. Agora, resolvemos nos afastar e vamos ver o que acontece. Acho que ainda é muito cedo para traçarmos outros objetivos que não sejam dentro da área policial, que é o que sabemos fazer. Fizemos a vida toda e acho que tem que ser por aí, nós estamos à disposição do Conselho, contribuindo. Eu sempre digo, voltando para o Conselho não é menos um, é mais um policial. Conhecemos um pouco da gestão e da parte operacional e estamos contribuindo para melhorar cada vez mais nossa Instituição.

Jornal O Impacto: Não poderíamos deixar de abordar a questão da violência no Estado do Pará, ultimamente com muitos casos de assassinatos. Qual sua visão em relação a isso e como poderíamos reduzir esse índice?

Rilmar Firmino: Eu diria que não é uma característica só nossa. No Brasil, tivemos no ano passado 60 mil homicídios, essa é uma cifra que muitas guerras não chegaram a esse patamar, mas acho que estamos no caminho certo. O Governo do Estado tem investido muito em material, equipamentos, viaturas, pessoal; nós conseguimos agora incorporar em menos de 4 anos, mil policiais civis em nossa corporação; não temos nenhuma deficiência com relação a equipamentos e armamentos. Nós avançamos muito em nossa Instituição. Nesses últimos anos nós conseguimos muito no que diz respeito à estrutura; só para se ter uma ideia, aqui em Santarém, nós efetivamos a Unidade de Alter do Chão, conseguimos a UIPP do bairro do Santarenzinho e Nova República; unidades em Rurópolis, Placas, Juruti, Oriximiná. Então, o investimento foi muito forte aqui na região Oeste do Pará, sem contar com Novo Progresso; na região do Tapajós, Trairão e Jacareacanga, que sequer tinha Polícia Civil e nós conseguimos em 2014, não só construir a Unidade como efetivar um delegado de Polícia de carreira; Aveiro e Itaituba. De fato, o investimento foi muito para combater a violência. Na realidade, são uma série de fatores. Aqui no Pará, nós temos alguns casos emblemáticos que eu cito sempre que não podemos deixar perder de vista. A Amazônia faz fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo; pergunta-se: qual o controle que nós temos de entrada de drogas e armas aqui na região do Pará, Amazonas e Amapá? Quase zero. Só para termos uma ideia, a Base Candiru, aqui no estreito de Óbidos, foi desativada em 2009, era um controle que nós tínhamos, todas as embarcações que saiam ou entravam no Estado eram fiscalizadas e desde 2009 foi desativada por falta de condições. A Marinha do Brasil condenou a estrutura que existia e, até hoje nossos colegas da Polícia Federal trabalham em terra, não tem embarcação e fazem apenas abordagens esporádicas. Se você sair aqui de Santarém e percorrer 1.065 quilômetros até Guarantã do Norte, você vai encontrar um único posto da Polícia Rodoviária Federal que fica aqui na Serra do Piquiatuba, que por sinal é o único do Brasil sem estrutura, um trecho da rodovia que circulam em média por dia 400 carretas, tanto vindo para a Cargill, quanto para o porto de Miritituba, que podem passar de qualquer jeito. Uma carreta carregada com armas vai passar da mesma forma, não tem fiscalização. Houve um abandono, principalmente nas estradas federais do Estado do Pará, um descaso com a Polícia Rodoviária Federal. Então, você falar em plano de segurança pública e conseguir conter o que entra no Estado é difícil. O esforço nosso tem sido sobre-humano, mas se não tivermos atitude, principalmente por parte do nosso Governo Federal que só agora conseguiu descobrir, depois de 200 anos de Polícia Militar, 142 anos da Polícia Civil e 518 anos de descobrimento do Brasil, que teria que criar um Ministério da Segurança Pública, particular às políticas de segurança públicas dos estados, só agora atentou para isso, ainda bem, meio que tardio. Acredito que essa nova política de chamar a responsabilidade também para União, com o Ministério da Segurança coordenando e ajudando as 27 unidades da Federação, eu tenho certeza que nós teremos condições de reduzir os índices no Brasil, tanto a violência quanto também a criminalidade.

Jornal O Impacto: Já citamos em programas anteriores o funcionamento da Delegacia da Mulher, agora com plantão 24 horas nos fins de semana. Inclusive foi uma luta sua também.

Rilmar Firmino:  Essa é uma vitória de todos nós e da cidade de Santarém. É um pleito dos movimentos sociais, da OAB, Ministério Público e do Poder Judiciário e as estatísticas são elevadas em respeito à violência contra a mulher, principalmente aos finais de semana e nós conseguimos incorporar 623 policiais civis agora no mês de abril e a partir daí nos deu condições de alocar um efetivo na DEAM, do PROPAZ Integrado, para que nós conseguíssemos implantar o tão sonhado plantão aos fins de semana, foi uma vitória nossa e quando a gente tem compromisso e a união de todos os setores, seja Prefeitura, Poder Judiciário e Ministério Público, dá no que deu, o resultado é esse, quem ganha é a sociedade.

