Família Pastana – Um legado na área de panificação em Santarém

Antônio Carlos e Gilmar Pastana venceram as dificuldades e hoje prosperam nesse segmento

Os empresários Gilmar Pastana e Antônio Carlos Pastana estiveram em nossa redação, onde foram entrevistados por Osvaldo de Andrade. Os dois irmãos atuam na área de panificação. Gilmar Pastana, muito conhecido em Santarém e região, concedeu entrevista à nossa reportagem, onde fala sobre o ramo que atua, junto com seu irmão Antônio Carlos. Veja a entrevista na íntegra:

Jornal O Impacto: Gilmar Pastana, como tudo começou?

Gilmar Pastana: Realmente é uma história muito longa, mas a gente vai tentar contribuir um pouco com esse esclarecimento. Eu posso começar dizendo que minha história está relacionada à história da família, porque hoje nós somos oito irmãos (cinco homens e três mulheres), sendo que dos cinco homens, três trabalham com essa atividade e que, graças a Deus, eu tenho a oportunidade de estar com o meu irmão (Antônio Carlos), embora não seja o irmão mais velho biológico, mas é o irmão que é o pioneiro na atividade da panificação aqui em Santarém. Isso eu tenho muito orgulho, já que trata-se de uma referência para mim e para a comunidade santarena, pois ele conseguiu, na época em que estava exercendo essa atividade, promover a revolução nos anos de 1971 e 1972.

Jornal O Impacto: Na verdade, são três irmãos que estão na área da panificação. Tem outro irmão que é Bispo, Dom Gilberto?

Gilmar Pastana: O nosso irmão Bispo está na cidade do Crato, no Ceará. Ele foi Bispo no Maranhão por quase 11 anos e depois foi transferido para o Ceará. Agora ele está próximo de completar dois anos por lá. O outro irmão, Geraldo Pastana, é envolvido na área da política, foi prefeito de Belterra. Onde começa nossa inspiração, de fato no negócio, nesse tino empreendedor, eu não poderia deixar de falar da nossa base, que foram os meus avós. Meu avó materno que se chamava Carlos Augusto Pastana, que veio de Portugal e encontrou uma cearense aqui, fazendo essa junção, onde nasceu minha mãe e a partir daí vieram essas figuras.

Jornal O Impacto: Tem o cearense que naturalmente já tem tendência para o comércio e o português que domina a área de panificação.

Gilmar Pastana: O meu avô serve de inspiração, tanto para os três irmãos que estão na área do comércio quanto para os outros dois. Meu avô era muito católico e deu uma formação religiosa e familiar. Ele, de fato, deixou esse legado para toda família. Então, tudo começa por aí, essa história que perpassa pelo Antônio Carlos que nos dá essa base de fato, e quando entra eu e meu irmão na área da panificação. Nós entramos por uma oportunidade que ele colocou para a gente, me recordo que quando nós fizemos a primeira junção, a famosa sociedade, tivemos a visita de uma amigo chamado João Paulo Medeiros, esposo da dona Marília, que trabalhava na Receita Estadual, quando ele chegou lá no estabelecimento que se localizava na Cuiabá próximo ao quartel, ele tinha intimidade conosco e disse: “Rapaz, vocês estão juntos aqui?”. Eu respondi: “É, montamos uma sociedade. Antônio, Genardo e Gilmar”. Ele exclamou: “Rapaz, não façam isso, a única sociedade que eu vi foi a dos dois portugueses que era do seu Sílvio com César Ramalheiro e hoje eles são adversários”. O primeiro cliente já deu uma dessa, mas eu queria dizer que realmente essa sociedade foi muito positiva, nós tivemos sim as dificuldades como todas as pessoas têm, mas, acima de tudo, tinha objetivo, tanto é que essa sociedade fez a base para hoje eu ter meu próprio negócio, meu irmão Genardo ter o próprio negócio dele e o Antônio Carlos continuar com o seu negócio. Então, de certa forma foi um momento que eu não poderia sozinho desenvolver, nem o Genardo. O Antônio Carlos já tinha uma estrutura, mas ele deu essa oportunidade, decidimos abraçar e não deu outra, a gente obteve muito resultado e sucesso. Graças a Deus!