Jornal O Impacto: O senhor traz, também, uma notícia muito importante para a população, que é a possível instalação de uma nova Delegacia para atuar em conflitos agrários.

Rilmar Firmino:  Exatamente, já com a determinação do delegado geral Galeno, será implantada. Inclusive, o pessoal já foi selecionado, já estão com suas funções designadas, iremos instalar a Delegacia de Conflitos Agrários aqui em Santarém e outra em Altamira. São duas unidades especializadas para tratar somente de conflitos agrários e também na repressão de crimes ambientais. Nossa atuação está ligada no estado do Pará, nas terras da União e da Polícia Federal, mas além de atuar na questão de conflitos agrários, vamos também atuar nas duas unidades a repressão a crimes ambientais. Por que uma em Altamira? Nós temos a Unidade mais próxima especializada em conflitos agrários em Marabá; semestre passado a unidade Marabá ficou diretamente em Altamira, Anapú, Pacajá e Novo Repartimento. É uma demanda muito grande e com esse novo efetivo nós tivemos condições de também implantar essas duas unidades que irão funcionar em breve. Temos uma demanda muito grande por parte do Ministério Público, da Promotoria Agrária e uma necessidade da população do Oeste do Pará. Para nós é um grande avanço e eu tenho certeza que vai melhorar muito não só essa mediação perante esses conflitos agrários, como também a repressão aos crimes ambientais. Provisoriamente nós vamos funcionar na estrutura da UIPP do Santarenzinho, onde nós temos um espaço destinado, mas nós já estamos providenciando as instalações. O Delegado Geral já determinou uma reforma na Unidade Seccional para que funcione efetivamente, mas provisoriamente será na Unidade do Santarenzinho, pois a estrutura física pesa no desempenho nas nossas atividades. O Delegado que foi designado para comandar foi o Edinaldo, que é experiente, conhece bem a região, já foi superintendente em Itaituba, já trabalhou na Corregedoria, Seccional, é um conhecedor profundo da região e isso conta muito, além das qualidades como profissional; tenho certeza que irá conduzir bem essa Unidade.

RILMAR FIRMINO É HOMENAGEADO PELA CÂMARA NOS 200 ANOS DA PM

“Na oportunidade foi realizada a entrega de 20 certificados a policiais com o título de Heróis do Tapajós”

Em 2018, a Polícia Militar do Estado do Pará comemora 200 anos de fundação. Para marcar a vasta programação da corporação que ocorre desde março em todo o Estado, a Câmara de Vereadores de Santarém realizou, na tarde de terça-feira (24), sessão especial que destacou os trabalhos desenvolvidos tanto pela PM quanto da Polícia Civil na região Oeste do Pará.

A sessão, de autoria dos vereadores Chiquinho da Umes (PSDB) e Jardel Guimarães (PODEMOS), é também em alusão ao Dia de Tiradentes, celebrado no dia 21 de deste mês, data que lembra a Inconfidência Mineira, liderada por Joaquim José da Silva Xavier, considerado o patrono das polícias Civil e Militar.

“A ideia é homenagear esses verdadeiros guerreiros que estão a serviço da defesa da sociedade. Hoje é um dia muito especial para a Câmara Municipal de Santarém que possui 188 anos de história e que pela primeira vez está realizando essa homenagem”, afirmou Chiquinho da Umes.

De acordo com o comandante geral da PMPA, coronel Hilton Benigno, desde o dia 10 de março iniciamos intensa programação de aniversário do bicentenário da nossa corporação. “Podemos afirmar que é incomum no Brasil uma instituição completar 200 anos e na Amazônia mais ainda. Hoje recebe essa homenagem importantíssima do povo santareno e ficamos inteiramente agradecidos como comandante da força”.

“Essa é mais uma forma do legislativo municipal fazer não só a cobrança, mas reconhecer homens e mulheres que lutam por uma Santarém mais cidadã e segura”, afirmou o presidente da Câmara de Vereadores, Antônio Rocha (MDB).

Na oportunidade foi realizada a entrega de 20 certificados a policiais com o título de “Heróis do Tapajós” pelos relevantes serviços no âmbito da segurança pública prestados à comunidade. Além disso, a solenidade foi concluída com a entrega de 23 viaturas que vão reforçar as ações da PM em Santarém.

Entre os agraciados com certificados estavam o ex-delegado Geral da Polícia Civil, Dr. Rilmar Firmino; o coordenador da área de segurança do Centro Regional do Governo, delegado Gilberto Aguiar; e o atual superintendente da Polícia Civil do Baixo Amazonas, delegado Nelson Silva.

Por: Edmundo Baía Junior

Fonte: RG 15/O Impacto

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