Jornal O Impacto: Realmente foi uma ideia que surgiu e com a união de vocês o negócio foi crescendo e desenvolvendo, chegando ao ponto de se separarem, mas foi uma separação para somar. Você à frente da Massabor, o Antônio Carlos continua com a Ki-Pão e o Genardo com os filhos na Panificadora Carequinha. Além do sucesso de vocês, acreditamos que vocês têm prazer em poder ter dado empregos e continuar dando emprego para muitas pessoas.

Gilmar Pastana: Na verdade, nesse resultado eu não coloco especificamente a parte do lucro, mas a parte de você poder contribuir com várias famílias que dependem desse trabalho e eu diria mais, um trabalho que vem a somar. Hoje esse desafio da gestão se torna interessante quando de fato você tem colaboradores que realmente formam equipes e que eles contribuem, eles são os atores principais no negócio. Então, minha gestão dentro do meu negócio passa necessariamente por essa disponibilidade de todos eles participarem. Quantas vezes eu direcionei e eles disseram, não; vamos por esse outro lado e, nós tivemos resultado. Para mim isso é fundamental, eu me sinto muito grato por Deus por poder estar à frente de uma empresa que tem hoje o reconhecimento dos santarenos, aí eu faço valer a marca Massabor, uma pizzaria que há quatro anos vem ganhando prêmios consecutivos como a pizza mais lembrada, quando se fala em pizzaria. Isso é resultado de muito trabalho, já estamos há 19 anos com a atividade de pizzaria, mas a gente sempre trabalha com este propósito, de um trabalho em equipe, onde todos participam, até porque sem eles não existe empresa.

Jornal O Impacto: Diante de todo esse sucesso, a empresa vai expandindo. Você começou com um ponto, hoje já está em outro e agora acabou de inaugurar mais um.

Gilmar Pastana: Sim, acabamos de inaugurar uma unidade lá no bairro da Prainha. Eu diria que vem a questão do meu avô, interpassa pelo meu irmão, e agora minha filha. Na verdade, essa unidade é da minha filha, que vem com um conceito bem diferenciado na questão da alimentação. Eu tenho quatro filhos, Renata, Josiane, Giogledson e Gilney. A Josiane realmente é quem está enveredando pelo negócio. De fato, tudo na vida tem os prós e os contras e essa área é algo que exige uma dedicação muito grande, onde você acorda bem cedo, às vezes dorme mais tarde. Mas, graças a Deus, para minha alegria e gratidão a Ele, minha filha Josiane abraçou. Eu diria que às vezes eu até me submeto a alguma orientação dela, uma vez que esse mercado está mais competitivo, essas ferramentas tecnológicas nos ajudam muito na gestão e eu te diria que muitas vezes ela acaba me dando um suporte muito grande, porque a gente, de certa forma, relaxa quando vemos nossos filhos nessa linha de frente e a acabamos nos acomodando um pouco pela questão da segurança, mas isso ajuda muito. Eu queria falar uma pouco mais da panificação, uma vez que nós já estivemos durante três mandatos como presidente do Sindicato dos Panificadores e o Antônio Carlos foi o primeiro Delegado Sindical da Panificação em Santarém. Vou falar um pouco desse segmento, que realmente tem as suas dificuldades. Nós estamos enfrentando agora essa crise e que nos deixa numa condição de dizer assim: “Olha, você tem de realmente partir para cima, você tem de ir em busca de alternativas. Se você não tiver esse propósito, se não tiver essa atitude, você vai estar mais ainda fadado ao fracasso”. Então, é como a gente está conseguindo driblar, não é fácil, porque temos responsabilidades assumidas. Eu falo realmente do nosso quadro de colaboradores e nós sentimos realmente, pois percebemos que as coisas vão ficando sem condições. Você não tem muita chance e oportunidades, você tem que se reinventar e criar oportunidade, então, esse é o desafio, você tem de ir em busca de informação, você tem de se usar dessas questões tecnológicas, você tem realmente de levantar, sair dessa zona de conforto e ir em busca. Agora afirmo isso, faço tudo com muito prazer. É importante, também, que a gente se identifique e se sinta numa felicidade, embora na dificuldade, mas buscando. Para mim, uma coisa que me deixa muito satisfeito, é quando eu consigo atender à necessidade do meu cliente, quando o meu cliente diz: “Eu estou satisfeito!”, porque o prazer de comer não tem nada igual. Você vestir, calçar, etc, é uma coisa, mas você se deliciar de algo que seja prazeroso é de fato fantástico e quando você tem uma equipe que se dispõe a trabalhar nesse ramo de alimentação, conseguindo satisfazer seu cliente, para mim esse é uma dos pontos que me deixa completamente satisfeito.

Jornal O Impacto: Com relação ao Sindicato, hoje vocês têm mais ou menos quantas padarias associadas a esse trabalho em conjunto, pois devido à concorrência há aquela forma de deixar um pouco de lado, mas nós observamos que vocês têm feito eventos que envolvem os próprios “concorrentes” de vocês, mas estão juntos para fazer uma espécie de reciclagem.

Gilmar Pastana: Exatamente. Se você observar, hoje o setor de panificação em Santarém está com outra cara, mas diga-se de passagem, isso também é resultado do associativismo, porque nós não os vemos como concorrentes e sim parceiros, porque nós estamos com os mesmos propósitos, enfrentando as mesma dificuldades e buscando realmente conhecimento, então, é isso que tem acontecido e o Sindicato, através dessa atitude, está organizando aqueles que ainda não acreditam no associativismo. É o que tem acontecido e eu posso dizer aqui que fomos identificados pelo SEBRAE como segmento em que eles pudessem trabalhar na questão do conhecimento e, aí que eu quero dizer que foi um dos pontos fundamentais no setor de panificação, porque nós tivemos o privilégio de ter, através do SEBRAE, essa formação de Brasil; nós saímos daqui, fomos para São Paulo e tudo que está acontecendo hoje nos centros Sul e Sudeste, nós temos acesso aqui em Santarém. Muitas padarias estão investindo e trazendo esse novo formato de panificação aqui e nós hoje não estamos na presidência. O Aldenor Pereira é que é o nosso presidente, ele tem esse mesmo propósito. Então, quem ganha com isso é a população que consome e tem oportunidade de trabalho, ou seja, trata-se de um ganho coletivo. Quero dizer que nós, no Sindicato, apesar de termos, segundo a nossa avaliação, 10% das padarias que são sócias ao Sindicato, ou seja, nós temos hoje em média 44 padarias que são sócias do Sipcoop, esses 10% tem buscado realmente esse propósito do conhecimento, buscado inovações e atender o cliente na sua totalidade. O cliente hoje está cada vez mais exigente, luta por seus direitos. Então, hoje você vê isso, é um orgulho, porque são santarenos. Não iremos esperar que outros venham de fora colocar essas padarias aqui com esses conceitos, não, nós estamos buscando realmente formação e nós vamos oferecer isso. Nós somos apreciados pela população, que diz assim: “Que bom que o investimento é de vocês, o investimento é nosso”. Isso é muito bom.

Jornal O Impacto: Onde está presente a Massabor hoje?

Gilmar Pastana: A Massabor é uma marca que está relacionada a satisfazer o prazer de comer e ela vem com os principais produtos, que são derivados de farinha de trigo, onde são inseridos pão, pizza, biscoito, bolos e etc. E pelo fato de hoje estarmos posicionados lá no Terminal Fluvial Turístico, a gente também acrescentou a linha das comidas típicas regionais e queria lhe dizer que é um produto que também nós satisfaz muito. Nós trabalhamos com esses produtos regionais, tacacá, vatapá, maniçoba e, temos orgulho de oferecer para os turistas que chegam e provam um pouco da nossa culinária paraense, com esse pratos regionais, pirarucu, piracuí e por aí vai.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

3 comentários em “Família Pastana – Um legado na área de panificação em Santarém

  • 13 de abril de 2020 em 23:19
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    Sempre viajo para Santarém pela Empresa e tenho vontade de conhecer a terra que meu pai nasceu em Monte Alegre…. Onde meu bisavô Cazuza Pastana chegou com a família…. Não sei se tem haver coma parte da Família Pastana de Santarém ou se vieram de lá …. Mas honro meu sobrenome e fico feliz em vê lo em local de destaque. Já degustei a pizza da Massabor e realmente é muito gostosa. Parabéns aos Pastanas dessa região.

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    • 2 de outubro de 2020 em 12:13
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      Rodrigo, seu sobrenome vem de origem de qual país? Acho muito dificil relacionar nosso sobrenome a Portugal de onde nossa arvore genealógica diz vir.

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  • 4 de maio de 2018 em 08:13
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    Desejo meus parabéns a familia Pastana, pois tudo que sei sobre panificação devo uma boa parte a eles…
    Hoje tenho uma pequena padaria na cidade de óbidos… Tenho as padarias da família Pastana como grandes inspiração para meu negocio..

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